05 out 2023
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Odontofobia: Como ajudar seus pacientes?

mulher no dentista com as mãos tampando a boca

Sem dúvidas você já se deparou com alguém a dizer que tem medo de ir ao dentista, o que é chamado de odontofobia. Esse medo assola muitas pessoas há anos. Os aparelhos usados pelo dentista, o barulho da turbina, dentre outros, estão no topo da lista dos medos que podemos citar aqui.

Toda essa dificuldade que se criou e relacionou com o fato de ir ao dentista termina por trazer algumas consequências negativas, isso é o que mostra uma pesquisa inédita feita pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).

Esse estudo revelou que 55,6% dos brasileiros não têm o hábito de consultar o dentista ao menos uma vez por ano. E os dados podem ser ainda mais assustadores: 41,5% das pessoas com mais de 60 anos já perdeu todos os dentes.

A odontofobia é real e merece a sua atenção! Ficou curioso? Acompanhe até o final dessa leitura e saiba como lidar com pacientes que têm medo de dentista. Boa leitura!

mulher gritando no dentista
A odontofobia é caracterizada pelo medo irracional e intenso de receber tratamento odontológico. (Reprodução/Freepik)

Sumário

O que é odontofobia?

É possível observar um certo estresse ou até mesmo ansiedade quando é chegado o momento de ir ao dentista. Para algumas pessoas é possível conviver com esse sentimento, porém, para outras se torna impossível.

Nesses casos, detectamos uma fobia, que nada mais é do que um medo irracional e totalmente intenso. São exatamente essas pessoas que têm maior possibilidade de deixar totalmente de lado o cuidado com a saúde bucal.

Podemos entender então, dessa forma, a odontofobia como medo ou até mesmo pavor de ir ao dentista.

dentista da eap goiás realizando tratamento em paciente
Imagem de EAP Goiás – instituição que oferece cursos de pós-graduação em odontologia.

Como ajudar os pacientes com medo de dentista?

Bom, chegamos exatamente na parte do texto que é preciso ter uma atenção redobrada, pois se você colocar em prática algumas dicas que daremos aqui, é bem possível que os seus pacientes se sintam mais tranquilos na hora de ir ao seu consultório odontológico.

Alguns pontos de melhoria podem ser observados para que a sua clínica ou consultório seja mais aconchegante para os seus pacientes. Destacamos alguns tópicos aqui, acompanhe:

Sala de espera e consultório aconchegantes

Busque deixar o seu consultório com um ambiente menos hospitalar. Podemos até dizer que quanto mais aconchegante, melhor. Esse primeiro passo irá atuar diretamente na ansiedade do seu paciente;

Aproveitando que estamos falando dos aspectos físicos e sensoriais do seu consultório, vale lembrar que sua clínica ou consultório deve ser humanizada. Ou seja, opte sempre por cores leves, quadros que remetem a sensação de harmonia e tranquilidade.

criança no dentista piscando um olho e sorrindo
A origem da odontofobia pode estar relacionada a experiências traumáticas passadas no consultório odontológico, medo do desconhecido ou preocupações com dor. (Reprodução/Pexels)

Sugira sempre que o paciente venha acompanhado

A companhia de outra pessoa, nesse momento, pode atuar diretamente no comportamento e passar tranquilidade para o paciente. É confortável quando podemos dividir com o outro um pouco dos nossos medos e anseios.

Sugira que o seu paciente leve um acompanhante na hora que a consulta chegar!

Doutor usando roupa de cirurgia e touca azul está sentado na sala de espera conversando com casal de pacientes, os quais estão de mãos dadas.
A fobia de dentista é um medo intenso e irracional que impede muitas pessoas de buscar cuidados odontológicos regulares. Nesse sentido, um acompanhante pode ser um apoio essencial. (Reprodução/Baylor Scott & White Heart)

Realize a anamnese no seu paciente

Muitos profissionais não dão a importância correta para essa etapa. A anamnese consiste em uma conversa sincera onde paciente e profissional se conhecem melhor. Esse momento é a oportunidade para preencher a ficha com dados importantes sobre características físicas, hábitos, estado de saúde, medicamentos que o paciente faz uso, entre outros.

Tente conduzir esse momento como uma conversa e não como um questionário. Deixe claro ao paciente que você tem interesse em conhecê-lo melhor e que leva em consideração os seus medos.

