11 mar 2025
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Quais os problemas de só respirar pela boca?       

Mulher loira dormindo de boca aberta. Ela usa blusa de alcinha branca e a roupa de cama também é branca.

Respirar é um ato natural, tão automático que muitas vezes passa despercebido. No entanto, quando essa função vital é realizada predominantemente pela boca, surgem diversas questões que merecem atenção, especialmente no contexto odontológico.

Embora a respiração nasal seja o padrão ideal, muitas pessoas, seja por questões anatômicas, comportamentais ou patológicas, acabam desenvolvendo o hábito de respirar pela boca.

Este artigo visa esclarecer os problemas associados a esse hábito, suas causas e implicações para a saúde bucal e sistêmica, além de apresentar soluções e tratamentos viáveis.

Os profissionais da odontologia são fundamentais na identificação e manejo de pacientes com respiração bucal, muitas vezes sendo os primeiros a notar os sinais clínicos.

Vamos explorar em detalhes o impacto desse hábito e como você, como profissional da área, pode contribuir para uma intervenção eficaz.

Homem de cabelo castanho ondulado e usando regata azul, está dormindo de boca aberta/roncando.
Respirar apenas pela boca pode causar desequilíbrios na musculatura facial, impactando o alinhamento dos dentes e favorecendo problemas ortodônticos.

Sumário

Quais as razões para que as pessoas respirem pela boca?

As causas da respiração bucal são variadas e frequentemente multifatoriais.

Entre as principais, podemos destacar:

  • Obstruções nasais: Problemas como desvio de septo, rinite alérgica crônica, sinusite ou hipertrofia das adenoides e amígdalas podem impedir o fluxo de ar adequado pelas vias nasais.
  • Hábitos comportamentais: Algumas pessoas desenvolvem o hábito de respirar pela boca mesmo sem uma obstrução nasal significativa.
  • Questões anatômicas: Alterações estruturais no maxilar ou na mandíbula podem influenciar a via respiratória, tornando a respiração nasal menos eficiente.
  • Condições médicas: Doenças como asma ou apneia do sono frequentemente resultam em respiração bucal como mecanismo compensatório.
  • Alergias: Muitos pacientes com histórico alérgico têm dificuldade em respirar pelo nariz devido ao inchaço da mucosa nasal.

Esses fatores não apenas interferem na respiração, mas também afetam diretamente a saúde bucal e o desenvolvimento craniofacial, especialmente em crianças.

Homem de dreads no cabelo e usando pijama de manga, está dormindo de boca aberta.
As razões para a respiração bucal podem incluir obstruções nas vias aéreas, como desvio de septo, rinite alérgica e aumento das amígdalas ou adenoides. (Reprodução/Adobe)

10 Principais consequências da respiração bucal

A respiração bucal pode desencadear uma série de complicações, desde alterações funcionais até estéticas.

A seguir, exploramos dez dessas consequências:

Alergias

Pessoas que respiram pela boca estão mais expostas a alérgenos e patógenos, já que o nariz, com seus pêlos e mucosa, não está filtrando o ar adequadamente.

Isso pode agravar condições alérgicas preexistentes e predispor a novas.

Problemas na mastigação

A respiração bucal está associada a um desequilíbrio muscular que pode afetar a mastigação, tornando-a menos eficiente.

Esse quadro também pode comprometer o alinhamento dentário.

Mulher loira está com dor na mandíbula, ela aperta a bochecha com as pontas dos dedos. O fundo da imagem é branco.
A respiração bucal pode dificultar a mastigação adequada, prejudicando a digestão e a saúde bucal. (Reprodução/Shutterstock)

Cansaço frequente

Pessoas que respiram pela boca frequentemente relatam fadiga.

Isso ocorre porque a respiração bucal é menos eficiente na oxigenação do corpo, prejudicando o desempenho cognitivo e físico.

Apinhamentos dentários

Em crianças, a respiração bucal pode alterar o desenvolvimento do maxilar, levando ao apinhamento dentário e a mordidas incorretas, como a mordida cruzada ou aberta.

Mulher está sorrindo e mostrando seus dentes que são apinhados.
A respiração bucal pode favorecer o apinhamento dentário, devido à postura inadequada da língua e ao desequilíbrio na arcada dentária. (Reprodução/IStock)

Ronco e apneia

Já durante o sono, a respiração bucal  está associada ao ronco e à apneia obstrutiva do sono.

Essa condição afeta a qualidade do sono e pode ter implicações graves para a saúde cardiovascular.

