24 nov 2025
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Mácula Melanótica: O que é essa hiperpigmentação?

Paciente está no consultório odontológico sozinha olhando o resultado em um espelho redondo que ela segura.

Se você é profissional da odontologia, provavelmente já se deparou com alguma lesão pigmentada na cavidade bucal de um paciente e se questionou sobre sua origem ou possível gravidade.

Dentre essas alterações, a mácula melanótica se destaca por ser uma lesão comum, discreta, mas que pode gerar dúvidas no diagnóstico diferencial, especialmente por seu aspecto semelhante a lesões mais graves.

Embora benigna, ela exige atenção e conhecimento específico para que se estabeleça a conduta correta.

Neste artigo, vamos explorar em profundidade a natureza da mácula melanótica, suas principais características clínicas, opções de tratamento e diferenças em relação a outras lesões pigmentadas da mucosa oral.

O objetivo é fornecer subsídios técnicos que ajudem o cirurgião-dentista a realizar um atendimento preciso e seguro.

Imagem da boca de uma pessoa com manchas, isto é, Mácula Melanótica.
A mácula melanótica deve ser diagnosticada preferencialmente por um estomatologista ou patologista bucal, especialistas capacitados para avaliar lesões pigmentadas da mucosa oral. (Reprodução/Baishideng Publishing Group)

O que é a Mácula Melanótica?

A mácula melanótica oral é uma lesão pigmentada benigna, resultante da produção aumentada de melanina por melanócitos ativos localizados na camada basal do epitélio escamoso da mucosa oral.

Diferente de processos proliferativos, essa lesão não decorre da multiplicação celular, mas sim de uma hiperpigmentação localizada, sem atipias citológicas.

Trata-se de uma manifestação clinicamente discreta e estável, que geralmente se apresenta como uma mancha única, plana, bem delimitada e de coloração variável entre o marrom-claro e o marrom-escuro, podendo atingir tons mais escuros dependendo da concentração de melanina.

O local mais comumente acometido é o lábio inferior, mas também pode surgir em outras regiões intraorais, como mucosa jugal, gengiva, palato duro, assoalho da boca e mucosa labial. Sua presença costuma ser assintomática e frequentemente é identificada de forma incidental durante exames de rotina, o que reforça a importância da atenção clínica detalhada do cirurgião-dentista.

Apesar de sua natureza benigna, o correto reconhecimento dessa condição é fundamental para a exclusão de lesões melanocíticas de maior risco, como o melanoma oral, evitando procedimentos desnecessários ou atrasos diagnósticos.

Dentista com luva está mostrando na boca de paciente criança uma mancha de mácula melanótica.
A mácula melanótica é uma lesão benigna, plana e pigmentada da cavidade oral, causada pelo aumento da produção de melanina sem proliferação celular anormal. (Reprodução/MDPI/Abati et al.)

Quais as características da mácula melanótica?

A mácula melanótica apresenta um padrão clínico bem definido, que permite ao cirurgião-dentista reconhecê-la com relativa facilidade durante o exame intraoral.

Trata-se de uma lesão estável, de comportamento benigno, cuja manifestação clínica não costuma gerar sintomas perceptíveis ao paciente.

Sua identificação correta é essencial para evitar confusões com outras alterações pigmentadas de maior gravidade.

As principais características clínicas incluem:

  • Cor: tonalidade que varia do marrom-claro ao marrom-escuro ou preto, de acordo com a concentração e distribuição de melanina;
  • Forma: tipicamente redonda ou ovalada, com margens bem delimitadas e regulares;
  • Tamanho: geralmente inferior a 1 cm de diâmetro, sem tendência a crescimento progressivo;
  • Superfície: lisa, sem elevação ou espessamento em relação à mucosa adjacente;
  • Sintomatologia: assintomática, não provoca dor, sangramento, prurido ou desconforto local;
  • Evolução: curso clínico lento e estável ao longo do tempo;
  • Frequência: mais comumente observada em adultos jovens, com discreta predominância no sexo feminino.

Esses aspectos, quando analisados em conjunto com a localização e história clínica do paciente, auxiliam significativamente no diagnóstico diferencial e na conduta apropriada.

Mesmo sendo uma lesão benigna, sua semelhança com pigmentações potencialmente malignas torna indispensável a atenção criteriosa do profissional.

Dentista com luva está mostrando na gengiva de paciente uma mancha de mácula melanótica.
Entre as características da mácula melanótica estão a coloração marrom a negra, contorno bem definido, ausência de dor e superfície plana, mantendo a textura normal da mucosa. (Reprodução/MDPI/Abati et al.)

Quando procurar um profissional?

Apesar de ser benigna, toda lesão pigmentada oral deve ser avaliada por um cirurgião-dentista.

Isso porque o exame clínico isolado pode não ser suficiente para descartar outras patologias de comportamento agressivo, como o melanoma oral.

O paciente deve ser encaminhado para investigação complementar nos seguintes cenários:

  • Crescimento progressivo da lesão;
  • Alteração de cor ou contorno;
  • Aparecimento de dor, sangramento ou ulceração local;
  • Presença de múltiplas lesões pigmentadas;
  • Localização atípica.

A análise histopatológica é a ferramenta definitiva para confirmação diagnóstica.

Boca de pessoa com manchas de mácula melanótica.
O paciente deve procurar um profissional quando notar pigmentação nova, mudança de cor ou aumento de tamanho, para descartar outras doenças mais graves. (Reprodução/Clinical Advisor)

Como é o tratamento da mácula?

Em muitos casos, não há necessidade de tratamento ativo, sendo suficiente o acompanhamento clínico.

