22 dez 2025
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Estomatite Infantil: Principais causas e tratamentos

Garotinha em consultório odontológico vendo seus dentes no espelho, com a dentista ao lado.

No atendimento odontopediátrico, é comum que os profissionais se deparem com crianças apresentando lesões dolorosas na mucosa bucal, acompanhadas de febre e dificuldade para se alimentar.

Esses quadros frequentemente estão relacionados à estomatite infantil, uma condição que exige diagnóstico preciso e conduta clínica adequada.

Mais do que um simples desconforto passageiro, a estomatite pode comprometer a saúde geral e o bem-estar da criança, interferindo em aspectos como nutrição, sono e até mesmo no comportamento.

Para o cirurgião-dentista, compreender os mecanismos fisiopatológicos, as causas e os tratamentos é essencial para oferecer uma abordagem terapêutica segura e eficaz.

Neste artigo, você confere uma análise técnica e aprofundada sobre a estomatite infantil, com foco nas suas principais causas, métodos diagnósticos e condutas terapêuticas baseadas em evidências clínicas.

Garotinha sentada em balcão da cozinha segurando um copo transparente, enquanto sua mãe enche com água.
A estomatite infantil pode ser tratada por odontopediatras e pediatras, que avaliam a origem das lesões e indicam o manejo adequado. (Reprodução/Freepik)

O que é estomatite infantil?

A estomatite infantil é um processo inflamatório que acomete a mucosa oral de crianças, podendo atingir gengiva, língua, lábios, palato e mucosa jugal.

Trata-se de uma condição multifatorial, associada a agentes infecciosos, traumas mecânicos, deficiências nutricionais ou reações imunológicas.

Em odontopediatria, é uma das afecções mais observadas na prática clínica, sendo caracterizada por lesões ulceradas, eritematosas e dolorosas, que causam desconforto e dificultam a alimentação.

A gravidade das manifestações varia conforme o agente etiológico, a idade e o estado imunológico do paciente.

Mostrando afta em boca de criança
A estomatite infantil é um processo inflamatório da mucosa bucal que pode causar dor, irritação e múltiplas ulceras, afetando a alimentação e o bem-estar da criança. (Reprodução/Freepik)

Sintomas de estomatite infantil

Os sintomas podem variar conforme o tipo de estomatite, mas de forma geral incluem:

  • Dor e ardência na mucosa bucal;
  • Lesões ulceradas ou vesiculares;
  • Gengiva edemaciada e hiperemiada;
  • Dificuldade para mastigar ou engolir;
  • Febre baixa a moderada;
  • Irritabilidade e inapetência;
  • Halitose e aumento da salivação.

Em casos mais severos, as lesões podem se disseminar por toda a cavidade oral e até pelo vermelhão labial, comprometendo significativamente o bem-estar da criança.

Garotinho com febre está deitado na cama coberto e a mãe colocou uma toalha na cabeça dele.
Os principais sintomas da estomatite infantil incluem aftas dolorosas, febre, dificuldade para mastigar, irritabilidade e aumento na salivação. (Reprodução/Freepik)

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da estomatite infantil é predominantemente clínico, baseado na anamnese detalhada e no exame físico minucioso.

O cirurgião-dentista deve investigar o histórico de febre, uso de medicamentos, episódios recorrentes de aftas, hábitos alimentares e presença de fatores irritantes locais.

Em casos de dúvida, exames complementares podem auxiliar:

  1. Cultura microbiológica: para identificar infecções bacterianas ou fúngicas;
  2. Exame citopatológico (Papanicolau bucal): útil para detectar infecções virais;
  3. Exames laboratoriais: para avaliar deficiências nutricionais ou distúrbios sistêmicos.

O diagnóstico diferencial deve incluir herpangina, doença mão-pé-boca, candidíase oral, aftas traumáticas e lesões herpéticas secundárias.

