09 out 2024
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Biomateriais na Odontologia: Quais os tipos?

Retrato de duas mulheres dentistas, trabalhando com próteses em laboratório.

O avanço das tecnologias aplicadas à saúde tem proporcionado uma verdadeira revolução em diversas áreas, e a odontologia não é exceção. Dentre as inovações que mais impactam a prática do dentista, os biomateriais na odontologia destacam-se por sua capacidade de oferecer soluções seguras, eficientes e cada vez mais personalizadas para os tratamentos dentários.

Esses materiais, que podem ser de origem natural ou sintética, desempenham um papel fundamental na regeneração tecidual, na substituição de estruturas danificadas e na restauração funcional da cavidade bucal, garantindo mais conforto e qualidade de vida aos pacientes.

Com a evolução da ciência dos materiais, novos tipos de biomateriais vêm sendo desenvolvidos e aperfeiçoados constantemente, ampliando as possibilidades de tratamentos e tornando-os mais eficazes.

Porém, o sucesso da utilização desses materiais está diretamente relacionado ao conhecimento profundo de suas características e propriedades por parte dos profissionais da área.

Cada tipo de biomaterial possui indicações específicas, e sua escolha deve levar em conta fatores como biocompatibilidade, reatividade biológica e resistência mecânica.

Neste artigo, vamos nos aprofundar no universo dos biomateriais na odontologia, apresentando suas diferentes classificações e propriedades.

Se você é um profissional ou estudante de odontologia interessado em se aprofundar nesse tema, continue a leitura e descubra como esses materiais podem transformar a sua prática clínica.

Pessoa usando luva branca e segurando molde de gesso de dentes
Biomateriais são materiais criados ou modificados para interagir com sistemas biológicos, sendo amplamente utilizados em diversas áreas da medicina e odontologia para reparar, substituir ou regenerar tecidos e órgãos. (Reprodução/Freepik)

Sumário

O que são biomateriais?

Biomateriais são materiais criados ou modificados para interagir com sistemas biológicos, sendo amplamente utilizados em diversas áreas da medicina e odontologia para reparar, substituir ou regenerar tecidos e órgãos.

Esses materiais podem ser naturais (como enxertos ósseos), ou sintéticos (como polímeros e cerâmicas), e devem ser cuidadosamente escolhidos para garantir que sua interação com o organismo seja segura e eficaz.

A escolha do biomaterial ideal depende de vários fatores, a exemplo da biocompatibilidade, a resposta imunológica que ele pode desencadear e a capacidade de se integrar ao tecido natural.

Além disso, os biomateriais podem ser classificados de acordo com a sua origem (naturais ou sintéticos) ou pelo tipo de resposta que desencadeiam no organismo (bioinertes, bioativos, biocompatíveis, bioabsorvíveis, bioartificiais e biorreativos).

Essa diversidade de classificações demonstra a complexidade e a especificidade desses materiais, exigindo do profissional um conhecimento técnico aprofundado para que a sua seleção seja adequada a cada caso clínico, evitando complicações e garantindo a efetividade do tratamento.

Na odontologia, os biomateriais desempenham um papel essencial em procedimentos como implantes dentários, enxertos ósseos, obturações e na regeneração de tecidos (moles ou duros).

A escolha correta do biomaterial pode influenciar, diretamente, na osseointegração de um implante, na longevidade de uma restauração ou na eficácia de um enxerto, por exemplo. Assim, o conhecimento sobre esses materiais é fundamental para que o cirurgião-dentista possa proporcionar tratamentos seguros, previsíveis e duradouros para seus pacientes.

Doutora usando jaleco branco em consultório odontológico, enquanto olha sorrindo seu celular.
Os biomateriais são materiais que interagem com tecidos biológicos e são utilizados para substituir ou regenerar partes do corpo. (Reprodução/Freepik)

O que são biomateriais na odontologia?

Na odontologia, os biomateriais são utilizados com o objetivo de restaurar, substituir ou regenerar tecidos dentários e ósseos que foram perdidos ou danificados devido a traumas, doenças ou falhas congênitas.

