27 fev 2026
EAPGOIAS, Fique Sabendo

Dentinogênese Imperfeita: O que é e como tratar?

Dentistas fazendo cirurgia em paciente.

A odontologia moderna se depara, cada vez mais, com condições que desafiam a prática clínica diária e exigem do profissional conhecimento técnico atualizado e uma visão multidisciplinar. Entre essas condições, a dentinogênese imperfeita (DI) merece destaque.

Embora seja uma alteração rara, seu impacto na saúde bucal, na estética e na função mastigatória é significativo, afetando desde crianças até adultos.

Você, como cirurgião-dentista, provavelmente já se deparou com pacientes apresentando dentes de coloração atípica, com estrutura frágil e desgastes acelerados.

Muitas vezes, o diagnóstico diferencial com cárie dentária ou até mesmo com amelogênese imperfeita pode gerar dúvidas.

É justamente nesse contexto que compreender a DI, sua etiologia, manifestações clínicas e possibilidades terapêuticas se torna essencial para conduzir um plano de tratamento adequado.

Neste artigo, vamos explorar em profundidade o que é a dentinogênese imperfeita, suas manifestações clínicas, os diferentes tipos descritos na literatura e as principais estratégias terapêuticas disponíveis.

Imagem de duas bocas de pessoas com Dentinogênese Imperfeita.
É importante saber reconhecer para ter um diagnóstico precoce e planejamento adequado para preservar a função e a estética dental.(Reprodução/Academically)

O que é dentinogênese imperfeita?

A dentinogênese imperfeita é uma anomalia hereditária do desenvolvimento dentário que afeta a formação da dentina.

Está relacionada a mutações no gene DSPP (dentin sialophosphoprotein), responsável pela codificação de proteínas fundamentais para a mineralização dentinária.

Essa alteração compromete a estrutura e a qualidade da dentina, resultando em dentes com aspecto opalescente, coloração variando entre acinzentada, amarelada e marrom, além de maior fragilidade mecânica.

Diferente da amelogênese imperfeita, na DI o esmalte está presente inicialmente de forma normal, mas a dentina subjacente defeituosa compromete a adesão e a resistência geral do dente, levando ao desgaste precoce.

Do ponto de vista epidemiológico, a DI apresenta prevalência estimada de 1:6.000 a 1:8.000 indivíduos, variando conforme a população estudada. É uma condição autossômica dominante, o que significa que pode ser transmitida entre gerações de forma relativamente previsível.

Imagens de vários ângulos de boca de mulher que tem Dentinogênese Imperfeita.
A Dentinogênese Imperfeita é uma alteração genética do desenvolvimento dentário caracterizada por defeitos estruturais na dentina, comprometendo resistência e coloração dos dentes. (Reprodução/Pocket Dentistry)

Quais as manifestações dentárias?

As manifestações da dentinogênese imperfeita podem variar em intensidade, mas algumas características são recorrentes:

  • Alteração de cor: dentes opalescentes, acinzentados ou amarronzados.
  • Maior fragilidade: fraturas coronárias e desgaste acentuado.
  • Atrição precoce: perda rápida de altura dentária funcional.
  • Câmaras pulpares obliteradas: visíveis em exames radiográficos.
  • Redução da espessura dentinária: levando à alteração da translucidez do dente.
  • Perda de dimensão vertical em casos mais graves.

Essas alterações não são apenas estéticas, mas também funcionais, já que comprometem a mastigação, favorecem a sensibilidade dentária e aumentam a necessidade de intervenções protéticas precoces.

Várias bocas com Dentinogênese Imperfeita.
As características incluem coloração opalescente ou acastanhada, esmalte frágil, desgaste precoce, coroas bulbosas e obliteração parcial ou total da câmara pulpar. (Reprodução/Wiley Online Library)

Tipos de dentinogênese imperfeita

A classificação mais utilizada é a de Shields (1973), que categoriza a DI em três tipos principais:

Tipo I

Associada à osteogênese imperfeita, uma doença sistêmica caracterizada por fragilidade óssea, fraturas recorrentes e escleras azuladas.

Os dentes apresentam as características típicas da DI, mas a associação com alterações esqueléticas diferencia esse grupo.

Tipo II

É a forma mais comum, não associada à osteogênese imperfeita.

Afeta tanto a dentição decídua quanto a permanente, sendo frequentemente identificada em pacientes sem histórico de doenças sistêmicas.

Clinicamente, apresenta dentes opalescentes e radiograficamente câmaras pulpares obliteradas.

Tipo III

Mais rara, descrita principalmente em famílias da região de Maryland (EUA).

Caracteriza-se por dentes extremamente frágeis, com grande exposição pulpar e formação de bolhas dentinárias, além de câmaras pulpares ampliadas em vez de obliteradas.

Imagem mostra diferença entre Dentinogênese Imperfeita TIPO I, TIPO II e TIPO III.
Os Tipos I, II e III de dentinogênese imperfeita apresentam variações clínicas e genéticas, sendo o Tipo I associado à osteogênese imperfeita, o Tipo II restrito à dentição e o Tipo III caracterizado por alterações pulpares acentuadas. (Reprodução/IntechOpen)

Como diferenciar dentinogênese imperfeita e cárie?

Um dos principais desafios clínicos é diferenciar a DI de lesões cariosas.