Também se faz necessário para o dentista, nesse momento, entender o nível da dor ou desconforto que o paciente está sentindo. Assim como, cabe ao momento reviver os hábitos de higiene que o paciente tem e corrigi-lo se necessário.

Para realizar uma anamnese mais lógica, confira 5 dicas agora sobre as etapas que vão tornar esse momento mais assertivo para você e para o paciente:

  1. Pergunte sobre o histórico odontológico do paciente;
  2. Entenda melhor seus hábitos de higiene oral;
  3. Saiba como o problema começou;
  4. Pergunte sobre seu histórico de família;
  5. Questione sobre possíveis vícios e atividades do paciente.
mulher usando epis de dentista mexendo no computador
Imagem de EAP Goiás – instituição que oferece cursos de pós-graduação em odontologia.

Explique o procedimento que você irá realizar no paciente

É um fato que hoje em dia as pessoas têm mais acesso às informações, fazendo com que dúvidas e questionamentos surjam em qualquer etapa do atendimento. Dessa forma, o paciente precisa estar a par de tudo que acontecerá durante o procedimento.

Dê detalhes, explique em uma linguagem que o paciente possa entender, tente facilitar essa comunicação ao máximo. Nos dias de hoje, com a internet, é normal que o paciente pesquise antes de ir ao dentista e traga algumas dúvidas.

Vale lembrar que mesmo que o paciente pesquise sobre o seu caso clínico, jamais conseguirá chegar a um parecer ou diagnóstico sem a ajuda do profissional da área. E é exatamente por isso que é tão importante também deixá-lo atualizado do tipo de procedimento que será feito.

Dentista está explicando procedimento para paciente, que está sentado na cadeira odontológica olhando para a tela.
A comunicação aberta entre paciente e profissional é essencial para aliviar o medo de dentista e criar um ambiente de confiança mútua. (Reprodução/Shutterstock)

Não deixe os equipamentos cortantes à vista

Já sabendo o quanto os equipamentos de trabalho são chamativos, a dica é não deixá-los à vista do paciente, pelo menos não os cortantes.

Quando o paciente estiver na cadeira, ele tem toda a vista da mesa do dentista e isso pode trazer ainda mais medo. Sem contar que os equipamentos odontológicos parecem muito com os cirúrgicos.

Imagine só se o paciente for uma criança. O medo é ainda maior.

Você sabe exatamente quais equipamentos vai usar, mas o paciente não. Dessa forma, não deixe a mostra os equipamentos.

Faça esse teste, temos certeza que o resultado vai ser positivo.

criança no dentista sorrindo
A odontofobia pode levar os pacientes a evitar cuidados odontológicos, resultando em problemas de saúde bucal não tratados e potencialmente graves. (Reprodução/Freepik)

Desvie o foco

Durante a consulta, deixe o paciente tranquilo e a vontade, converse com ele sobre outros assuntos e sempre que possível, promova um ambiente leve.

Não fique o tempo todo falando sobre o tratamento, sobre o dente que está sendo cuidado ou algo sobre o tratamento do paciente.

Combine com ele e deixe claro quais são seus limites. Para isso, você pode deixar acertado alguns sinais como levantar ou abaixar os dedos quando o paciente chegar no seu limite de incômodo.

Esses sinais servem para comunicar se o paciente está passando por um momento de ansiedade, por exemplo. Somente dessa forma, a relação paciente-dentista será pautada na confiança.

Paciente é uma mulher de suéter branco, cabelos lisos castanhos escuros e está fazendo sinal de positivo com o dedão. No fundo, o dentista está arrumando algo.
Fobia de dentista é uma condição tratável, e buscar apoio psicológico pode ajudar o paciente a enfrentar o problema de forma gradual e eficaz. (Reprodução/IStock)

Converse com os pais ou responsáveis

O número de pais ou responsáveis que deseja estar na hora do tratamento odontológico tem crescido e o fato é que a presença dos pais é essencial desde o início do tratamento e não só ali naquele momento do atendimento.

Dessa forma, é possível e recomendado que o profissional converse com os pais e explique totalmente o tratamento, por quantas etapas ele vai passar e, por fim, todos juntos tomarem a decisão melhor para o paciente.

Se possível, forneça o documento chamado “consentimento esclarecido” onde os pais fiquem cientes de todo o tratamento e ao assinar, demonstram que concordam com ele.

