21 jan 2026
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Você sabe o que é Abfração Dental?

seta apontando para abfrações dentais

Você já se deparou com pacientes que apresentam pequenas lesões em forma de cunha na região cervical dos dentes, mesmo sem histórico de cárie ou trauma evidente?

Esse cenário é mais comum do que parece e representa um desafio diagnóstico e terapêutico na clínica odontológica.

Estamos falando da abfração dental, uma condição multifatorial que vem despertando o interesse de pesquisadores e clínicos pela sua complexidade etiológica e pelo impacto que pode gerar na saúde bucal e na qualidade de vida do paciente.

A compreensão da abfração vai além da simples identificação da perda de estrutura dentária.

Trata-se de entender como fatores biomecânicos, hábitos parafuncionais e condições oclusais interagem e contribuem para a formação dessas lesões não cariosas cervicais (LNCCs).

Por isso, discutir esse tema de forma aprofundada é fundamental para que o cirurgião-dentista esteja apto a diagnosticar precocemente, intervir adequadamente e orientar medidas preventivas eficazes.

Ao longo deste artigo, exploraremos os principais aspectos relacionados à abfração dental: definição, sinais clínicos, complicações, causas, formas de tratamento e estratégias de prevenção.  

Dentes com abfração dental
Compreender a abfração dental é essencial para o dentista realizar diagnóstico correto das lesões cervicais não cariosas e indicar o tratamento mais adequado. (Reprodução/IStock)

O que é abfração dental?

A abfração dental é classificada como uma lesão não cariosa cervical (LNCC), caracterizada pela perda de estrutura dentária na região da junção amelo-cementária.

As LNCCs correspondem a um grupo de alterações que incluem também abrasão e erosão, todas com o denominador comum de promover desgaste cervical sem a presença de cárie.

O que diferencia a abfração das demais é o seu mecanismo biomecânico: a flexão dentária decorrente de forças oclusais excêntricas.

Sua morfologia típica é a de uma cavidade em formato de cunha ou “V” invertido, localizada no terço cervical da coroa.

Durante hábitos como o bruxismo ou em casos de má oclusão, ocorre a concentração de tensões nessa região, levando a microfraturas do esmalte e da dentina.

Com o tempo, essas microfraturas evoluem para perdas progressivas de estrutura, mesmo na ausência de agentes químicos ou abrasivos diretos.

Embora a etiologia principal esteja relacionada a fatores oclusais, a literatura científica aponta para uma interação multifatorial, em que hábitos parafuncionais, dieta ácida e técnicas inadequadas de higiene oral podem atuar como fatores agravantes.[

Está circulado o dente com abfração dental
A abfração dental é uma lesão não cariosa caracterizada pela perda de estrutura dentária na região cervical, causada principalmente por tensões biomecânicas. (Reprodução/Smiles by Bergen Dental)

Quais são os sinais da abfração?

O diagnóstico clínico da abfração requer atenção minuciosa, já que muitas vezes essas lesões são confundidas com abrasão ou erosão.

Os sinais mais característicos incluem:

  • Lesões cervicais em formato de cunha, geralmente bem delimitadas;
  • Presença de bordas afiadas na região afetada;
  • Hipersensibilidade dentinária, principalmente a estímulos térmicos e táteis;
  • Comprometimento estético em dentes anteriores, devido à exposição cervical;
  • Eventual pigmentação da lesão por acúmulo de biofilme e corantes alimentares.

A associação de anamnese detalhada e exame clínico cuidadoso é indispensável para diferenciar a abfração de outras LNCCs.

Dente iniciando uma abfração dentária
Os sinais da abfração incluem lesões em forma de cunha, sensibilidade dentinária e desgaste localizado próximo à margem gengival. (Reprodução/Lavin Dental Clinic)

Quais complicações a abfração pode causar?

Se não diagnosticada e tratada precocemente, a abfração pode evoluir para problemas mais complexos, como:

  • Aumento da hipersensibilidade dentinária, dificultando a mastigação;
  • Perda estética, principalmente em dentes anteriores;
  • Maior suscetibilidade a cáries secundárias, já que a dentina exposta é menos resistente à desmineralização;
  • Risco de fratura coronária, em casos de lesões profundas associadas a forças oclusais intensas;
  • Comprometimento periodontal, pela maior retenção de biofilme e inflamação gengival adjacente.