Embora ambas resultem em coloração alterada e fragilidade dentária, há pontos-chave no diagnóstico:

  • Distribuição: a cárie apresenta padrão localizado e progressivo; já a DI afeta todos os dentes de forma generalizada.
  • Superfície: a cárie gera cavitações e amolecimento do tecido; na DI, a superfície é mais uniforme, ainda que desgastada.
  • Histórico familiar: na DI é comum identificar outros membros da família com os mesmos sinais clínicos.
  • Radiografia: na cárie, há perda localizada de estrutura; na DI, observam-se câmaras pulpares obliteradas ou alterações generalizadas na radiopacidade da dentina.
Boca de pessoa com Dentinogênese Imperfeita.
Para diferenciar dentinogênese imperfeita e cárie, é essencial realizar exame clínico e radiográfico, pois na condição genética há alteração estrutural generalizada, enquanto a cárie apresenta destruição localizada por processo infeccioso. (Reprodução/Dr Raghavendra Manjunath Shetty)

Como se prevenir?

Por ser uma condição genética, a dentinogênese imperfeita não pode ser prevenida em sua origem.

No entanto, é possível reduzir as complicações clínicas com medidas de proteção e acompanhamento precoce:

  1. Acompanhamento odontopediátrico desde a erupção dos primeiros dentes.
  2. Selantes e resinas protetoras para minimizar desgaste.
  3. Controle rigoroso de hábitos parafuncionais.
  4. Orientação nutricional para evitar sobrecarga mastigatória.
  5. Planejamento reabilitador precoce, evitando perda de dimensão vertical.
Dentista analisando dentes de paciente.
É preciso ter acompanhamento odontológico contínuo, para controlar o desgaste e a proteção das superfícies dentárias desde a infância. (Reprodução/DepositPhotos)

Qual é o tratamento para dentinogênese imperfeita?

O tratamento da DI depende da idade do paciente, do grau de severidade e da presença de comorbidades associadas.

 As principais opções incluem:

Terapia endodôntica

Indicada em casos de exposição pulpar ou comprometimento endodôntico.

A complexidade aumenta devido à anatomia alterada dos canais, exigindo maior domínio técnico do endodontista.

Implantes dentários

Podem ser considerados em pacientes adultos com perda dentária decorrente de fraturas.

Entretanto, a qualidade óssea deve ser avaliada, especialmente em casos de DI tipo I associada à osteogênese imperfeita.

Desenho mostra como implante é colocado.
O tratamento com implantes dentários pode ser indicado em casos de perda precoce dos elementos dentários, após avaliação criteriosa da condição óssea.

Facetas ou coroas dentais

Soluções restauradoras indicadas para devolver estética e função.

As coroas totais são frequentemente preferidas em dentes posteriores devido à maior resistência, enquanto facetas podem ser aplicadas em dentes anteriores, desde que haja estrutura remanescente suficiente.

Próteses parciais ou completas

Nos casos mais severos, quando há desgaste extremo ou perda generalizada de dentes, as próteses removíveis ou fixas podem restabelecer a função mastigatória.

Desenho mostra como prótese parcial é colocada.
O tratamento com próteses pode ser necessário quando há comprometimento severo da estrutura dental e perda funcional significativa. (Reprodução/DepositPhotos)

Materiais adesivos

O uso de resinas compostas e cimentos adesivos modernos tem permitido tratamentos menos invasivos e mais duradouros, embora a adesão ao substrato dentinário comprometido ainda represente desafio.

Ortodontia

A movimentação ortodôntica em pacientes com DI deve ser planejada com cautela, uma vez que a fragilidade dentária pode comprometer o resultado.

O acompanhamento integrado entre ortodontista e protesista é fundamental.

Imagens de boca de pessoa com dentinogênese imperfeita com e sem aparelho ortodôntico.
O tratamento na ortodontia deve ser cuidadosamente planejado, considerando a fragilidade estrutural dos dentes e o risco aumentado de fraturas. (Reprodução/Digital Smile Design)

Outras condições que afetam a estrutura dental

É importante lembrar que a DI não é a única alteração genética que compromete os tecidos dentários.

Entre as principais condições do diagnóstico diferencial estão:

  • Amelogênese imperfeita – afeta o esmalte dentário.
  • Hipomineralização molar-incisivo (HMI) – defeito de mineralização localizado.
  • Displasia dentinária – anomalia na dentina com características distintas da DI.

O conhecimento dessas condições permite ao cirurgião-dentista realizar um diagnóstico mais preciso e evitar condutas equivocadas.

Dentes com esmalte danificado devido a Amelogênese imperfeita.
Na imagem é possível ver o dente de quem posssui amelogênese imperfeita.

Conclusão

A dentinogênese imperfeita representa um desafio clínico que vai além da estética, comprometendo a função mastigatória e a qualidade de vida do paciente.

O diagnóstico precoce, associado a um plano de tratamento individualizado e multidisciplinar, é a chave para oferecer resultados mais previsíveis e satisfatórios.

Na prática odontológica, estar atualizado sobre condições como a DI amplia a capacidade do profissional em reconhecer alterações raras e propor soluções adequadas.

 É nesse ponto que a EAP-Goiás se destaca: com mais de 40 anos de atuação e referência em ensino, pesquisa e extensão, a instituição oferece cursos de especialização que capacitam o cirurgião-dentista para lidar com diferentes cenários clínicos.

Se você deseja aprofundar seus conhecimentos e conquistar mais segurança no atendimento, conheça os cursos de especialização da EAP-Goiás.

Invista no seu futuro profissional e faça parte de uma instituição reconhecida pela qualidade e excelência no ensino odontológico.

Referências: 

https://www.academiadaodontologia.com.br/dentinogenese-imperfeita-ou-carie/

https://www.colgate.com.br/oral-health/developmental-disabilities/what-is-dentinogenesis-imperfecta

https://docfy.net/casos-clinicos/dentinogenese-imperfeita-associada-a-osteogenese-imperfeita

https://www.codental.com.br/blog/dentinogenese-imperfeita-um-guia-completo-para-dentistas/

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

Receba novidades
por e-mail

Solicite contato

Deixe seu nome e telefone no formulário abaixo, em breve receberá uma ligação de nossa equipe.