Entretanto, em situações que indicam a necessidade de intervenção, o cirurgião-dentista pode considerar as seguintes abordagens:

Acompanhamento clínico

Indicado quando a lesão apresenta aspecto clínico típico, estável e assintomático.

O acompanhamento deve ser documentado por meio de fotografias e anotações regulares.

Dentista está analisando boca de paciente.
O principal tratamento é o acompanhamento periódico, já que a mácula melanótica geralmente não necessita de intervenção, apenas monitoramento clínico.

Excisão cirúrgica

É recomendada quando existe dúvida diagnóstica, crescimento anormal da lesão ou quando o paciente solicita remoção por motivos estéticos.

A amostra retirada deve ser encaminhada para análise histológica.

Crioterapia

Utiliza o frio extremo para destruir o tecido pigmentado. É uma opção pouco invasiva, com bons resultados estéticos, embora possa haver hipopigmentação residual.

Mancha de mácula melanótica foi coberta após crioterapia, está toda branca.
A crioterapia pode ser empregada em casos estéticos ou quando há dúvida diagnóstica, removendo a área pigmentada por meio de congelamento controlado. (Reprodução/Primer Odontocenter)

Laserterapia

Técnica que emprega laser de alta intensidade (como o de CO2 ou Nd:YAG) para remoção precisa e controlada da lesão.

Possui vantagens como menor sangramento, pós-operatório mais confortável e ótima aceitação estética.

Qual é a diferença de mácula e nódulo?

Enquanto a mácula se caracteriza por uma alteração de cor sem elevação ou alteração de volume, o nódulo é uma lesão sólida e elevada, geralmente com elevação superior a 5 mm, podendo ser assintomático ou doloroso, dependendo de sua origem.

Essa distinção é fundamental para o correto reconhecimento de lesões da mucosa oral e deve ser integrada ao raciocínio clínico durante o exame intraoral.

Imagem de Nódulo bucal
A mácula é uma alteração de cor sem elevação ou depressão, enquanto o nódulo é uma lesão sólida, elevada e palpável, que altera o relevo da mucosa. (Reprodução/Science Photo Library)

Quais outras Lesões Fundamentais da Mucosa Oral?

Compreender as lesões fundamentais é essencial para o diagnóstico preciso das alterações bucais.

A seguir, apresentamos as principais:

  • Mácula ou mancha: Alteração de cor localizada, sem relevo ou depressão.
  • Placa: Lesão superficial elevada, com maior área do que altura, geralmente com aspecto firme e rugoso.
  • Pápula: Elevação sólida, pequena (menos de 5 mm), delimitada, podendo ser de origem epitelial ou subepitelial.
  • Nódulo: Lesão sólida, de diâmetro superior ao da pápula e geralmente localizada em planos mais profundos do tecido conjuntivo.
  • Bolha: Lesão com conteúdo líquido seroso ou mucoide, com mais de 5 mm de diâmetro.
  • Erosão: Perda superficial do epitélio, sem exposição da lâmina própria.
  • Úlcera: Perda completa do epitélio com exposição da lâmina própria, geralmente acompanhada de dor.
  • Fissura: Lesão linear profunda, muitas vezes associada às comissuras labiais ou mucosa jugal.
  • Tumoral: Massa de crescimento anormal, podendo ser benigna ou maligna, necessitando investigação imediata.
  • Vesícula: Lesão com conteúdo líquido, menor que 5 mm, comum em lesões virais.
Diversos tipos de  Lesões Fundamentais da Mucosa Oral lado a lado.
Outras lesões fundamentais da mucosa oral incluem pápulas, placas, vesículas, bolhas, úlceras e nódulos, cada uma com características clínicas específicas. (Reprodução/Estácio)

Como diferenciar de outras pigmentações orais?

A diferença entre a mácula melanótica e outras pigmentações orais é feita através da anamnese detalhada, exame clínico e eventualmente, exames complementares.

Algumas entidades com as quais pode ser confundida incluem:

  • Nevos melanocíticos: apresentam estrutura celular própria e podem ser elevados;
  • Melanoma oral: lesão rara, mas agressiva, com contornos irregulares, crescimento rápido e mudanças de coloração;
  • Pigmentações medicamentosas: relacionadas ao uso de fármacos como minociclina ou antimaláricos;
  • Doenças sistêmicas: como síndrome de Peutz-Jeghers, Doença de Addison ou neurofibromatose.

A histopatologia ainda é o método mais confiável para a elucidação diagnóstica quando houver dúvida.

Manchas por todo céu da boca e língua do paciente por pigmentações medicamentosas;
A diferenciação de outras pigmentações orais é feita por meio de avaliação clínica, anamnese e, quando necessário, biópsia. Nessa imagem, as manchas são pigmentações medicamentosas. (Reprodução/Nascimento ADA, Porto DM, Vidal AKL)

A mácula melanótica é uma lesão benigna, mas que exige conhecimento clínico detalhado para que não haja confusão com patologias potencialmente malignas.

Por isso, é essencial que o cirurgião-dentista esteja apto a reconhecer suas características e indicar a conduta mais adequada, seja o acompanhamento ou a intervenção.

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Referências:

https://patologiabucal.com.br/portfolio-item/macula-melanotica/

https://www.codental.com.br/blog/macula-melanotica-tudo-que-voce-precisa-saber/

https://www.colgate.com/en-us/oral-health/adult-oral-care/what-is-a-melanotic-macule

https://skinsight.com/skin-conditions/oral-melanotic-macule/

https://blogodontologiapucminas.wordpress.com/2019/09/02/post_02/

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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