30 set 2025
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Clorexidina na Odontologia: Como é usada no consultório?

Paciente no consultório odontológico segurando copinho com enxaguante.

A prática odontológica moderna exige técnicas clínicas avançadas, mas também o uso consciente de agentes auxiliares que potencializam os resultados.

Entre eles, a clorexidina ocupa posição de destaque. Presente em protocolos de assepsia, prevenção de doenças periodontais e até em tratamentos endodônticos, esse antisséptico é um verdadeiro aliado no consultório.

Se você é profissional da área, provavelmente já se deparou com a dúvida: em quais situações prescrever clorexidina na odontologia e como evitar seus efeitos adversos?

A resposta envolve compreender seu mecanismo de ação, as diferentes concentrações disponíveis e as indicações específicas dentro da odontologia.

Mulher de cabelo no ombro está segurando um copinho com enxaguante bucal enquanto faz bochecho.
É fundamental que o cirurgião-dentista compreenda o uso da clorexidina na odontologia, pois seu manejo incorreto pode comprometer a eficácia clínica e a segurança do paciente. (Reprodução/Freepik)

O que é clorexidina?

A clorexidina é um agente antisséptico e antimicrobiano de amplo espectro, pertencente ao grupo das biguanidas catiônicas.

Sua ação principal se dá pela ruptura da membrana celular bacteriana, levando ao extravasamento do conteúdo intracelular e consequente morte da célula.

Um dos diferenciais mais relevantes da clorexidina é seu efeito substantivo: após o uso, ela se adere às superfícies orais (esmalte, mucosa, película adquirida) e permanece ativa por horas, liberando-se gradualmente.

Isso a torna altamente eficaz no controle do biofilme dentário, mesmo após o término do bochecho ou da aplicação tópica.

Trata-se de uma substância que atua contra bactérias Gram-positivas, Gram-negativas, fungos e alguns vírus envelopados.

Contudo, sua utilização deve ser estratégica, pois o uso indiscriminado pode causar efeitos indesejados.

Vidrinho e caixa da Clorexidina da marca Maquira.
A clorexidina é um antisséptico de amplo espectro, eficaz contra bactérias Gram-positivas, Gram-negativas e alguns fungos, sendo amplamente utilizada em protocolos odontológicos. (Reprodução/Maquira/Dental Paraná)

Quando é usado clorexidina na odontologia?

A versatilidade da clorexidina permite sua aplicação em diferentes contextos clínicos.

No consultório, sua indicação deve ser pautada em protocolos baseados em evidência, respeitando tempo e forma de uso.

Assepsia

Na odontologia, a assepsia da cavidade oral é fundamental em procedimentos cirúrgicos.

A clorexidina, em enxaguantes a 0,12% ou 0,2%, é utilizada previamente para reduzir a carga microbiana e minimizar o risco de bacteremia transitória.

Pacientes com condições sistêmicas que aumentam o risco de endocardite infecciosa, por exemplo, podem se beneficiar dessa prática como medida preventiva.

Desinfecção de superfícies

Em concentrações mais elevadas (2% a 4%), a clorexidina é aplicada na desinfecção de superfícies, instrumentais e pele.

Embora o álcool etílico e outros desinfectantes sejam amplamente utilizados, a clorexidina apresenta excelente eficácia em ambientes odontológicos, especialmente em superfícies críticas e áreas que exigem maior biossegurança.

Lavando as mãos na pia.
A clorexidina pode ser aplicada na desinfecção de superfícies odontológicas e áreas clínicas, contribuindo para o controle de contaminações cruzadas. (Reprodução/IStock)

Bochechos e enxaguantes bucais

A clorexidina em soluções de 0,12% é uma das formas mais conhecidas e indicadas na clínica.

Seu uso se destina ao controle químico do biofilme em situações em que a higienização mecânica é insuficiente ou temporariamente contraindicada.

Normalmente prescrita para bochechos de curta duração (10 a 14 dias), é bastante útil no pós-operatório de cirurgias periodontais, implantares e exodontias complexas.

Controle de gengivite

Diversos estudos comprovam a eficácia da clorexidina na redução dos sinais clínicos da gengivite.

Como terapia adjuvante, ela potencializa a resposta ao tratamento periodontal, especialmente em pacientes com dificuldade de adesão à higiene bucal.

Ainda assim, deve ser usada como recurso temporário, não substituindo o controle mecânico do biofilme.

Colocando enxaguante bucal na tampa.
No controle da gengivite, a clorexidina em enxaguatórios bucais auxilia na redução da placa bacteriana e inflamação gengival. (Reprodução/IStock)

Redução da placa bacteriana

O uso da clorexidina está diretamente associado à diminuição da formação da placa bacteriana.

Seu efeito substantivo garante ação prolongada, sendo indicada em pacientes ortodônticos, pós-cirúrgicos e hospitalizados que apresentam limitações na escovação adequada.