É importante salientar que essa conversa vai permitir que os pais fiquem seguros sobre o profissional e pais seguros, demonstram segurança para os seus filhos, o que vai ajudar bastante na hora do tratamento. 

Ademais, há pais que acabam transmitindo medo as crianças. Pode ser de forma inconsciente, ao estarem preocupados com os tratamentos e procedimentos, ou conscientemente, ao tratar a ida ao dentista como um castigo.  

Portanto, é muito importante que o dentista tenha conversas com os pais, e os aconselhe a sempre tratarem a ida ao dentista, como algo positivo, divertido, e que só irá fazer bem para seus filhos.

Mãe segurando mão da filha criança durante procedimento odontológico.
A vergonha de ir no dentista pode levar ao agravamento de problemas bucais. Dessa forma, é importante incentivar a ida e a perca do medo desde criança. (Reprodução/Shutterstock)

Aconselhe a procura de um profissional terapeuta

É comum passarmos por situações de medo, porém, é importante que elas sejam superadas. Quando isso não acontece, é hora de pedir ajuda!

Um profissional psicólogo pode fazer toda a diferença na melhoria da Odontofobia, entendendo a origem desse medo e solucionando as amarras que o impulsiona, é possível deixar para trás o medo de ir ao dentista.

Hoje já é possível observar que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) pode atuar ajudando muitas pessoas que tem fobia de dentista. Essa terapia permite que essas pessoas recebam o tratamento odontológico adequado e sem o uso de sedativos.

dentista e criança no consultório, elas estão batendo uma mão na outra, no estilo "toque aqui"
Os profissionais de odontologia devem estar cientes da odontofobia e serem treinados em estratégias para acalmar e confortar pacientes com medo extremo. (Reprodução/Freepik)

O que pode causar o medo de dentista?

São diversas situações que podem explicar o medo do dentista. Por isso, é preciso que o profissional seja empático e paciente com a situação.

Primeira possibilidade, é a sensação de desconhecido que gera ansiedade. Seja em adultos que nunca tiveram oportunidades de ir ao dentista antes, ou de crianças que estão indo pela primeira vez. Desse modo, é essencial explicar melhor sobre os passos do tratamento e de como é tranquilo.

Outra razão, são as experiências anteriores no dentista. Pode ter sido que o paciente teve dores muito intensas durante um procedimento e o profissional em questão não percebeu ou não deu devido atenção. Assim como, se passou por dentistas rudes que o trataram mal.

Além disso, como falado anteriormente, alguns pais passam seus medos para os filhos. Ou o paciente já ouviu histórias negativas de outras pessoas no dentista.

Também pode ser por vergonha de como estão seus dentes. E por fim, por fatores que não se relacionam ao dentista, como ter ansiedade social, abusos sofridos, etc.

Garotinha com olhos arregalados e cobrindo a boca com as duas mãos. Ela está no dentista com medo. Atrás dela tem um dentista.
Para as crianças é algo novo, que gera receios. Já para os pacientes adultos, a vergonha de ir ao dentista está frequentemente associada a receios sobre o julgamento em relação à saúde bucal ou à aparência dos dentes – bem como traumas anteriores. (Reprodução/Adobe/Vasyl)

Quais os sintomas mais comuns da odontofobia?

O paciente que possui medo de ir ao dentista irá apresentar alguns sintomas:

  • Insônia antes da consulta;
  • Dificuldade para respirar;
  • Ansiedade antes ou durante a consulta;
  • Vontade de chorar;
  • Tontura e até mesmo desmaio;
  • Tremor ou suor;
  • Taquicardia;
  • Ataque de pânico;
Garotinha loira cobre o rosto com as mãos, com medo da dentista.
O medo de dentista pode ser desencadeado por experiências negativas anteriores, sons de equipamentos ou até pelo ambiente clínico.

Ao decorrer desse texto, abordamos assuntos relacionados ao medo de ir ao dentista e sugerimos dicas preciosas acerca do tema.

Se você gostou desse conteúdo, compartilhe essas informações com outras pessoas e aborde esse tema que ainda é tão delicado dentro dos consultórios odontológicos.

Referências:

https://www.gov.br/saude/pt-br

https://ibge.gov.br/

https://www.correiobraziliense.com.br/

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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