04 dez 2025
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Prognatismo: O que é esse crescimento da mandíbula?

Lupa apontada para queixo de mulher.

Imagine atender um paciente que se queixa de “queixo grande” ou de um desalinhamento facial que afeta tanto sua estética quanto a função mastigatória.

Situações assim são mais comuns do que se imagina na prática odontológica, e compreender a fundo o prognatismo mandibular é essencial para oferecer um tratamento eficaz e humanizado.

Este artigo propõe uma análise técnica e aprofundada sobre o crescimento excessivo da mandíbula, abordando suas causas, diagnóstico e principais alternativas terapêuticas.

Nosso objetivo é promover uma reflexão clínica entre os profissionais da odontologia, destacando como o diagnóstico precoce e a atuação interdisciplinar podem transformar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes.     

Homem está em frente a prédio vestindo roupa formal (terno, camisa e gravata), ele tem um queixo para frente, o que é chamado de prognatismo.
“O prognatismo deve ser avaliado principalmente pelo ortodontista, podendo exigir acompanhamento conjunto com o cirurgião bucomaxilofacial. (Reprodução/IStock)

O que é prognatismo?

O prognatismo mandibular é uma alteração esquelética caracterizada pela projeção anterior da mandíbula em relação à maxila, resultando em uma má oclusão de Classe III segundo a classificação de Angle.

Essa discrepância ântero-posterior pode variar em intensidade, indo desde casos leves — perceptíveis apenas em exames cefalométricos — até deformidades faciais severas que comprometem estética, função e autoestima.

O distúrbio pode ter origem genética, funcional ou adquirida e ocorre quando há um crescimento desproporcional do osso mandibular durante o desenvolvimento craniofacial.

Em alguns casos, a maxila pode apresentar deficiência de crescimento, agravando o desequilíbrio entre os terços médio e inferior da face.

Do ponto de vista clínico, o prognatismo está frequentemente associado à mordida cruzada anterior, perfil facial côncavo, e desarmonia entre os arcos dentários, exigindo um planejamento integrado que envolva ortodontia, ortopedia funcional dos maxilares e cirurgia bucomaxilofacial.

Gif mostra antes e depois de cirurgia bucomaxilo para tratar prognatismo.
O prognatismo é uma alteração esquelética caracterizada pelo avanço excessivo da mandíbula ou maxila, causando desarmonia facial e desequilíbrio oclusal. (Reprodução/Instituto Maxilofacial)

Principais sintomas do prognatismo

O prognatismo mandibular manifesta-se de forma multifatorial, impactando aspectos estéticos e funcionais.

Entre os sinais e sintomas mais observados estão:

  • Mordida cruzada anterior ou topo a topo;
  • Dificuldade mastigatória, com sobrecarga em músculos mastigatórios;
  • Fala comprometida, especialmente na articulação de fonemas labiodentais;
  • Dor ou desconforto na articulação temporomandibular (ATM);
  • Alteração na proporção facial, com proeminência do mento e perfil côncavo;
  • Respiração predominantemente oral;
  • Dores de cabeça e tensão muscular facial;
  • Impactos psicossociais decorrentes da desarmonia facial.

A observação clínica detalhada e o relato do paciente são essenciais para direcionar o diagnóstico e determinar o momento ideal para intervenção.

Dentista avaliando mandíbula de paciente.
Os principais sintomas do prognatismo incluem dificuldade mastigatória, desalinhamento dental, alterações na fala e impacto funcional na articulação temporomandibular. (Reprodução/Freepik)

6 Causas do prognatismo

Anomalias no desenvolvimento craniofacial podem gerar assimetria entre maxila e mandíbula, levando ao avanço mandibular.

Essa má formação pode estar relacionada a distúrbios de crescimento ou traumas na infância que comprometem o desenvolvimento ósseo.

Má formação óssea

Anomalias no desenvolvimento craniofacial podem gerar assimetria entre maxila e mandíbula, levando ao avanço mandibular.

Essa má formação pode estar relacionada a distúrbios de crescimento ou traumas na infância que comprometem o desenvolvimento ósseo.