Essas complicações reforçam a importância do acompanhamento clínico contínuo e de estratégias preventivas.

Dentista está realizando tratamento em paciente. A paciente está com um afastador bucal.
A abfração pode causar aumento da sensibilidade, comprometimento estético, risco de fraturas dentárias e progressão da perda estrutural. (Reprodução/Freepik)

Principais causas da abfração dental

Diversos fatores podem atuar de forma isolada ou associada na gênese das lesões de abfração.

Entre eles, destacam-se:

Bruxismo

O bruxismo é um dos principais fatores relacionados à abfração.

Durante o apertamento ou ranger dos dentes, ocorre sobrecarga oclusal que gera microflexões no colo dentário, favorecendo o surgimento das lesões.

Roer unhas e canetas

Hábitos parafuncionais, como roer unhas, tampas de canetas ou objetos duros, aumentam a carga mecânica sobre os dentes e podem intensificar a flexão cervical.

Má escovação

O uso excessivo de força durante a escovação, aliado a escovas de cerdas duras, não é a causa primária da abfração, mas pode acelerar a perda estrutural já iniciada pela flexão dentária.

Homem segura escova de dente com pasta dental.
A má escovação, especialmente com força excessiva e técnicas inadequadas, pode agravar as lesões de abfração já existentes. (Reprodução/Freepik)

Má oclusão

Desajustes oclusais contribuem para a distribuição desigual de forças mastigatórias, aumentando a concentração de tensões na região cervical.

Mastigação Unilateral

O hábito de mastigar preferencialmente de um lado gera sobrecarga localizada, aumentando o risco de desenvolvimento das lesões na hemiarcada mais utilizada.

Inflamação gengival

A presença de inflamação gengival pode potencializar a progressão da abfração pela alteração do suporte periodontal e aumento da retenção de biofilme.

Próteses ou restaurações mal ajustadas

Restauradores e próteses que alteram a dinâmica oclusal podem redirecionar forças mastigatórias, predispondo o paciente ao desenvolvimento de lesões cervicais não cariosas.

Senhora está com dor no dente, apoia a mão na face.
Próteses ou restaurações mal ajustadas podem alterar a distribuição das forças oclusais, contribuindo para o desenvolvimento da abfração dental. (Reprodução/Freepik)

Tratamento para abfração dental

O tratamento da abfração deve ser individualizado e considerar a gravidade da lesão, os sintomas e os fatores etiológicos envolvidos.

Entre as principais condutas estão:

  1. Ajuste oclusal para redistribuição de forças mastigatórias – pequenas correções na superfície oclusal podem reduzir áreas de sobrecarga, equilibrando a distribuição das forças durante a mastigação e diminuindo o risco de novas microfraturas cervicais.
  2. Uso de placas interoclusais em pacientes com bruxismo – as placas miorrelaxantes promovem proteção contra o desgaste dentário, reduzem a intensidade das forças oclusais e auxiliam no controle da dor muscular e da tensão articular.
  3. Restaurações estéticas com resina composta ou ionômero de vidro, quando a lesão compromete estética ou causa hipersensibilidade – essas opções restauradoras reconstituem a anatomia perdida, proporcionam alívio imediato da sensibilidade e melhoram a estética do sorriso, especialmente em dentes anteriores.
  4. Controle de hábitos parafuncionais, com orientação ao paciente – a conscientização é parte fundamental do tratamento, já que hábitos como roer unhas ou morder objetos podem agravar o quadro clínico e comprometer os resultados obtidos.
  5. Tratamento periodontal associado, quando há inflamação gengival – a integração com a periodontia garante melhor controle do biofilme, reduz inflamações locais e contribui para a longevidade das restaurações.

O objetivo não é apenas restaurar a estrutura perdida, mas também interromper a progressão da lesão e prevenir recorrências, atuando diretamente sobre a causa subjacente.

Dessa forma, a abordagem terapêutica combina a resolução dos sinais clínicos com o manejo dos fatores biomecânicos e comportamentais que originam a abfração.

