10 mar 2026
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Pericoronarite: Causas, Prevenção e Tratamento

desenho de siso saindo e causando Pericoronarite.

A dor na região posterior da mandíbula, associada à dificuldade de mastigação e limitação de abertura bucal, é um cenário recorrente na rotina clínica.

Em muitos desses casos, o diagnóstico converge para uma condição inflamatória localizada ao redor de um dente parcialmente erupcionado: a pericoronarite.

Embora amplamente conhecida, a pericoronarite ainda suscita dúvidas quanto à melhor conduta terapêutica, à indicação de antibioticoterapia e ao momento ideal para intervenção cirúrgica.

Além disso, a recorrência do quadro levanta discussões sobre extração profilática de terceiros molares e protocolos preventivos personalizados.

Neste artigo, vamos aprofundar os aspectos etiológicos, clínicos e terapêuticos da pericoronarite sob uma perspectiva técnica, direcionada a cirurgiões-dentistas que buscam condutas baseadas em evidência, previsibilidade clínica e atualização científica.

Dentista olha com espelho clínico a Pericoronarite presente no siso do paciente.
É fundamental que o cirurgião-dentista compreenda a importância de conhecer a pericoronarite, pois essa condição inflamatória pode evoluir para infecções mais graves quando não diagnosticada e tratada adequadamente. (Reprodução/India Dental World)

O que é pericoronarite?

Pericoronarite é o processo inflamatório que acomete os tecidos moles que circundam a coroa de um dente parcialmente erupcionado.

O quadro está classicamente associado aos terceiros molares inferiores, embora possa ocorrer em qualquer elemento dentário em erupção incompleta.

Do ponto de vista fisiopatológico, a presença de um opérculo gengival, ou seja, um tecido que recobre parcialmente a superfície oclusal do dente, cria um ambiente retentivo.

Esse espaço subopercular favorece a colonização bacteriana, sobretudo por microrganismos anaeróbios gram-negativos, formando um biofilme de difícil controle mecânico.

Com a progressão do processo inflamatório, ocorre edema, hiperemia e, em situações mais avançadas, supuração local.

A condição pode se apresentar de forma aguda, subaguda ou crônica recorrente, exigindo avaliação criteriosa para definição do plano de tratamento.

Radiograficamente, a pericoronarite pode estar associada a terceiros molares em posição vertical, mesioangulada ou horizontal.

Assim, a análise por meio de radiografia panorâmica é recomendada para avaliar a relação com o canal mandibular, a profundidade de inclusão e a anatomia radicular.

Seta aponta Pericoronarite presente no siso do paciente.
A pericoronarite é uma inflamação ou infecção dos tecidos gengivais que recobrem parcialmente a coroa de um dente em processo de erupção.

Quais os principais sintomas?

Os sinais e sintomas variam conforme a intensidade do processo inflamatório e a resposta imunológica do paciente.

Entre as manifestações clínicas mais frequentes, destacam-se:

  • Dor localizada na região posterior mandibular;
  • Sensibilidade à palpação do opérculo;
  • Edema e eritema gengival;
  • Halitose (mau-hálito) por causa da retenção alimentar;
  • Presença de exsudato purulento ao pressionar o tecido pericoronário.

Nos quadros agudos, o paciente também pode relatar:

  • Trismo;
  • Disfagia leve;
  • Irradiação da dor para região auricular;
  • Linfadenopatia submandibular;
  • Febre baixa.

É importante diferenciar a pericoronarite de outras condições dolorosas da região posterior, como pulpite irreversível, abscesso periodontal e disfunções temporomandibulares.

Para isso, a anamnese detalhada e o exame clínico minucioso são determinantes.

Dentista realizando palpação do opérculo em pericoronarite.
Os principais sintomas da pericoronarite incluem dor localizada, edema gengival, dificuldade para mastigar, mau hálito e, em casos mais severos, limitação da abertura bucal. (Reprodução/Lygos Dental)

Quais complicações podem vir da pericoronarite?

Embora, na maioria dos casos, a pericoronarite seja localizada, a disseminação infecciosa é uma possibilidade real quando o manejo não é realizado de forma adequada.

Entre as complicações descritas na literatura, incluem-se:

  • Celulite facial;
  • Abscessos submandibulares;
  • Disseminação para espaços fasciais profundos;
  • Angina de Ludwig;
  • Comprometimento sistêmico em pacientes imunossuprimidos.

A angina de Ludwig, por exemplo, pode evoluir rapidamente para obstrução das vias aéreas superiores, configurando uma emergência médica.

Portanto, a avaliação sistêmica do paciente, incluindo presença de comorbidades, uso de imunossupressores e controle glicêmico, deve integrar o raciocínio clínico.

senhora com Angina de Ludwig, embaixo do queixo está muito inchado.
Imagem de senhora com Angina de Ludwig, por causa da pericoronarite. (Reprodução/Keshavarz Dentistry)

Causas da pericoronarite

A etiologia é multifatorial.

Entretanto, alguns fatores são particularmente relevantes na prática clínica.

Dente do Siso

Os terceiros molares apresentam alta prevalência de erupção incompleta ou impactação óssea.

Em populações ocidentais, a redução do espaço retromolar favorece a permanência parcial do elemento na cavidade oral.