Eles são essenciais em procedimentos como implantes dentários, onde a integração do material com o osso é fundamental para a estabilidade e durabilidade da prótese. Da mesma forma, são usados em enxertos ósseos para promover a regeneração de áreas que sofreram perda óssea significativa, permitindo que procedimentos como a instalação de implantes sejam viáveis.

Esses materiais precisam ser cuidadosamente selecionados para garantir que não haja rejeição pelo organismo e que eles cumpram com eficácia a função para a qual foram designados.

Por exemplo: um material que será utilizado em uma área de alta carga mastigatória precisa ter resistência mecânica adequada, enquanto um material utilizado para preenchimento ósseo precisa ser poroso o suficiente para permitir a vascularização e o crescimento de novo tecido ósseo.

Dessa forma, a escolha do biomaterial adequado depende de uma série de fatores, incluindo as características do material, o tipo de tecido que está sendo substituído ou regenerado, e as necessidades específicas do paciente.

Na prática odontológica, os biomateriais são categorizados de diversas maneiras, com base em sua composição, sua resposta biológica e seu comportamento mecânico.

Compreender essas categorias e as indicações específicas de cada tipo é fundamental para que o cirurgião-dentista possa planejar e executar procedimentos de maneira mais eficiente, segura e personalizada, garantindo o melhor resultado possível para o paciente.

Criança sendo atendida em consultório odontológico. Em cima tem uma panorâmica da sua arcada dentária.
Na odontologia, os biomateriais são usados em procedimentos como enxertos, implantes e restaurações para promover a integração com tecidos dentais. (Reprodução/Freepik)

Tipos de Biomateriais Naturais

Os biomateriais naturais são aqueles que possuem origem biológica e podem ser divididos em três principais categorias: autógenos, homógenos e heterógenos.

Cada um desses tipos possui características específicas, que influenciam diretamente em sua indicação e eficácia nos tratamentos odontológicos.

Autógenos

Os biomateriais autógenos, também conhecidos como enxertos autógenos, são aqueles obtidos através do próprio paciente.

Esses materiais são considerados o padrão-ouro em muitas aplicações odontológicas e médicas, principalmente por apresentarem a maior taxa de aceitação e integração com o organismo, reduzindo significativamente o risco de rejeição ou reações adversas.

Na odontologia, são frequentemente utilizados em procedimentos de enxerto ósseo para regeneração de defeitos ósseos ou reconstrução de áreas com perda óssea significativa.

Uma das principais vantagens dos enxertos autógenos é que eles contêm células viáveis e fatores de crescimento que promovem a regeneração tecidual de maneira mais eficiente.

No entanto, o uso desse tipo de biomaterial envolve a necessidade de um segundo procedimento cirúrgico para a obtenção do material, o que pode aumentar o tempo de recuperação e o desconforto do paciente.

Paciente mulher no dentista, ela está na cadeira odontológica e sorrindo.
Biomateriais naturais autógenos são obtidos do próprio paciente, oferecendo alta biocompatibilidade e menor risco de rejeição. (Reprodução/Freepik)

Homógenos

Os biomateriais homógenos, ou enxertos homógenos, são aqueles obtidos de doadores da mesma espécie, geralmente a partir de bancos de tecidos. Esses materiais passam por um rigoroso processo de preparação para eliminar qualquer risco de contaminação ou rejeição.

Na odontologia, os enxertos ósseos homógenos são usados para reconstrução e aumento de cristas alveolares, entre outras aplicações.

Embora não possuam a mesma capacidade osteogênica dos materiais autógenos, os enxertos homógenos oferecem uma boa alternativa, especialmente em casos onde o uso de enxertos autógenos não é viável.

Eles são mais facilmente disponíveis e evitam a necessidade de uma cirurgia adicional para obtenção do material.

em laboratório mexendo com biomateriais na odontologia
Biomateriais homógenos são obtidos de outros seres humanos e frequentemente usados em procedimentos odontológicos devido à sua compatibilidade com o organismo humano. (Reprodução/Freepik)

Heterógenos

Os biomateriais heterógenos, também conhecidos como xenógenos, são aqueles derivados de uma espécie diferente da do receptor, como osso bovino desproteinizado.