Fazendo restauração em dente com abfração.
O tratamento da abfração dental envolve ajuste oclusal, controle de hábitos parafuncionais e, quando indicado, restaurações adesivas para proteção da dentina. (Reprodução/Youtube de Mylene e Renato)

Como prevenir a abfração dentária?

A prevenção é sempre a estratégia mais eficaz, especialmente em pacientes com risco aumentado.

Algumas medidas importantes incluem:

Escovar corretamente

Orientar o paciente a utilizar técnicas de escovação adequadas, evitando pressão excessiva e escolhendo escovas com cerdas macias.

Consumir menos alimentos ácidos

A ingestão frequente de alimentos e bebidas ácidas pode fragilizar o esmalte e favorecer a evolução da abfração.

Evitar hábitos prejudiciais

Desestimular práticas como roer unhas, morder objetos e mascar chicletes por longos períodos.

Mastigar de forma equilibrada

Estimular a mastigação bilateral contribui para a distribuição uniforme das forças mastigatórias.

Fazer visitas regulares ao dentista

Consultas periódicas possibilitam a detecção precoce de lesões iniciais e a intervenção antes que haja progressão significativa.

A prevenção da abfração dentária inclui orientação de higiene bucal adequada, correção oclusal e acompanhamento periódico com o cirurgião-dentista. (Reprodução/Freepik)

Qual a diferença entre abfração e abrasão?

Apesar de apresentarem manifestações clínicas semelhantes, abfração e abrasão possuem origens distintas que precisam ser cuidadosamente diferenciadas na prática clínica.

A abfração está relacionada à perda de estrutura dentária cervical provocada por forças oclusais excêntricas, que geram flexões repetidas no dente e resultam em cavidades em formato de cunha, bem definidas e localizadas próximas à junção amelo-cementária.

Já a abrasão é consequência do atrito mecânico direto, frequentemente associado a técnicas inadequadas de escovação, ao uso de escovas de cerdas duras ou de dentifrícios altamente abrasivos, o que produz superfícies mais arredondadas e polidas.

Reconhecer essas diferenças é indispensável para definir a conduta terapêutica correta, pois cada condição exige estratégias específicas de manejo clínico.

Em muitos casos, ambas podem coexistir em um mesmo paciente, o que reforça a importância de uma abordagem integrada, contemplando desde o ajuste oclusal até a orientação de higiene bucal e a escolha criteriosa de materiais restauradores.

A abfração está relacionada a tensões biomecânicas, enquanto a abrasão resulta do desgaste mecânico causado por agentes externos, como escovação inadequada. (Reprodução/HM Clínica Multiprofissional Higino Muniz)

Conclusão

A abfração dental é uma condição clínica que merece atenção especial dos profissionais da odontologia.

Sua identificação precoce, o manejo dos fatores causais e a adoção de estratégias preventivas são fundamentais para preservar a saúde bucal do paciente e evitar complicações futuras.

Na prática clínica, compreender os mecanismos envolvidos na abfração possibilita um diagnóstico mais preciso e uma conduta terapêutica eficaz, fortalecendo a relação profissional-paciente e garantindo melhores resultados.

Nesse contexto, a área da Dentística tem papel fundamental, já que abrange o diagnóstico e o tratamento restaurador das lesões cervicais não cariosas, como a abfração.

A especialização em Dentística, oferecida pela EAP-Goiás, proporciona ao cirurgião-dentista aprofundamento científico e prático, capacitando-o para planejar e executar tratamentos restauradores estéticos e funcionais de forma baseada em evidências.

O curso de Especialização em Dentística prepara o profissional para atuar com segurança e excelência em procedimentos estéticos e restauradores, incluindo o manejo de casos de abfração.

Essa formação sólida possibilita maior reconhecimento no mercado de trabalho e eleva a qualidade do atendimento prestado aos pacientes.

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Referências:

https://www.codental.com.br/blog/abfracao-dental-um-guia-completo-sobre-esse-problema/

https://blog.odontocompany.com/abfracao-dental-quais-as-causas-e-tratamentos-dessa-lesao

https://blog.segurosunimed.com.br/abfracao-dental/

https://apexodontologia.com.br/ja-ouviu-falar-em-abfracao-dental-conheca-as-causas-do-problema/

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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