Imagine atender um paciente que se queixa de “queixo grande” ou de um desalinhamento facial que afeta tanto sua estética quanto a função mastigatória.
Situações assim são mais comuns do que se imagina na prática odontológica, e compreender a fundo o prognatismo mandibular é essencial para oferecer um tratamento eficaz e humanizado.
Este artigo propõe uma análise técnica e aprofundada sobre o crescimento excessivo da mandíbula, abordando suas causas, diagnóstico e principais alternativas terapêuticas.
Nosso objetivo é promover uma reflexão clínica entre os profissionais da odontologia, destacando como o diagnóstico precoce e a atuação interdisciplinar podem transformar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes.

O que é prognatismo?
O prognatismo mandibular é uma alteração esquelética caracterizada pela projeção anterior da mandíbula em relação à maxila, resultando em uma má oclusão de Classe III segundo a classificação de Angle.
Essa discrepância ântero-posterior pode variar em intensidade, indo desde casos leves — perceptíveis apenas em exames cefalométricos — até deformidades faciais severas que comprometem estética, função e autoestima.
O distúrbio pode ter origem genética, funcional ou adquirida e ocorre quando há um crescimento desproporcional do osso mandibular durante o desenvolvimento craniofacial.
Em alguns casos, a maxila pode apresentar deficiência de crescimento, agravando o desequilíbrio entre os terços médio e inferior da face.
Do ponto de vista clínico, o prognatismo está frequentemente associado à mordida cruzada anterior, perfil facial côncavo, e desarmonia entre os arcos dentários, exigindo um planejamento integrado que envolva ortodontia, ortopedia funcional dos maxilares e cirurgia bucomaxilofacial.

Principais sintomas do prognatismo
O prognatismo mandibular manifesta-se de forma multifatorial, impactando aspectos estéticos e funcionais.
Entre os sinais e sintomas mais observados estão:
- Mordida cruzada anterior ou topo a topo;
- Dificuldade mastigatória, com sobrecarga em músculos mastigatórios;
- Fala comprometida, especialmente na articulação de fonemas labiodentais;
- Dor ou desconforto na articulação temporomandibular (ATM);
- Alteração na proporção facial, com proeminência do mento e perfil côncavo;
- Respiração predominantemente oral;
- Dores de cabeça e tensão muscular facial;
- Impactos psicossociais decorrentes da desarmonia facial.
A observação clínica detalhada e o relato do paciente são essenciais para direcionar o diagnóstico e determinar o momento ideal para intervenção.

6 Causas do prognatismo
Anomalias no desenvolvimento craniofacial podem gerar assimetria entre maxila e mandíbula, levando ao avanço mandibular.
Essa má formação pode estar relacionada a distúrbios de crescimento ou traumas na infância que comprometem o desenvolvimento ósseo.
Má formação óssea
Anomalias no desenvolvimento craniofacial podem gerar assimetria entre maxila e mandíbula, levando ao avanço mandibular.
Essa má formação pode estar relacionada a distúrbios de crescimento ou traumas na infância que comprometem o desenvolvimento ósseo.

Hereditariedade
O componente genético tem forte influência.
Filhos de pais prognatas apresentam maior predisposição a desenvolver a discrepância mandibular, reforçando a importância da avaliação precoce em pacientes com histórico familiar.
Maus hábitos
Comportamentos como respiração bucal, sucção digital e postura inadequada da língua durante o repouso podem interferir no equilíbrio muscular e ósseo da face, favorecendo o desenvolvimento de alterações mandibulares.

Interposição lingual
O hábito persistente de posicionar a língua entre os dentes anteriores exerce pressão mecânica constante sobre os arcos dentários, podendo causar mordida aberta anterior e alterar o padrão de crescimento mandibular.
Bruxismo
O apertamento e ranger de dentes provocam estímulos mecânicos intensos sobre a mandíbula, o que pode contribuir para o aumento da atividade muscular e, a longo prazo, potencializar o avanço mandibular em pacientes predispostos.

Gigantismo
Distúrbios endócrinos como o gigantismo ou a acromegalia promovem o crescimento exagerado de tecidos ósseos e cartilaginosos, incluindo a mandíbula. Nesses casos, o prognatismo é um sinal clínico importante de alterações hormonais sistêmicas.
Quais as consequências do prognatismo?
O prognatismo mandibular não se limita a uma questão estética. Suas repercussões envolvem alterações funcionais complexas, como má oclusão severa, distúrbios na ATM e impacto negativo na eficiência mastigatória.
A discrepância esquelética também interfere na respiração e fonação, além de causar tensões musculares compensatórias que geram dor e desconforto.
Em casos avançados, o paciente pode apresentar problemas psicossociais, incluindo baixa autoestima e dificuldades de convívio social.
Do ponto de vista ortodôntico, o prognatismo dificulta o encaixe correto dos arcos dentários, exigindo intervenções mais complexas e, muitas vezes, cirúrgicas.