Fazendo cultura microbiológica em pote
O diagnóstico é feito por meio de exame clínico detalhado da mucosa oral, avaliação dos sintomas sistêmicos e histórico recente da criança. (Reprodução/Dreamstime)

Causas da estomatite pediátrica

A etiologia da estomatite infantil é ampla e envolve fatores infecciosos, nutricionais, mecânicos e imunológicos.

A seguir, conheça as principais causas.

Vírus herpes simplex

A estomatite herpética primária é causada pelo vírus herpes simplex tipo 1 (HSV-1).

É altamente contagiosa e ocorre geralmente entre 6 meses e 5 anos.

As lesões iniciam como vesículas pequenas que evoluem para úlceras dolorosas, acompanhadas de febre e adenopatia submandibular.

O vírus permanece em estado de latência nos gânglios nervosos e pode reativar-se em situações de estresse, febre ou imunossupressão, gerando quadros recorrentes.

Garotinho com herpes simplex na boca
A estomatite herpética primária é causada pelo vírus herpes simplex tipo 1, resultando em múltiplas lesões ulceradas e quadro febril intenso. (Reprodução/IStock)

Infecções fúngicas

A candidíase oral é a infecção fúngica mais comum em crianças, causada pelo fungo Candida albicans.

Manifesta-se com placas esbranquiçadas aderentes à mucosa, que ao serem removidas deixam áreas eritematosas.

É frequente em lactentes, crianças imunossuprimidas ou após o uso prolongado de antibióticos e corticoides.

Infecções bactérias

Bactérias patogênicas como Streptococcus e Staphylococcus aureus podem provocar inflamações locais e ulcerações dolorosas, especialmente em casos de higiene oral deficiente ou imunidade comprometida.

Nesses quadros, a infecção secundária pode agravar lesões preexistentes.

Garotinho com impetigo na boca
Infecções por bactérias também podem desencadear estomatite, especialmente quando há má higiene bucal ou imunidade reduzida.

Falta de higiene bucal

A ausência de cuidados adequados de higiene facilita a proliferação microbiana e aumenta a susceptibilidade a infecções.

Resíduos alimentares e biofilme acumulado na mucosa criam um ambiente propício para o desenvolvimento de agentes infecciosos, principalmente em crianças pequenas que ainda estão em fase de aprendizado de escovação.

Traumas na boca

Mordidas acidentais, uso inadequado de escovas, objetos colocados na boca e até próteses infantis mal adaptadas podem causar microtraumas que desencadeiam inflamação e ulceração local.

O trauma é um fator predisponente importante, especialmente em crianças com hábitos orais inadequados.

Garotinha puxa o lábio inferior mostrando afta
Traumas na boca, como mordidas acidentais, escovação inadequada ou atrito de aparelhos, podem provocar lesões ulceradas semelhantes à estomatite.

Reações alérgicas

Alguns alimentos, corantes, medicamentos ou produtos de higiene bucal podem provocar reações alérgicas locais, levando à inflamação e surgimento de lesões ulceradas.

O controle depende da identificação e remoção do agente irritante.

Estomatite aftosa recorrente (EAR)

A EAR é uma condição de etiologia multifatorial, caracterizada por aftas dolorosas que se repetem periodicamente.

Fatores imunológicos, genéticos, hormonais e emocionais estão entre os desencadeantes mais comuns.

As lesões podem ser únicas ou múltiplas, geralmente com bordas eritematosas e centro amarelado.

Garoto com afta recorrente.
A estomatite aftosa recorrentecaracteriza-se por episódios repetidos de aftas dolorosas na mucosa bucal, geralmente de causa multifatorial. (Reprodução/Scielo/Fraiha et al)

Deficiência nutricional

A carência de vitaminas do complexo B, ferro, zinco e ácido fólico pode reduzir a resistência da mucosa oral, tornando-a mais vulnerável a inflamações.

Crianças com dietas restritivas ou desequilibradas apresentam risco aumentado de desenvolver estomatite aftosa recorrente.

Como prevenir a estomatite?

