29 set 2023
EAPGOIAS, Fique Sabendo

O que o dentista precisa saber do cimento resinoso?

dentista usando epis (máscara, touca e óculos)

É fato que o paciente que chega a um consultório odontológico trazendo uma queixa quer a melhor resolução possível para o seu problema. Principalmente quando o assunto é diretamente ligado a questões funcionais e estéticas do sorriso.

Pensando em ajudar o profissional sobre um tipo de material que poderá auxiliar bastante na hora de fixar próteses, coroas e outros objetos mais, trouxemos um artigo informativo sobre o cimento resinoso.

Um material que se encaixa perfeitamente em diversos procedimentos diferentes, podendo mudar a forma como o dentista trabalha.

Portanto, leia com atenção e esteja por dentro de mais essa prática.

aluno dentista da eap goiás sentado realizando procedimento em paciente
O cimento resinoso na odontologia é amplamente utilizado por sua alta resistência, estética e adesão duradoura em restaurações indiretas. (Reprodução/Imagem da EAP Goiás)

O que é cimento resinoso odontológico?

Em suma, o cimento resinoso é um material derivado da resina composta, utilizado para fixação em procedimentos odontológicos que dependam de uma união estável e durável para serem considerados corretos.

Dessa forma, o cimento resinoso é um material responsável por gerar um selamento entre dois elementos, formando uma película fina, uniforme e sem bolhas.

Dentre as características atribuídas a procedimentos que utilizam o cimento resinoso como ferramenta, podemos ressaltar os seguintes itens:

  • Ótima adesão a estruturas de metal;
  • Pouco visível, proporcionando um resultado altamente estético;
  • Proporcionar uma cimentação de qualidade. Ou seja, permite que as restaurações indiretas ou próteses dentárias se mantenham fixas aos elementos da arcada;
  • Confere resistência ao remanescente dental;
  • Favorece a retenção de núcleos metálicos fundidos, pinos pré-fabricados e traz um desempenho de aderência a esses materiais;
  • Impede infiltrações, dando um resultado mais previsível e durável aos tratamentos que o utilizam;
  • Fácil manipulação;
  • Alto custo. Justamente por fornecer tantos benefícios, é comum que os tratamentos que utilizam o cimento resinoso tenham um custo maior que os demais.
passo-a-passo de como fazer cimentação na odontologia
O cimento resinoso é um material odontológico versátil usado para aderir restaurações. (Reprodução/3M)

Tipos de Cimento Resinoso

O cimento resinoso é um material utilizado em diversos procedimentos e materiais. No entanto, para ter o melhor aproveitamento possível e ter um uso eficiente, é indicado que o profissional conheça suas as variações e suas peculiaridades.

Logo abaixo, trouxemos os três tipos e principais características, confira:

1- Cimento Ativado Quimicamente

Conforme o nome já dá a entender, esse tipo de cimento resinoso tem sua ativação através de reações químicas acontecidas entre a mistura da pasta base e da pasta catalisadora.

Ou seja, antes da efetiva utilização, o dentista mistura as pastas a fim de formar uma substância homogênea, que tem uma secagem em poucos minutos e traz um resultado vantajoso para peças com espessura maior do que 3 milímetros.

Então, o cimento ativado quimicamente, ou autopolimerizável, é um tipo de material aplicado principalmente em cimentações metalocerâmicas, restaurações metálicas-fundidas e peças indiretas.

Porém, ressalta-se que é um material com menos opções de cor e incompatível com sistemas adesivos simplificados.

Cimento Ativado Quimicamente da marca dfl
O cimento autopolimerizável é um tipo de cimento para dente que endurece sem a necessidade de luz, sendo ideal para áreas de difícil acesso. (Reprodução/DFL)

2- Cimento Fotopolimerizável

Diferente da opção anterior, nesta modalidade a polimerização do cimento é feita através da exposição à luz. Sendo assim, o dentista utiliza de uma ferramenta chamada lâmpada de cura para ativação da substância.

Destaca-se ainda que, neste caso, a lâmpada de secagem, não é uma comum, ela possui uma cor azul e comprimento de onda específico para o processo (200 a 450 nm).

E conforme se altera o meio de ativação, também alteram-se as indicações de uso.

Dessa forma, o cimento fotopolimerizável é indicado para procedimentos que demandem uma secagem mais alta e possuam estruturas com até 1 milímetro.

O que é justificado no fato de que estruturas com espessuras mais grossas podem não receber a luz adequada para a secagem, inviabilizando o procedimento.

Portanto, é um tipo cimento indicado para cirurgias mais elaboradas e demoradas, que demandem de um resultado com maior efeito  estético e funcional, tal como ocorre nas facetas de porcelana e nas restaurações indiretas.

Caixa de cimento resinoso fotopolimerizável da marca Allcem
O cimento fotopolimerizável requer luz para ativar sua cura e é indicado em situações onde há boa exposição à luz, como facetas e coroas anteriores; já o cimento cirúrgico odontológico tem outra finalidade, como proteção em pós-operatórios. (Reprodução/Allcem Veneer)

3- Cimento Dual

Aliando ambos os processos supracitados, o cimento dual, tem o processo de polimetrização tanto por meio químico quanto pela exposição luminosa. Ou seja, é necessário que haja uma dupla ativação para a completa cimentação da substância.

Dessa forma, tem-se um material que dá tempo de trabalho razoável e que contemple peças de tamanho razoável, com espessura de até 3 milímetros.

Portanto, é um material muito utilizado em restaurações indiretas de cerâmica, inlays, onlays e coroas.

Cimento Dual da marca fgm
O cimento resinoso dual combina cura química e fotopolimerizável, oferecendo maior versatilidade em procedimentos restauradores. (Reprodução/Allcem)

Como aplicar o cimento resinoso?