A anatomia irregular da região, associada à dificuldade de higienização, cria um ambiente propício à inflamação recorrente.

 inflamação devido ao siso.
A condição ocorre com maior frequência associada ao dente do siso, especialmente quando há dificuldade na erupção adequada do terceiro molar. (Reprodução/Nova Smiles)

Trauma

O trauma mecânico sobre o opérculo gengival é um fator agravante.

Durante a mastigação, o dente antagonista pode impactar o tecido inflamado, intensificando o processo inflamatório e aumentando a sintomatologia dolorosa.

Esse microtrauma repetitivo perpetua o ciclo inflamatório e dificulta a cicatrização espontânea.

Erupção parcial

A erupção parcial é o principal evento predisponente.

O opérculo atua como uma barreira física que dificulta a autolimpeza promovida pela língua e pela saliva.

Além disso, a profundidade do sulco pericoronário favorece o estabelecimento de um biofilme predominantemente anaeróbio, com produção de toxinas e mediadores inflamatórios.

Seta aponta para inflamação devido a erupção parcial de siso.
A condição ocorre com maior frequência associada ao dente do siso, especialmente quando há dificuldade na erupção adequada do terceiro molar. (Reprodução/Arriba Dentista)

Má higienização

A higienização inadequada potencializa o acúmulo de restos alimentares sob o opérculo.

Mesmo pacientes com bom padrão geral de escovação podem apresentar dificuldade em alcançar a região distal dos terceiros molares.

Por isso, orientações específicas de higiene, com uso de escovas de cabeça reduzida e irrigadores orais, devem integrar a conduta preventiva.

Quem está mais em risco?

A pericoronarite é mais comum em pacientes entre 17 e 30 anos, período correspondente à erupção dos terceiros molares.

Entretanto, alguns grupos apresentam maior risco de evolução desfavorável:

  1. Pacientes imunossuprimidos;
  2. Portadores de diabetes mellitus descompensado;
  3. Gestantes, devido a alterações hormonais e vasculares;
  4. Pacientes com histórico de episódios recorrentes.

Além disso, a presença de terceiros molares mesioangulados parcialmente erupcionados aumenta significativamente a probabilidade de inflamação recorrente.

A avaliação individualizada é fundamental para definir se a extração profilática é indicada ou se o acompanhamento periódico é suficiente.

Mulher grávida deitada na cama com vários travesseiros atrás e segurando a barriga com as mãos.
Pacientes mais jovens estão entre os grupos mais em risco de desenvolver pericoronarite durante a erupção dos terceiros molares. (Reprodução/Freepik)

Existe tratamento para pericoronarite?

Sim, o tratamento deve ser direcionado conforme a fase da doença e as condições sistêmicas do paciente.

1. Terapia local

Em quadros leves, a irrigação do espaço subopercular com solução de clorexidina 0,12% ou 0,2% é indicada.

A remoção mecânica de detritos alimentares reduz a carga bacteriana e alivia a sintomatologia.

Adicionalmente, pode-se prescrever bochechos antissépticos por período limitado.

2. Controle medicamentoso

Analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais são recomendados para controle da dor e do edema.

A antibioticoterapia sistêmica deve ser reservada para casos com sinais de disseminação ou comprometimento sistêmico.

A amoxicilina permanece como primeira escolha, podendo ser associada ao metronidazol em situações específicas.

Para pacientes alérgicos à penicilina, alternativas como clindamicina podem ser consideradas.

A prescrição deve observar critérios técnicos e evitar uso indiscriminado, em consonância com políticas de racionalização antimicrobiana.

Homem usando suéter cinza e segurando duas cartelas de remédio.
O tratamento pode incluir controle medicamentoso, associado à higiene local, irrigação da área inflamada e, em alguns casos, avaliação para remoção cirúrgica do dente envolvido. (Reprodução/Freepik)

3. Intervenção cirúrgica

Em casos recorrentes, a operculectomia pode ser indicada.

Contudo, quando há impactação desfavorável ou histórico de múltiplos episódios, a exodontia do terceiro molar é a conduta definitiva.

A extração deve ser realizada após controle do processo agudo, reduzindo risco de complicações pós-operatórias.

Planejamento cirúrgico adequado, avaliação radiográfica detalhada e análise da relação com estruturas anatômicas são etapas indispensáveis para previsibilidade clínica.

Conclusão

A pericoronarite permanece como uma das principais causas de dor associada a terceiros molares parcialmente erupcionados.

Seu manejo exige diagnóstico preciso, avaliação sistêmica e definição terapêutica baseada em critérios técnicos.

Além do controle imediato do quadro inflamatório, o cirurgião-dentista deve considerar estratégias preventivas e discutir com o paciente a possibilidade de intervenção definitiva quando indicada.

A atualização contínua em cirurgia oral, farmacologia aplicada e protocolos clínicos fortalece a segurança da prática profissional.

Nesse contexto, a EAP-Goiás se destaca como referência em formação e aperfeiçoamento na área odontológica, oferecendo cursos de especialização e capacitação alinhados às demandas contemporâneas da prática clínica.

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Investir em atualização é ampliar sua previsibilidade clínica e elevar o padrão de atendimento aos seus pacientes!

Referências: Ianara Pinho Odontologia, Clínica StudioUno, Saúde Bem-Estar, Kin, Dentista Legal.

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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