Esses materiais passam por um rigoroso processo de purificação para remover todos os componentes orgânicos e minimizar o risco de rejeição ou reações imunológicas adversas.

Os enxertos heterógenos são amplamente utilizados na odontologia devido à sua disponibilidade e à capacidade de fornecer uma matriz mineral que suporta a regeneração óssea.

Embora não possuam propriedades osteogênicas inerentes, sua estrutura porosa facilita a invasão celular e a deposição de novo tecido ósseo, promovendo a integração do enxerto ao osso circundante.

Duas dentistas no laboratório com manequim odontológico
Biomateriais heterógenos, provenientes de outras espécies, são utilizados em odontologia para regeneração óssea e substituição tecidual. (Reprodução/Shutterstock)

Tipos de Biomateriais Sintéticos

Os biomateriais sintéticos são materiais fabricados artificialmente para mimetizar as propriedades dos tecidos biológicos.

Eles podem ser feitos de vários materiais, como metais, polímeros e cerâmicas, e são projetados para utilização em diferentes aplicações odontológicas, a depender das necessidades clínicas.

Metálicos

Os biomateriais metálicos são amplamente utilizados em odontologia devido à sua resistência mecânica e durabilidade. Eles são usados principalmente em implantes dentários e em restaurações como coroas e pontes.

Os materiais mais comuns incluem titânio e ligas de titânio, que são altamente biocompatíveis e promovem a osseointegração, fundamental para a estabilidade dos implantes.

Uma das desvantagens dos materiais metálicos é o risco de corrosão e desgaste ao longo do tempo, especialmente em ambientes ácidos ou em pacientes com bruxismo. Ademais, a estética é um fator limitante, já que os metais não são visualmente compatíveis com o tecido dentário natural.

Biomaterial metálico (é uma pequena placa retangular de metal)
Biomateriais metálicos sintéticos são frequentemente usados em implantes devido à sua resistência e durabilidade. (Reprodução/Criteria)

Poliméricos

Os biomateriais poliméricos são materiais plásticos que podem ser projetados para serem rígidos ou flexíveis, dependendo da aplicação.

Na odontologia, eles são frequentemente usados em restaurações temporárias, resinas compostas para restaurações diretas e em membranas para regeneração tecidual guiada. Polímeros como o polietileno e o polimetilmetacrilato (PMMA) são comuns nessas aplicações.

A principal vantagem dos materiais poliméricos é a sua versatilidade e facilidade de manipulação. Eles podem ser moldados diretamente na cavidade bucal do paciente, oferecendo uma solução prática e eficiente para diversas situações clínicas. No entanto, apresentam menor resistência ao desgaste e à fratura em comparação aos biomateriais metálicos e cerâmicos.

Cerâmicos

Os biomateriais cerâmicos são conhecidos por sua alta biocompatibilidade e propriedades estéticas superiores. Eles costumam ser utilizados na odontologia para a fabricação de coroas, facetas, pontes e implantes dentários.

Esses materiais incluem a zircônia e a alumina, que oferecem uma combinação de resistência e estética, além de serem altamente resistentes à corrosão e ao desgaste.

Entre os biomateriais cerâmicos, destacam-se três tipos:

Hidroxiapatita

A hidroxiapatita é um fosfato de cálcio que possui uma composição química semelhante à do tecido ósseo. É utilizada como revestimento de implantes para melhorar a osseointegração ou como material de enxerto ósseo. Sua alta biocompatibilidade permite uma integração eficiente com o tecido ósseo natural.

Fosfato Tricálcico

O fosfato tricálcico é um material cerâmico reabsorvível que é utilizado em procedimentos de enxertia óssea. Ele oferece uma estrutura porosa que facilita a infiltração celular e a deposição de novo tecido ósseo.

Com o tempo, o fosfato tricálcico é gradualmente reabsorvido e substituído por osso novo, tornando-o uma excelente opção para aplicações de regeneração óssea.