Mau hálito

A halitose é uma consequência indireta da respiração bucal, sendo ocasionada por outro sintoma: a boca seca.

A falta de saliva favorece a proliferação de bactérias, causando halitose.

Mulher usa blusa de frio lilás e está com expressão de nojo, tampando a boca. A parede de fundo é verde.
O mau hálito pode ocorrer em respiradores bucais devido à redução do fluxo salivar, que favorece o acúmulo de bactérias. (Reprodução/Freepik)

Boca seca

A saliva desempenha um papel essencial na proteção da saúde bucal.

A respiração bucal reduz sua produção, aumentando o risco de doenças periodontais.

Aumento das cáries

A falta de saliva compromete também a neutralização dos ácidos na cavidade oral, favorecendo o surgimento de cáries.

Seta apontando cárie em dente
A respiração bucal pode elevar a incidência de cáries, pois a falta de saliva compromete a proteção natural dos dentes.

Diminuição do olfato e do paladar

Pacientes com respiração bucal relatam uma menor sensibilidade ao olfato e ao paladar, o que pode impactar a qualidade de vida.

Dores nas costas

Adaptações posturais para facilitar a respiração bucal podem levar a dores na região cervical e lombar, criando um ciclo de desconforto.

Imagem em preto e branco de home sem camisa, mostra por meio de manchas vermelhas onde ele sente dor - pescoço e lombar - e ele apoia a mão nessas regiões
Dores nas costas podem surgir como consequência da postura inadequada que respiradores bucais costumam adotar. (Reprodução/Freepik)

Como parar de respirar pela boca?

Interromper o hábito de respiração bucal exige a identificação da causa subjacente e a intervenção de profissionais especializados.

Algumas abordagens são:

  1. Tratamento de obstruções nasais: Cirurgias, medicamentos ou terapias específicas para rinite e sinusite.
  1. Reeducação respiratória: Exercícios para fortalecer a musculatura orofacial e melhorar o padrão respiratório.
  1. Dispositivos ortodônticos: Aparelhos podem ser utilizados para corrigir problemas estruturais que contribuem para a respiração bucal.
  1. Mudanças de hábitos: Incentivar a respiração nasal em momentos de vigília e durante o sono.
Aparelho para apneia do sono cor verde-água em molde
Para parar de respirar pela boca, é essencial identificar a causa e seguir um tratamento multidisciplinar, que pode incluir fisioterapia, fonoaudiologia e intervenções odontológicas.

Quem faz o tratamento?

O tratamento da respiração bucal é multidisciplinar. Os principais profissionais envolvidos incluem:

  • Otorrinolaringologistas: Responsáveis por diagnosticar e tratar condições nas vias respiratórias superiores.
  • Ortodontistas: Avaliam e corrigem alterações dentárias e estruturais associadas.
  • Fonoaudiólogos: Trabalham na reeducação da função respiratória e na postura lingual.
  • Odontopediatras: Identificam precocemente alterações em crianças.
Odontopediatra usando jaleco ao lado de criança no dentista que está sorrindo e colocando luvas.
O tratamento da respiração bucal geralmente envolve dentistas, otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos, conforme a causa identificada. (Reprodução/Shutterstock)

Como é possível identificar a respiração pela boca?

A identificação da respiração bucal pode ser realizada por meio de uma avaliação clínica minuciosa e multidisciplinar, que frequentemente envolve odontologistas, otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos.

No âmbito odontológico, profissionais podem observar sinais específicos como boca seca persistente, o que compromete a função protetora da saliva, favorecendo o aparecimento de cáries múltiplas e de rápida progressão.

Alterações na oclusão e no alinhamento dentário, incluindo mordida aberta anterior e apinhamento, são indicadores que podem estar relacionados à respiração bucal, especialmente em pacientes pediátricos.

Também é comum detectar inflamações gengivais ou doenças periodontais devido à menor circulação de saliva e ao acúmulo de placa bacteriana.

Além disso, sinais de desgaste em dentes, como facetas de atrito em função do ronco ou apneia, podem apontar para este hábito prejudicial.

A avaliação deve considerar ainda o histórico de saúde do paciente e possíveis alterações posturais ou faciais que corroboram o diagnóstico.

Homem roncando enquanto dorme, tem desenho na imagem mostrando como a respiração dele está errada.
A respiração bucal pode ser identificada por sinais como lábios entreabertos, maior salivação noturna e alterações na fala ou na mastigação.

