10 jun 2025
EAPGOIAS, Fique Sabendo

Como calçar e retirar luvas corretamente na odontologia?            

Dentista colocando suas luvas no consultório.

A rotina clínica odontológica exige atenção meticulosa aos protocolos de biossegurança.

Em meio a tantos procedimentos técnicos e protocolos assistenciais, um detalhe pode passar despercebido: a forma correta de calçar e retirar luvas descartáveis.

Embora seja um ato rotineiro, ele carrega um peso enorme no controle de infecções cruzadas e na proteção da saúde do profissional e do paciente.

Você, cirurgião-dentista ou profissional da equipe auxiliar, já se perguntou se tem feito isso da forma mais segura possível?

Esse artigo foi desenvolvido justamente para trazer esse tema à luz de uma maneira aprofundada, com respaldo técnico e prático.

Vamos entender não apenas o porquê de usar luvas, mas como utilizá-las da maneira mais adequada, do início ao descarte, considerando os diferentes tipos disponíveis no mercado e as suas aplicações clínicas específicas.

Ao final da leitura, você terá uma visão mais ampla e segura sobre um dos pilares da biossegurança odontológica. Boa leitura!

Profissional da saúde está usando EPI cobrindo as roupas e usa luvas de vinil.
O uso de luvas é fundamental na odontologia por ser uma das principais barreiras de proteção contra a contaminação cruzada entre profissional e paciente. (Reprodução/Freepik)

Qual a função das luvas na odontologia?

As luvas descartáveis representam uma das principais barreiras de proteção entre o profissional de odontologia e os agentes biológicos presentes no ambiente clínico.

Seu uso está diretamente associado à prevenção de contaminações cruzadas, uma vez que atuam na redução do contato direto com sangue, saliva, secreções e outros fluidos potencialmente infecciosos.

Além disso, as luvas contribuem para a segurança ocupacional, prevenindo lesões cutâneas provocadas por agentes químicos, perfurocortantes ou abrasivos.

Elas também garantem maior controle asséptico durante procedimentos invasivos ou não invasivos, evitando a transferência de microrganismos de um paciente para outro ou para o próprio profissional.

No contexto da biossegurança, seu uso é considerado um EPI (Equipamento de Proteção Individual) de uso obrigatório, sendo regulamentado por normas sanitárias e pela legislação profissional vigente.

Dentista colocando as luvas descartáveis azuis.
As luvas protegem contra fluidos corporais, agentes infecciosos e materiais perfurocortantes, mantendo a biossegurança no ambiente clínico. (Reprodução/Freepik)

Quais os tipos de luvas?

Escolher a luva adequada é uma etapa que exige conhecimento técnico.

Cada tipo de luva possui características específicas que a tornam mais ou menos indicada para determinadas situações clínicas.

Luvas de látex

As luvas de látex natural são amplamente utilizadas na odontologia devido à sua alta elasticidade e sensibilidade tátil.

Isso permite maior precisão nos procedimentos que exigem destreza manual.

São bastante resistentes a perfurações, embora possam causar reações alérgicas em pacientes ou profissionais sensíveis à proteína do látex.

E indicadas para a maioria dos atendimentos clínicos, desde que não haja contraindicação por alergia.

Devem ser armazenadas em local fresco, longe da luz solar e calor, para evitar a degradação do material.

Dentista colocando as luvas de latex.
As luvas de látex são amplamente utilizadas por sua excelente elasticidade, conforto e sensibilidade tátil, mas podem causar reações alérgicas em alguns profissionais e pacientes. Reprodução/Rede Biomax)

Luvas de vinil

Fabricadas com cloreto de polivinila (PVC), as luvas de vinil são menos elásticas e mais soltas nas mãos, o que pode comprometer a sensibilidade tátil durante procedimentos delicados.

No entanto, têm boa resistência a produtos químicos e são mais econômicas, sendo indicadas para procedimentos de baixo risco biológico e manipulação de materiais não críticos.

Seu uso é mais comum em situações de limpeza, organização de instrumental ou tarefas administrativas que não envolvem contato direto com mucosas.

Mãos usando luvas de vinil
Indicadas para procedimentos não invasivos, as luvas de vinil são uma alternativa mais econômica, porém com menor resistência e elasticidade. (Reprodução/Denta Amefre)

Luvas nitrílicas

As luvas de nitrila são uma excelente alternativa para profissionais com alergia ao látex.

Apresentam alta resistência química e mecânica, além de ótima sensibilidade tátil.

Possuem maior durabilidade e adaptabilidade, sendo indicadas para procedimentos clínicos prolongados ou com alta exposição a fluidos corporais.

Por sua resistência superior, também são recomendadas em atividades que envolvam risco de perfuração ou em procedimentos cirúrgicos.

Dentista colocando as luvas nitrílicas azuis.
Recomendadas para quem tem alergia ao látex, as luvas nitrílicas oferecem alta resistência a perfurações e produtos químicos, com boa sensibilidade. (Reprodução/Freepik)

Quando usar cada tipo de luva?

A escolha do tipo de luva deve considerar o procedimento a ser realizado, o tempo de exposição, o risco de contaminação e a possibilidade de alergia ao material.

  • Luvas de látex: uso clínico geral, em procedimentos curtos ou moderadamente invasivos, com necessidade de alta sensibilidade tátil.
  • Luvas de vinil: atividades auxiliares e administrativas, sem exposição direta a fluidos biológicos.
  • Luvas nitrílicas: procedimentos prolongados, risco elevado de contaminação ou manipulação de substâncias químicas.

