A saúde bucal é uma parte fundamental do bem-estar geral e, como profissionais da odontologia, temos a responsabilidade de estar sempre atentos a quaisquer sinais de problemas sérios que possam afetar nossos pacientes.
O câncer de boca é uma dessas condições que exigem atenção especial devido à sua gravidade e impacto.
Neste artigo, abordaremos em detalhes os sintomas, diagnóstico e tratamento do câncer de boca, proporcionando uma visão abrangente e técnica que auxiliará na prática clínica diária.

O que é o câncer de boca?
O câncer de boca, também conhecido como câncer oral, refere-se ao crescimento descontrolado de células malignas nos tecidos da boca.
Isso inclui os lábios, gengivas, língua, palato, parte interna das bochechas e a área sob a língua.
Este tipo de câncer é parte do grupo de cânceres de cabeça e pescoço e pode se desenvolver em várias formas e locais, tornando a detecção precoce essencial para um tratamento eficaz.

Quais são os principais tipos de câncer de boca?
Os principais tipos de câncer de boca são classificados com base no tipo de célula onde o câncer se desenvolve.
Os mais comuns incluem:
- Carcinoma de células escamosas: Representa aproximadamente 90% dos casos de câncer de boca. Este tipo se origina nas células escamosas que revestem a superfície da boca, língua e lábios.
- Carcinoma verrucoso: Um subtipo raro e de crescimento lento do carcinoma de células escamosas, que aparece como uma massa verrucosa ou papilar.
- Melanoma oral: Este tipo é menos comum e se origina nas células produtoras de pigmento (melanócitos) da boca.
- Carcinoma de glândulas salivares: Inclui vários tipos de cânceres que se desenvolvem nas glândulas salivares menores da boca e garganta.
Cada tipo de câncer de boca possui características distintas que influenciam a abordagem diagnóstica e terapêutica.

Quais são as causas desse câncer?
As causas do câncer de boca são multifatoriais e envolvem uma combinação de fatores de risco comportamentais, ambientais e genéticos.
Os principais fatores incluem:
1. Tabagismo: O uso de produtos de tabaco, incluindo cigarros, charutos e tabaco de mascar, é o principal fator de risco para o câncer de boca.
2. Consumo excessivo de álcool: O álcool, especialmente quando combinado com o tabaco, aumenta significativamente o risco de desenvolver câncer oral.
3. Infecção por HPV (Papilomavírus Humano): Certas cepas do HPV estão associadas ao aumento do risco de câncer de boca, particularmente na base da língua e nas amígdalas.
4. Exposição ao sol: A exposição prolongada ao sol é um fator de risco importante para câncer de lábio.
5. Dieta inadequada: Dietas pobres em frutas e vegetais podem aumentar o risco de câncer de boca.
6. Histórico familiar: Uma predisposição genética pode desempenhar um papel no desenvolvimento do câncer oral.

Quais são os principais sinais e sintomas da doença?
O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas do câncer de boca é crucial para um prognóstico favorável.
Os sintomas mais comuns incluem feridas na boca que não cicatrizam, com lesões ou úlceras que persistem por mais de duas semanas e devem ser investigadas.
Também são observadas manchas vermelhas ou brancas nas gengivas, língua, amígdalas ou revestimento da boca.
Além disso, podem surgir nódulos ou áreas de espessamento nos tecidos bucais.
Pacientes frequentemente relatam dor ou dificuldade ao mastigar, engolir ou falar, acompanhada de uma sensação de algo preso na garganta ou dor persistente.
Mudanças na voz, como rouquidão ou alterações inexplicadas, também são comuns.
Outros sinais importantes incluem dentes que se soltam sem causa aparente e sensação de dormência ou dor nos lábios e na boca.

Como é feito o diagnóstico do câncer de boca?
O diagnóstico do câncer de boca envolve várias etapas, começando com uma avaliação clínica detalhada e podendo incluir exames complementares.
O processo diagnóstico geralmente começa com um exame clínico, no qual o dentista realiza uma inspeção visual completa da boca, língua, lábios e garganta, procurando por lesões suspeitas.
Se uma área anormal é identificada, uma amostra de tecido (biópsia) é coletada e analisada histologicamente para confirmar a presença de células cancerígenas.
Além disso, técnicas de imagem como raio-X, tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM) e tomografia por emissão de pósitrons (PET) são utilizadas para determinar a extensão do câncer e a presença de metástases.
Em alguns casos, um endoscópio pode ser usado para examinar áreas internas da garganta e das vias aéreas superiores, especialmente se houver suspeita de disseminação.

Possíveis tratamento para câncer de boca
O tratamento do câncer de boca depende do estágio da doença, da localização e do tipo de câncer, bem como da saúde geral do paciente.
As opções de tratamento incluem:
- Cirurgia: A remoção cirúrgica do tumor é frequentemente o primeiro passo no tratamento do câncer de boca.
Isso pode incluir a excisão do tumor primário e, em alguns casos, a remoção de gânglios linfáticos afetados.
- Radioterapia: Utiliza radiação de alta energia para destruir células cancerígenas.
Pode ser usada como tratamento primário ou adjuvante à cirurgia.
- Quimioterapia: O uso de medicamentos para destruir células cancerígenas.
Pode ser administrada antes (neoadjuvante) ou após (adjuvante) a cirurgia, ou em combinação com a radioterapia.
- Terapia alvo: Medicamentos que bloqueiam o crescimento de células cancerígenas ao interferir em moléculas específicas envolvidas na carcinogênese.
- Imunoterapia: Tratamentos que ajudam o sistema imunológico a reconhecer e combater células cancerígenas.
- Cuidados paliativos: Focados no alívio dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida, especialmente em casos de câncer avançado.

Qual o papel do cirurgião dentista no tratamento do câncer bucal?
O cirurgião dentista desempenha um papel vital no manejo do câncer de boca, desde a detecção precoce até o acompanhamento pós-tratamento.
Suas responsabilidades incluem a realização de exames bucais regulares e a identificação de lesões suspeitas, fundamentais para a detecção precoce da doença.
Além disso, é essencial que o dentista informe os pacientes sobre os fatores de risco e os sinais de alerta do câncer de boca, contribuindo para a educação do paciente.
A colaboração interdisciplinar também é uma parte importante do papel do dentista, que deve trabalhar em conjunto com oncologistas, cirurgiões e outros profissionais de saúde para planejar e implementar o tratamento adequado.
No período pós-tratamento, o dentista é responsável pelo gerenciamento das complicações bucais decorrentes do tratamento do câncer, como xerostomia, mucosite e infecções secundárias.
Por fim, o dentista auxilia na reabilitação funcional e estética dos pacientes, incluindo a prótese dentária e a reabilitação oral, proporcionando uma melhor qualidade de vida aos sobreviventes do câncer de boca.

Conclusão
O câncer de boca é uma condição séria que exige a atenção e o conhecimento dos profissionais de odontologia para garantir a detecção precoce e o tratamento eficaz.
A conscientização sobre os sintomas, diagnóstico e opções de tratamento é fundamental para melhorar os resultados para os pacientes.
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Referências:
https://vidasaudavel.einstein.br/cancer-de-boca
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/boca
https://jadeodontologia.com/cancer-bucal-como-um-dentista-pode-ajudar
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/
*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.