Antes e depois de homem vietnamita com prognatismo que passou por cirurgia e corrigiu.
A má formação óssea é uma das principais causas do prognatismo, podendo ser resultado de fatores genéticos ou distúrbios no crescimento craniofacial. (Reprodução/Viet My)

Hereditariedade

O componente genético tem forte influência.

Filhos de pais prognatas apresentam maior predisposição a desenvolver a discrepância mandibular, reforçando a importância da avaliação precoce em pacientes com histórico familiar.

Maus hábitos

Comportamentos como respiração bucal, sucção digital e postura inadequada da língua durante o repouso podem interferir no equilíbrio muscular e ósseo da face, favorecendo o desenvolvimento de alterações mandibulares.

Menino criança chupando o dedo após comer.
Maus hábitos orais, como sucção digital prolongada ou interposição lingual, podem contribuir para o desenvolvimento e agravamento do prognatismo.(Reprodução/Freepik)

Interposição lingual

O hábito persistente de posicionar a língua entre os dentes anteriores exerce pressão mecânica constante sobre os arcos dentários, podendo causar mordida aberta anterior e alterar o padrão de crescimento mandibular.

Bruxismo

O apertamento e ranger de dentes provocam estímulos mecânicos intensos sobre a mandíbula, o que pode contribuir para o aumento da atividade muscular e, a longo prazo, potencializar o avanço mandibular em pacientes predispostos.

Homem rangendo os dentes demonstrando bruxismo.
O bruxismo, ao alterar forças oclusais e musculares, pode acentuar alterações já existentes em pacientes com prognatismo. (Reprodução/IStock)

Gigantismo

Distúrbios endócrinos como o gigantismo ou a acromegalia promovem o crescimento exagerado de tecidos ósseos e cartilaginosos, incluindo a mandíbula. Nesses casos, o prognatismo é um sinal clínico importante de alterações hormonais sistêmicas.

Quais as consequências do prognatismo?

O prognatismo mandibular não se limita a uma questão estética. Suas repercussões envolvem alterações funcionais complexas, como má oclusão severa, distúrbios na ATM e impacto negativo na eficiência mastigatória.

A discrepância esquelética também interfere na respiração e fonação, além de causar tensões musculares compensatórias que geram dor e desconforto.

Em casos avançados, o paciente pode apresentar problemas psicossociais, incluindo baixa autoestima e dificuldades de convívio social.

Do ponto de vista ortodôntico, o prognatismo dificulta o encaixe correto dos arcos dentários, exigindo intervenções mais complexas e, muitas vezes, cirúrgicas.

Antes e depois de mulher vietnamita com prognatismo que passou por cirurgia e corrigiu.
As consequências do prognatismo incluem prejuízo estético, dificuldades funcionais, desgaste dental e comprometimento da saúde bucal a longo prazo. (Reprodução/Viet My)

Como é feito o diagnóstico de prognatismo?

O diagnóstico do prognatismo requer análise clínica detalhada e exames complementares precisos.

O cirurgião-dentista deve avaliar o padrão facial, oclusão dentária e histórico de crescimento do paciente.

Os principais exames utilizados incluem:

  1. Radiografia cefalométrica lateral, para análise esquelética e dentária;
  1. Fotografias intra e extraorais, que auxiliam na avaliação estética;
  1. Modelos de estudo e escaneamento intraoral, fundamentais para planejamento digital;
  1. Análise facial em 3D, quando disponível, permitindo simulação prévia de resultados.

A avaliação cefalométrica é essencial para determinar a relação maxilomandibular, identificar o tipo de má oclusão e definir o protocolo terapêutico mais adequado.

Imagem focada em boca de mulher que usa aparelho enquanto tem prognatismo.
“O diagnóstico do prognatismo é realizado por meio de exame clínico, análise cefalométrica, estudo da mordida e avaliação tridimensional das estruturas faciais. (Reprodução/Freepik)

Quais os tratamentos para prognatismo?

O tratamento do prognatismo varia conforme a idade do paciente, o grau de severidade e a etiologia do caso.

O objetivo é restabelecer a harmonia facial e a função oclusal, por meio de abordagens ortodônticas, ortopédicas e cirúrgicas.