A adoção correta da luva mais indicada reduz riscos e otimiza a execução dos procedimentos.

Dentista retirando as luvas nitrílicas azuis.
Luvas de látex ou nitrílicas são indicadas para procedimentos clínicos, enquanto as de vinil podem ser utilizadas em tarefas auxiliares ou não invasivas. (Reprodução/IStock)

Como colocar as luvas?

Calçar as luvas corretamente é uma etapa essencial para garantir sua eficácia como barreira de proteção.

A seguir, o passo a passo conforme os protocolos de biossegurança:

Lave as mãos

Antes de tudo, realize a higienização adequada das mãos com água e sabonete antisséptico. Se necessário, utilize solução alcoólica.

As mãos devem estar completamente secas antes do calçamento das luvas para evitar rasgos e crescimento microbiano.

Médicos lavando as mãos na pia, é importante ao calçar e retirar luvas.
A higienização deve ser feita com água e sabão ou solução alcoólica, respeitando o tempo mínimo de fricção e cobrindo todas as superfícies das mãos. (Reprodução/IStock)

Pegue a primeira luva

Com a mão dominante, segure a luva pela parte interna da bainha e introduza os dedos da mão contrária.

Evite tocar a parte externa da luva com as mãos nuas.

Calce a segunda luva

Com a mão já enluvada, insira os dedos cuidadosamente na outra luva, ajustando-a com o mínimo de contato com a parte externa da luva restante.

Tutorial de como calçar as luvas na odontologia
A segunda luva deve ser calçada cuidadosamente sem tocar diretamente na parte externa, utilizando a parte interna da luva já colocada para não romper o isolamento. (Reprodução/Dimensions of Dental Hygiene)

Ajuste sem tocar a pele

Caso seja necessário ajustar a luva nas mãos, faça isso utilizando apenas áreas enluvadas, para evitar contaminação da superfície interna da luva.

Quando retirar as luvas?

A remoção das luvas deve ocorrer imediatamente após a finalização de cada atendimento ou contato com superfícies contaminadas, especialmente se houver rompimento ou sujidade visível.

Pince a luva suja

Com uma das mãos, pince a parte externa da luva oposta na região do punho, sem encostar na pele.

Vire do avesso ao retirar

Puxe a luva com cuidado, virando-a do avesso durante a remoção para reter os contaminantes no interior da luva descartada.

Remova a segunda luva

Insira os dedos da mão livre por dentro da luva ainda calçada, puxando-a também de forma a virar do avesso, envelopando a primeira luva dentro dela.

Higienize as mãos

Finalize o processo com higienização rigorosa das mãos, utilizando sabonete antisséptico ou solução alcoólica, mesmo que o contato direto com a luva externa tenha sido evitado.

Tutorial de como retirar as luvas na odontologia
Mesmo com o uso de luvas, a higienização é essencial para evitar a transferência de microrganismos residuais e manter a eficácia das práticas de biossegurança, sendo necessário higienizar ao calçar e retirar luvas. (Reprodução/YourGloveSource)

Como retirar luvas contaminadas?

Em situações de alto risco, como procedimentos cirúrgicos ou atendimentos a pacientes com doenças infectocontagiosas, a retirada das luvas requer atenção redobrada.

O processo deve ser executado de forma lenta e controlada, minimizando a liberação de aerossóis evitando contato com superfícies próximas.

Além das etapas descritas anteriormente, recomenda-se:

  • Evitar movimentos bruscos;
  • Descartar as luvas em recipientes específicos para resíduos infectantes;
  • Substituir luvas imediatamente em caso de perfuração.
Dentista colocando a segunda luva.
A remoção das luvas deve ser feita puxando uma ponta sem tocar na pele, virando-a do avesso, e repetindo o processo com a outra mão, descartando-as em local adequado. (Reprodução/Freepik)

Como descartar as luvas?

O descarte das luvas utilizadas deve obedecer à classificação de Resíduos do Serviço de Saúde (RSS).

Luvas com sangue ou fluídos orgânicos devem ser descartadas como resíduos infectantes (Grupo A1), em sacos brancos leitosos, devidamente identificados.

As demais, sem contaminação visível, podem ser destinadas ao lixo comum, conforme regulamentação local.

No entanto, a tendência é considerar todas as luvas como potencialmente contaminadas, reforçando a responsabilidade do descarte seguro e ambientalmente responsável.

Jamais reutilize luvas descartáveis, mesmo que aparentemente íntegras.

Símbolo de resíduo infectante
Símbolo de Resíduo Infectante. (Reprodução/CGA/UFSC)

Conclusão

A forma como calçamos e retiramos as luvas refletem não apenas o domínio técnico do profissional de odontologia, mas também seu compromisso com a segurança, a ética e a qualidade do atendimento clínico.

São detalhes que fazem toda a diferença na biossegurança da prática odontológica.

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O que achou desse conteúdo sobre calçar e retirar luvas sem contaminar na odontologia? Deixe nos comentários!

Referências:

https://blog.suryadental.com.br/luvas-contaminadas

https://blog.suryadental.com.br/tipos-de-luvas-descartaveis/

https://blogsaude.volkdobrasil.com.br/como-calcar-e-retirar-luva/

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/prevencao-e-controle-de-infeccao-e-resistencia-microbiana/UsodeLuvasFolhetoInformativo.pdf

*O texto acima foi preparado a partir de muita pesquisa para ajudar nas suas dúvidas. Porém, não foi escrito por um profissional de odontologia. A EAP não se responsabiliza pelas informações, pois não possuem caráter científico.

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