Infecções fúngicas

Embora não seja o medicamento de primeira escolha, a clorexidina pode atuar como adjuvante no tratamento de infecções fúngicas orais, especialmente em pacientes imunocomprometidos.

Seu papel é auxiliar no controle da microbiota oral, reduzindo o risco de sobreinfecção.

Dentista examinando paciente que tem infecção fúngica na língua.
Além da ação antibacteriana, a clorexidina pode auxiliar como coadjuvante no manejo de infecções fúngicas, especialmente em pacientes imunocomprometidos. (Reprodução/IStock)

Endodontia

Na endodontia, a clorexidina em concentrações de 2% é utilizada como solução irrigadora auxiliar ou como medicação intracanal.

Sua ação antimicrobiana persistente é uma vantagem em canais infectados por Enterococcus faecalis, microrganismo resistente ao hipoclorito de sódio.

Contudo, não substitui o hipoclorito em termos de dissolução tecidual, sendo preferencial em protocolos complementares.

Concentrações mais utilizadas em odontologia

A escolha da concentração está diretamente ligada à finalidade do uso:

  • 0,12% a 0,2% → enxaguantes bucais e bochechos, indicados em pós-operatórios, gengivites e peri-implantites;
  • 1% em gel → utilizado em aplicações tópicas localizadas ou em periodontia;
  • 2% → solução irrigadora em endodontia, desinfecção de próteses e placas oclusais;
  • 2% a 4% → antisséptico para pele e superfícies.

É fundamental que o profissional esteja atento para não ultrapassar as indicações de cada concentração, evitando riscos de toxicidade ou irritação da mucosa.

Vidrinho e caixa de clorexidina na odontologia, para endodontia, da marca Maquira.
A concentração da clorexidina define sua indicação clínica, variando geralmente entre 0,12% para uso bucal e 2% a 4% para aplicações tópicas ou desinfecção. (Reprodução/Maquira/Dental Ortho-Lipe)

Quais as contra-indicações da Clorexidina na Odontologia?

Apesar de sua ampla aplicabilidade, a clorexidina não é isenta de limitações, entre as contraindicações e efeitos adversos mais relatados, destacam-se:

  • Manchamento dentário: coloração marrom nas superfícies dentárias e restaurações, especialmente em uso prolongado.
  • Alteração do paladar: percepção metálica ou gosto amargo durante e após o uso.
  • Descamação e irritação da mucosa: em alguns pacientes, pode ocorrer sensibilidade oral.
  • Reações alérgicas: raras, mas devem ser consideradas.
  • Uso prolongado: contra-indicado em períodos superiores a quatro semanas, pois altera a microbiota oral e favorece desequilíbrios.

Pacientes com histórico de alergia a biguanidas devem evitar seu uso. Além disso, não deve ser prescrita como substituto permanente da escovação e do fio dental.

Mulher olhando seu próprio dente no espelho.
As principais contraindicações da clorexidina na odontologia incluem pacientes com hipersensibilidade ao composto e uso prolongado, que pode causar pigmentação dental e alteração do paladar. (Reprodução/Adobe Stock)

Cuidados ao Prescrever Clorexidina

Para garantir a eficácia terapêutica e minimizar riscos, alguns cuidados devem ser considerados:

  1. Tempo limitado: prescrever para períodos curtos, geralmente entre 7 e 14 dias.
  2. Orientação ao paciente: esclarecer sobre possíveis efeitos adversos e reforçar a importância da higienização mecânica.
  3. Interações: evitar o uso concomitante com cremes dentais contendo lauril sulfato de sódio, pois podem reduzir sua eficácia. Recomenda-se intervalo de 30 minutos entre escovação e bochecho.
  4. Indicação precisa: direcionar o uso para situações em que a higienização mecânica esteja comprometida ou como medida complementar em tratamentos periodontais e endodônticos.
  5. Supervisão profissional: acompanhar a evolução clínica do paciente para definir a necessidade de continuidade ou interrupção do tratamento.
Mulher segurando enxaguante bucal e copinho com ele.
Entre os cuidados ao prescrever clorexidina estão o uso limitado ao período recomendado, evitar ingestão acidental e orientar o paciente quanto aos possíveis efeitos adversos. (Reprodução/Getty Images)

Conclusão

A clorexidina permanece como um dos recursos mais importantes na odontologia, desde protocolos cirúrgicos até tratamentos periodontais e endodônticos.

Seu uso, no entanto, deve ser criterioso, evitando excessos que possam comprometer a microbiota oral e a saúde bucal a longo prazo.

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Referências:

https://blog.dentalspeed.com/clorexidina-na-odontologia-indicacoes-e-contra-indicacoes

https://blog.dentalcremer.com.br/clorexidina-na-odontologia

https://blog.suryadental.com.br/como-usar-clorexidina/

https://www.idealodonto.com.br/blog/5-indicacoes-contra-indicacoes-clorexidina-odontologia/

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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