Aparelhos Ortodônticos

Nos casos leves ou moderados, especialmente em pacientes jovens, o tratamento ortodôntico busca corrigir o alinhamento dentário e compensar a discrepância esquelética.

A ortodontia corretiva pode ser associada à ortopedia funcional para redirecionar o crescimento mandibular, controlando a relação maxilomandibular.

Nos adultos, a ortodontia tem papel preparatório para a cirurgia ortognática, sendo utilizada para o alinhamento e nivelamento dental antes da intervenção cirúrgica.

Cirurgia ortognática

Nos casos severos, a cirurgia ortognática representa a abordagem definitiva.

O procedimento visa reposicionar cirurgicamente os ossos maxilares para restabelecer o equilíbrio facial e funcional.

O planejamento cirúrgico envolve:

  • Tomografia computadorizada 3D e análise cefalométrica digital;
  • Planejamento virtual com cirurgia guiada;
  • Avaliação conjunta entre cirurgião bucomaxilofacial e ortodontista.

O pós-operatório requer acompanhamento multidisciplinar e pode incluir fisioterapia facial, fonoaudiologia e controle ortodôntico para manutenção dos resultados.

Desenho mostra como ficam os ossos com cirurgia para corrigir prognatismo.
A cirurgia ortognática é indicada para casos moderados a graves de prognatismo, reposicionando os ossos maxilomandibulares e restabelecendo equilíbrio estético e funcional. (Reprodução/IStock)

Tratamento ortopédico

A ortopedia funcional dos maxilares é indicada principalmente em pacientes em fase de crescimento.

O uso de aparelhos como Bionator, Frankel III e Pistas Diretas Planas permite a modificação do padrão de crescimento facial, limitando o avanço mandibular e estimulando o desenvolvimento maxilar.

Sendo que a efetividade do tratamento ortopédico está diretamente ligada ao diagnóstico precoce e à adesão do paciente às orientações clínicas.

Diferença de prognatismo e problema de oclusão

Embora frequentemente associados, o prognatismo e os problemas de oclusão não são sinônimos.

O prognatismo refere-se a uma alteração esquelética, caracterizada pelo avanço da mandíbula em relação à maxila.

Já os problemas de oclusão envolvem desalinhamentos dentários que podem ou não ter origem óssea.

Em outras palavras, todo prognatismo causa má oclusão, mas nem toda má oclusão é decorrente de um prognatismo.

Essa diferenciação é essencial para definir a abordagem terapêutica correta, evitando tratamentos compensatórios que não resolvem a causa estrutural da deformidade.

Desenho mostra como é o rosto e o crânio de mulher com prognatismo, ao lado tem um zoom mostrando como fica a mordida.
O prognatismo é uma alteração esquelética, enquanto um problema de oclusão pode ter origem apenas dental; nem toda má oclusão envolve prognatismo, mas ele frequentemente gera desvios oclusais.

Conclusão

O prognatismo mandibular é uma condição que exige conhecimento técnico, diagnóstico preciso e atuação integrada entre especialidades.

Reconhecer os sinais precocemente pode evitar intervenções cirúrgicas complexas e proporcionar resultados funcionais e estéticos mais previsíveis.

Após compreender a complexidade do prognatismo, é natural refletir sobre a importância da formação continuada, pois o cirurgião-dentista, investir em aperfeiçoamento e especialização é o caminho para ampliar competências clínicas e dominar técnicas modernas de diagnóstico e tratamento.

A EAP-Goiás, fundada há mais de 40 anos pelo Dr. Urano Gonçalves Pontes, é referência no ensino odontológico e oferece cursos voltados à atualização científica e ao desenvolvimento técnico dos profissionais.

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Referências:

https://www.crieodontologia.com.br/queixo-muito-grande-o-que-e-possivel-fazer

https://vidasaudavel.einstein.br/prognatismo-5-duvidas-frequentes-sobre-o-crescimento-da-mandibula

https://www.colgate.com/en-us/oral-health/developmental-disabilities/treating-prognathism-ways-to-correct-abnormal-jaw-alignment

https://my.clevelandclinic.org/health/diseases/22872-prognathism

https://www.institutomaxilofacial.com/en/tratamiento/orthognathic-surgery-mandibular-prognathism-or-class-3

https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/prognatismo

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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