A prevenção da estomatite infantil envolve uma combinação de medidas de higiene, nutrição e cuidado clínico:

  • Manter higiene bucal adequada desde a erupção do primeiro dente;
  • Estimular alimentação equilibrada, rica em vitaminas e minerais;
  • Evitar o compartilhamento de utensílios e escovas dentais;
  • Reduzir fatores de estresse e garantir boas noites de sono;
  • Orientar os pais sobre o uso racional de medicamentos e antibióticos;
  • Promover acompanhamento odontológico periódico, principalmente em crianças com episódios recorrentes.
Duas crianças - um menino e uma menina - estão no banheiro escovando os dentes sorrindo
A prevenção da estomatite inclui boa higiene bucal, alimentação equilibrada, hidratação adequada e evitar objetos ou hábitos que causem trauma oral. (Reprodução/IStock)

Como é feito o tratamento?

O tratamento deve ser individualizado, considerando o tipo e a causa da estomatite.

O foco é aliviar os sintomas, controlar a infecção e prevenir recidivas.

Analgésicos e antitérmicos

Indicados para controle da dor e febre, os analgésicos e antitérmicos de uso pediátrico, como o paracetamol e o ibuprofeno, podem ser utilizados conforme orientação profissional.

O uso indiscriminado deve ser evitado, e sempre respeitadas as doses recomendadas de acordo com o peso corporal.

Pomadas anestésicas

O uso de pomadas tópicas com anestésicos locais, como lidocaína ou benzocaína, ajuda a aliviar a dor durante a alimentação e a escovação.

Devem ser aplicadas em pequena quantidade e sob orientação odontológica, evitando risco de toxicidade.

Colocando pomada para estomatite infantil no dedo.
O tratamento com pomadas anestésicas pode ser utilizado para aliviar temporariamente a dor e melhorar o conforto da criança durante a alimentação. (Reprodução/IStock)

Antifúngicos e antivirais

Nos casos de candidíase, são indicados antifúngicos como nistatina ou miconazol.

Para estomatite herpética, antivirais como o aciclovir são eficazes na redução da duração e severidade das lesões, especialmente se administrados nas primeiras 72 horas após o início dos sintomas.

Alimentação adequada e hidratação

Durante o tratamento, é importante garantir hidratação constante e preferir alimentos frios e de consistência pastosa, que não irritem as mucosas.

Dessa forma, alimentos ácidos, condimentados ou muito quentes devem ser evitados.

Garotinha está em consultório de dentista tampando a boca com a mão enquanto olha de lado.
A alimentação adequada e a hidratação são essenciais para recuperação, priorizando alimentos macios, frios e não ácidos para evitar dor. (Reprodução/IStock)

Quando procurar um dentista?

A avaliação odontológica é fundamental sempre que houver lesões persistentes por mais de sete dias, dor intensa, febre alta ou sinais de infecção secundária.

O cirurgião-dentista tem papel central no diagnóstico precoce e no manejo clínico adequado, evitando complicações e garantindo conforto à criança.

Além disso, é importante orientar pais e cuidadores sobre o caráter não contagioso de algumas formas de estomatite, como a aftosa recorrente, e sobre o risco de transmissão viral em casos herpéticos.

Dentista está atendendo garotinha que sorri.
É indicado procurar um dentista quando as lesões persistem por mais de 7 dias, há febre alta, dificuldade para se alimentar ou suspeita de infecção. (Reprodução/Dreamstime)

Conclusão

A estomatite infantil é uma condição frequente na odontopediatria e exige do profissional atenção ao diagnóstico diferencial e domínio das condutas terapêuticas mais atuais.

Reconhecer os sinais precoces e orientar adequadamente os responsáveis são passos essenciais para um tratamento eficaz e humanizado.

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Referências:

https://tuasaudebucal.com.br/estomatite-infantil-o-que-e-causas-sintomas-tratamentos-e-prevencao

https://www.tuasaude.com/estomatite-infantil

https://mdbf.com.br/artigo/estomatite-infantil

https://www.odontologianews.com.br/blog/2025/09/09/estomatite-pediatrica-5/

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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