Por que as crianças respiram pela boca?

Crianças podem desenvolver o hábito de respirar pela boca devido a condições que comprometem a respiração nasal, resultando em adaptações funcionais inadequadas.

  • Entre os fatores mais comuns estão infecções respiratórias recorrentes, como resfriados frequentes ou sinusites, que bloqueiam as vias aéreas superiores.
  • O aumento das adenoides e das amígdalas é outro motivo recorrente, pois a hipertrofia dessas estruturas dificulta a passagem do ar pelo nariz.
  • Rinites alérgicas também desempenham um papel significativo, provocando obstruções temporárias ou crônicas. 
  • Adicionalmente, o uso prolongado de chupetas ou mamadeiras pode alterar a musculatura orofacial, dificultando a respiração nasal e incentivando o hábito de respirar pela boca.

A intervenção precoce, com diagnóstico preciso e tratamento adequado, é fundamental para prevenir consequências no desenvolvimento facial, na postura corporal e no desempenho cognitivo.

Menino dormindo de boca aberta;
Crianças respiram pela boca, muitas vezes, devido a amígdalas ou adenoides aumentadas, alergias ou hábitos orais inadequados. (Reprodução/IStock)

Respirar pela boca causa dentes tortos?

Sim, a respiração bucal está diretamente associada ao desenvolvimento de dentes tortos, especialmente durante a fase de crescimento das crianças.

Esse hábito altera a pressão natural exercida pela língua no céu da boca, o que pode impedir o desenvolvimento adequado do palato e resultar em uma maxila estreita.

Ademais, o desequilíbrio muscular causado pela respiração bucal influencia o posicionamento dos dentes e dos ossos faciais, contribuindo para o apinhamento e desalinhamento dentário.

Esse processo também pode impactar a oclusão, favorecendo problemas como mordida aberta ou cruzada, o que reforça a necessidade de um acompanhamento odontológico e ortodôntico desde cedo.

Homem sorrindo mostrando seus dentes apinhados/tortos.
Respirar pela boca pode contribuir para o desalinhamento dos dentes, devido ao desequilíbrio muscular na região orofacial. (Reprodução/IStock)

Crianças que respiram pela boca costumam apresentar feições específicas?

Sim, crianças que respiram predominantemente pela boca frequentemente desenvolvem características faciais distintas, conhecidas no meio odontológico e médico como “fácies adenoideanas”.

Essas crianças tendem a apresentar um rosto alongado, consequência do crescimento vertical exacerbado causado pela má posição da língua e o hábito de manter a boca aberta.

A maxila pode tornar-se estreita, comprometendo o alinhamento dos dentes e a estética facial.

Além disso, olheiras são comuns, devido à má oxigenação e à qualidade reduzida do sono, frequentemente prejudicado pela respiração bucal.

Lábios ressecados e mal posicionados também são sinais frequentes.

Esses padrões reforçam a importância de identificar e tratar precocemente a respiração bucal para evitar impactos duradouros no crescimento craniofacial.

Menina dormindo de boca aberta
Crianças que respiram pela boca frequentemente apresentam feições alongadas, lábios ressecados e postura facial alterada. (Reprodução/IStock)

Conclusão

A respiração bucal é um hábito que pode gerar sérias complicações para a saúde bucal e sistêmica, exigindo uma abordagem multidisciplinar para seu tratamento.

Profissionais da odontologia têm um papel fundamental na identificação precoce e no encaminhamento adequado dos pacientes.

Na EAP-Goiás, oferecemos cursos que integram conhecimento científico atualizado com práticas inovadoras, proporcionando uma formação que realmente transforma a sua atuação profissional.

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Referências:

https://www.hospitalinfantilsabara.org.br/respirar-pela-boca-e-habito-que-traz-maleficios-criancas

https://www.otoone.com.br/post/crianca-respiradora-bucal-otorrinolaringologista

https://www.oraldente.com.br/3-problemas-causados-pela-respiracao-bucal

https://www.oralped.com.br/a-respiracao-bucal-e-os-prejuizos-que-ela-causa

https://uniodontoprudente.com.br/respiracao-pela-boca-durante-o-sono-como-ela-pode-afetar-sua-saude-bucal/

https://myobracebrasil.com.br/respiracao-bucal/respiracao-pela-boca-ou-nariz-pode-influenciar-os-dentes

https://blog.odontoclinic.com.br/clinica-geral/respirar-pela-boca-pode-causar-dentes-tortos/

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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