Como é feito o diagnóstico de prognatismo?
O diagnóstico do prognatismo requer análise clínica detalhada e exames complementares precisos.
O cirurgião-dentista deve avaliar o padrão facial, oclusão dentária e histórico de crescimento do paciente.
Os principais exames utilizados incluem:
- Radiografia cefalométrica lateral, para análise esquelética e dentária;
- Fotografias intra e extraorais, que auxiliam na avaliação estética;
- Modelos de estudo e escaneamento intraoral, fundamentais para planejamento digital;
- Análise facial em 3D, quando disponível, permitindo simulação prévia de resultados.
A avaliação cefalométrica é essencial para determinar a relação maxilomandibular, identificar o tipo de má oclusão e definir o protocolo terapêutico mais adequado.

Quais os tratamentos para prognatismo?
O tratamento do prognatismo varia conforme a idade do paciente, o grau de severidade e a etiologia do caso.
O objetivo é restabelecer a harmonia facial e a função oclusal, por meio de abordagens ortodônticas, ortopédicas e cirúrgicas.
Aparelhos Ortodônticos
Nos casos leves ou moderados, especialmente em pacientes jovens, o tratamento ortodôntico busca corrigir o alinhamento dentário e compensar a discrepância esquelética.
A ortodontia corretiva pode ser associada à ortopedia funcional para redirecionar o crescimento mandibular, controlando a relação maxilomandibular.
Nos adultos, a ortodontia tem papel preparatório para a cirurgia ortognática, sendo utilizada para o alinhamento e nivelamento dental antes da intervenção cirúrgica.
Cirurgia ortognática
Nos casos severos, a cirurgia ortognática representa a abordagem definitiva.
O procedimento visa reposicionar cirurgicamente os ossos maxilares para restabelecer o equilíbrio facial e funcional.
O planejamento cirúrgico envolve:
- Tomografia computadorizada 3D e análise cefalométrica digital;
- Planejamento virtual com cirurgia guiada;
- Avaliação conjunta entre cirurgião bucomaxilofacial e ortodontista.
O pós-operatório requer acompanhamento multidisciplinar e pode incluir fisioterapia facial, fonoaudiologia e controle ortodôntico para manutenção dos resultados.

Tratamento ortopédico
A ortopedia funcional dos maxilares é indicada principalmente em pacientes em fase de crescimento.
O uso de aparelhos como Bionator, Frankel III e Pistas Diretas Planas permite a modificação do padrão de crescimento facial, limitando o avanço mandibular e estimulando o desenvolvimento maxilar.
Sendo que a efetividade do tratamento ortopédico está diretamente ligada ao diagnóstico precoce e à adesão do paciente às orientações clínicas.
Diferença de prognatismo e problema de oclusão
Embora frequentemente associados, o prognatismo e os problemas de oclusão não são sinônimos.
O prognatismo refere-se a uma alteração esquelética, caracterizada pelo avanço da mandíbula em relação à maxila.
Já os problemas de oclusão envolvem desalinhamentos dentários que podem ou não ter origem óssea.
Em outras palavras, todo prognatismo causa má oclusão, mas nem toda má oclusão é decorrente de um prognatismo.
Essa diferenciação é essencial para definir a abordagem terapêutica correta, evitando tratamentos compensatórios que não resolvem a causa estrutural da deformidade.

Conclusão
O prognatismo mandibular é uma condição que exige conhecimento técnico, diagnóstico preciso e atuação integrada entre especialidades.
Reconhecer os sinais precocemente pode evitar intervenções cirúrgicas complexas e proporcionar resultados funcionais e estéticos mais previsíveis.
Após compreender a complexidade do prognatismo, é natural refletir sobre a importância da formação continuada, pois o cirurgião-dentista, investir em aperfeiçoamento e especialização é o caminho para ampliar competências clínicas e dominar técnicas modernas de diagnóstico e tratamento.
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Referências:
https://www.crieodontologia.com.br/queixo-muito-grande-o-que-e-possivel-fazer
https://vidasaudavel.einstein.br/prognatismo-5-duvidas-frequentes-sobre-o-crescimento-da-mandibula
https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/22872-prognathism
https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/prognatismo
*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.