Agregado de Trióxido Mineral

O agregado de trióxido mineral (MTA) é um biomaterial cerâmico utilizado principalmente em procedimentos endodônticos, como no tratamento de perfurações radiculares e selamento de canais radiculares. Ele possui alta biocompatibilidade e promove a formação de uma barreira biológica, impedindo a infiltração de bactérias e promovendo a cicatrização dos tecidos periapicais.

Implante de cerâmica
Biomateriais cerâmicos sintéticos oferecem alta biocompatibilidade e são aplicados em enxertos ósseos e revestimentos de implantes odontológicos.

Tipos de Biomateriais por Resposta/Efeito

Além de serem classificados pela sua composição, os biomateriais também podem ser categorizados com base na resposta biológica que provocam no organismo. Essa classificação ajuda a entender como o material irá interagir com os tecidos circundantes e quais serão os resultados esperados do tratamento.

Bioinertes

Os biomateriais bioinertes não interagem quimicamente com o tecido circundante, permanecendo estáveis e sem provocar reações adversas. São utilizados quando se deseja evitar qualquer tipo de resposta biológica, como em próteses dentárias e implantes metálicos.

Bioativos

Os biomateriais bioativos interagem com os tecidos biológicos, promovendo uma resposta que favorece a integração e a regeneração tecidual. Um exemplo comum são os vidros bioativos, que liberam íons que estimulam a formação de uma camada de hidroxiapatita na superfície do material, promovendo a ligação ao osso natural.

Examinando vidros bioativos
Biomateriais bioativos interagem com tecidos vivos, promovendo a regeneração e acelerando a cicatrização em procedimentos odontológicos.

Biocompatíveis

Os biomateriais biocompatíveis são aqueles que não provocam rejeição ou resposta inflamatória significativa quando implantados no organismo. Eles são essenciais para garantir a segurança e eficácia dos tratamentos odontológicos, como as resinas compostas utilizadas em restaurações.

Bioabsorvíveis

Os biomateriais bioabsorvíveis são gradualmente reabsorvidos pelo organismo ao longo do tempo, sendo substituídos por tecido natural. Eles são ideais para aplicações temporárias, como em membranas de regeneração tecidual guiada e alguns tipos de enxertos ósseos.

Diversas estruturas Bioabsorvíveis
Biomateriais bioabsorvíveis são projetados para se degradar e serem absorvidos pelo corpo ao longo do tempo, dispensando a necessidade de remoção.

Bioartificiais

Os biomateriais bioartificiais combinam componentes biológicos com materiais sintéticos para criar estruturas que mimetizam as propriedades dos tecidos naturais. Esses materiais são utilizados em aplicações avançadas, como a engenharia tecidual e a regeneração de tecidos complexos.

Biorreativos

Os biomateriais biorreativos são projetados para liberar substâncias ativas que modulam a resposta biológica do organismo. Um exemplo são os materiais que liberam íons de cálcio e fosfato para estimular a formação óssea em aplicações de regeneração óssea.

Imagem 3 de ligações nas células
Biomateriais biorreativos são projetados para reagir com os tecidos circundantes, proporcionando uma ligação mais eficaz e promovendo a osteointegração. (Reprodução/IStock)

Como você pôde observar neste artigo, os biomateriais na odontologia são imprenscíndiveis na era moderna, permitindo uma ampla gama de tratamentos e procedimentos que vão desde a regeneração óssea até a substituição de dentes perdidos.

Compreender as características e as indicações de cada tipo de biomaterial é fundamental para garantir o sucesso dos tratamentos e proporcionar resultados duradouros e seguros para os pacientes.

O que achou desse conteúdo sobre biomateriais na odontologia? Me conte nos comentários!

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Referências:

https://www.criteria.com.br/a-industria-de-biomateriais-nacional-focado-em-odontologia/

http://revodonto.bvsalud.org/

https://www.apcd.org.br/index.php/jornal-da-apcd/odontologia/biomateriais-na-odontologia-o-que-sao-e-como-utiliza-los-na-sua-rotina

https://aditek.com.br/blog/biomateriais-na-odontologia/

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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