Necessário dizer que além de ser classificado de acordo com a forma de ativação (tipos supracitados), o cimento resinoso também pode ser classificado de acordo com o tipo de pré-tratamento do substrato. E nesse caso, são dois tipos:

  • Convencional, quando necessita preparação com ácido fosfórico a 37%;
  • Adesivo, quando a aplicação ocorre em um único passo, sem precisar de agente adesivo.

Conclui-se que de acordo com o tipo de cimento resinoso escolhido pelo dentista, mudam-se alguns detalhes da forma de aplicação.

Mas, em resumo, primeiro é feito a preparação do remanescente dentário e da coroa.

Posteriormente, são realizadas a seleção, a prova e o corte do pino. Por último é realizada a limpeza do ambiente e a aplicação do cimento.

O cimento para dente tem indicações clínicas de aplicação em coroas, inlays, onlays e facetas, proporcionando adesão eficaz entre estrutura dentária e material restaurador. (Reprodução/Glidewell)

Quais as principais características dos cimentos resinosos?

Para melhor orientação, também é importante que o profissional conheça os detalhes físicos dos cimentos resinosos. Portanto, decidimos listá-los logo abaixo, confira:

  • Encolhimento: A depender do preenchimento utilizado, é possível que os cimentos encolham entre 6% (fluidas) e 13% (adesivas);
  • Propriedade física: Estas podem ser influenciadas pelo tipo de mistura, a temperatura, o preenchimento e até por possível contaminação externa;
  • Fluidez: Ou seja, de acordo com a temperatura será possível ver uma redução ou aumento de atrito entre coroa e remanescente dentário;
foto de dente com cimento resinoso aplicado na parte superior
O conhecimento das etapas do procedimento, incluindo a pré-tratamento da superfície do dente e da restauração, é essencial para o sucesso do cimento resinoso. (Reprodução/Wordpress)

Compatibilidade do cimento resinoso com o paciente

Conforme pode ser observado no decorrer do artigo, o cimento resinoso pode sofrer mudanças de acordo com o procedimento adotado e o paciente que recebe.

Uma vez que quando a cimentação é introduzida, ela pode entrar em contato com pinos, resina, utensílios metálicos, adesivos e facetas, chegando a desencadear certas reações químicas na boca do paciente.

Portanto, a famosa anamnese é parte importante para a decisão de usar ou não o cimento resinoso como material para tratamento. Nessa etapa, o dentista deve analisar o perfil, as condições bucais e até os procedimentos que o paciente possa ter realizado anteriormente.

Assim, será possível que o profissional analise possíveis incompatibilidades com qualquer estrutura pré-existente.

foto de dente com cimento resinoso aplicado na parte superior
A escolha do sistema de cimento resinoso também deve considerar fatores como a estética, a estabilidade de cor e a biocompatibilidade. (Reprodução/FGM Dental Group)

O que são cimentos resinosos autoadesivos?

O cimento resinoso autoadesivo é um material utilizado na cimentação definitiva de restaurações indiretas, como onlays, coroas e próteses fixas confeccionadas em cerâmica, metal, metalocerâmica e resina composta. Também é indicado para cimentação de núcleos metálicos fundidos e pinos intra-radiculares de fibra de carbono, fibra de vidro ou zircônia.

Não é indicado para cimentação de braquetes ortodônticos e facetas, pois pode ocorrer alteração de cor após a presa, explica Isabella Ferreira. Também não é recomendado quando há extensa presença de esmalte, devido à limitação na adesão a esse tecido.

Sua principal característica é dispensar etapas como o condicionamento ácido, aplicação de primer e adesivo, o que reduz o tempo clínico e minimiza a sensibilidade técnica.

Entre suas vantagens, estão a aplicação simplificada, com menos etapas clínicas, menor sensibilidade pós-operatória, boa biocompatibilidade, redução da microinfiltração e da influência da umidade. Já nas desvantagens está a alta viscosidade, gama limitada de cores disponíveis e prazo de validade reduzido em algumas marcas.

seringa com cimento resinoso autoadesivo
O cimento autoadesivo dispensa o uso de sistemas adesivos separados, simplificando o procedimento clínico e reduzindo o tempo de trabalho do profissional. (Reprodução/Dental Prodentista)

Cimentos odontológicos tradicionais

Essa matéria é sobre os cimentos resinosos, e utilizar resina é algo mais recente. Assim, existem materiais mais antigos que ainda podem ser usados nos consultórios. São eles:

Fosfato de zinco

Costuma ser usado na cimentação de restaurações, como coroas, pontes e inlays, por ter alta resistência. A desvantagem é não ter adesividade, o que significa que não se liga quimicamente ao dente nem à estrutura protética após secar, o que pode levar a microfiltração, isto é, criar uma passagem de bactérias, fluidos e afins, entre o dente e o material restaurador por falhas na vedação.

Óxido de zinco com eugenol (OZE)

Indicado para restaurações de curta duração, porque possui efeito sedativo na polpa e é anti-inflamatório. No entanto, não tem alta resistência e não é esteticamente agradável.

  • Tipo I: usado como cimento provisório odontológico.
  • Tipo II: usado para bases cavitárias e possui duração maior.
Imagem de Óxido de zinco em pó e eugenol liquido da marca maquira.
O cimento resinoso OZE I é usado para restaurações provisórias, para utilizar esse cimento provisório na odontologia é misturado sua parte líquida e em pó com a espátula n.º 36 em cima da placa. (Reprodução/Maquira)

Tem mais algum tópico que você gostaria que fosse abordado no texto? Deixe nos comentários!

Referência: Monografia sobre Cimentos Resinosos Autoadesivos

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

**Os produtos foram mostrados apenas para efeito de visualização, não há publicidade nesse texto.

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