Imagine a seguinte situação: você, cirurgião-dentista, realiza um procedimento padrão em um paciente, mas dias depois ele retorna ao consultório com sintomas graves de endocardite bacteriana.
Essa realidade, embora rara, é um alerta para a importância da prevenção e do conhecimento sobre essa condição.
Neste artigo, vamos explorar a endocardite bacteriana na odontologia, desde suas causas até o tratamento adequado.

Sumário
- Quais são as camadas do coração?
- O que é a endocardite?
- Qual a causa da endocardite?
- Qual a relação da endocardite bacteriana com a odontologia?
- Quais são os tipos de endocardite?
- Sintomas da endocardite
- Tratamento da endocardite
- Conclusão
- Referências:
Quais são as camadas do coração?
As camadas do coração são os diferentes tecidos que compõem sua estrutura, que é composta por três camadas principais, cada uma com funções específicas:
Endocárdio:
Composto por tecido endotelial, é a camada mais interna do coração.
Sua principal função é revestir as cavidades cardíacas, incluindo as câmaras (átrios e ventrículos) e as válvulas cardíacas.
O endocárdio é responsável por manter o sangue fluindo suavemente através do coração, evitando a formação de coágulos.
Miocárdio:
É a camada média e a mais espessa do coração, composta por músculo cardíaco (ou músculo estriado cardíaco).
O miocárdio é responsável por bombear o sangue para todo o corpo.
Durante a contração cardíaca (sístole), o miocárdio se contrai para bombear o sangue para fora do coração.
Durante o relaxamento cardíaco (diástole), o miocárdio relaxa para permitir que o coração se encha de sangue.
Pericárdio:
É a camada externa do coração, composta por duas partes: o pericárdio fibroso (externo) e o pericárdio seroso (interno).
O pericárdio fibroso é uma camada resistente e fibrosa que protege o coração e o mantém no lugar correto no tórax.
O pericárdio seroso é uma membrana fina que produz um líquido lubrificante que reduz o atrito à medida que o coração bate.
Essas três camadas trabalham juntas para garantir que o coração funcione adequadamente, bombeando sangue rico em oxigênio para o resto do corpo e removendo produtos residuais do metabolismo.
O conhecimento sobre a estrutura e a função do coração é essencial para compreender como certas condições, como a endocardite bacteriana, podem afetar esse órgão vital.

O que é a endocardite?
A endocardite é uma condição médica caracterizada pela inflamação do endocárdio, que é a camada mais interna do coração.
Geralmente, essa inflamação é causada por uma infecção bacteriana que entra na corrente sanguínea pela boca.
Quando as bactérias alcançam o coração, elas podem se alojar no endocárdio e causar uma infecção.
Em casos mais graves, a endocardite pode levar a complicações cardíacas, como insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC)..
É importante que os profissionais de saúde estejam cientes dessa condição e tomem medidas para preveni-la em pacientes de alto risco.

Qual a causa da endocardite?
A endocardite bacteriana geralmente ocorre quando bactérias presentes em outra parte do corpo entram na corrente sanguínea e se alojam no revestimento interno do coração (endocárdio), especialmente nas válvulas cardíacas ou em áreas danificadas do endocárdio.
As causas comuns incluem:
1. Procedimentos dentários e médicos: Durante tratamentos odontológicos ou procedimentos médicos invasivos.
2. Infecções em outras partes do corpo: Infecções em locais como a pele, trato urinário ou intestinal podem levar à entrada de bactérias na corrente sanguínea.
3. Problemas cardíacos pré-existentes: Pessoas com válvulas cardíacas anormais, doença cardíaca congênita ou histórico de endocardite estão em maior risco.
4. Uso de drogas injetáveis: O compartilhamento de agulhas para uso de drogas aumenta o risco de infecção bacteriana.
5. Outros fatores: Além disso, pessoas com histórico de endocardite, válvulas cardíacas artificiais ou que precisam de cirurgia cardíaca também estão em maior risco.
Essas situações aumentam a probabilidade de as bactérias causadoras de endocardite entrarem na corrente sanguínea e se alojarem no coração, resultando na inflamação do endocárdio.

Qual a relação da endocardite bacteriana com a odontologia?
A relação entre a endocardite bacteriana e a odontologia é importante devido ao potencial de bactérias presentes na cavidade oral de entrarem na corrente sanguínea durante procedimentos odontológicos invasivos, como extrações dentárias ou limpezas profundas.
Isso pode levar à colonização de bactérias no endocárdio, causando endocardite em pacientes predispostos.
Pacientes com maior risco de endocardite bacteriana, como aqueles com válvulas cardíacas artificiais ou histórico de endocardite, devem receber profilaxia antibiótica antes de procedimentos odontológicos que possam causar sangramento gengival e a liberação de bactérias na corrente sanguínea.
Essa medida preventiva visa reduzir o risco de desenvolver endocardite bacteriana.
Nesse contexto, a manutenção da saúde bucal adequada é fundamental para prevenir a proliferação de bactérias na cavidade oral.
A escovação regular, o uso de fio dental e visitas regulares ao dentista são essenciais para manter a saúde bucal.
Por parte do dentista, é importante seguir uma desinfecção correta do consultório antes de cada paciente.

Quais são os tipos de endocardite?
A endocardite pode ser classificada em dois tipos principais: endocardite infecciosa (ou bacteriana) e endocardite não infecciosa.
Cada tipo tem características distintas que afetam o tratamento e o prognóstico do paciente.
Endocardite infecciosa (bacteriana)
A endocardite infecciosa, também conhecida como endocardite bacteriana, é o tipo mais comum de endocardite e ocorre quando bactérias entram na corrente sanguínea e se alojam no endocárdio, causando uma infecção.
As bactérias mais comuns envolvidas nesse tipo de endocardite são as estreptococos e estafilococos ou fungos, que são comumente encontradas na cavidade oral e podem ser liberadas na corrente sanguínea durante procedimentos odontológicos invasivos.
Endocardite não infecciosa
A endocardite não infecciosa é menos comum e ocorre devido a causas não relacionadas a infecções bacterianas.
Pode ser causada por condições como trauma físico ao coração, reações autoimunes ou exposição a certas substâncias químicas.
Os sintomas e o tratamento da endocardite não infecciosa podem variar dependendo da causa subjacente.
É importante que os profissionais da odontologia estejam cientes dos diferentes tipos de endocardite, especialmente da endocardite infecciosa, e tomem medidas preventivas, como a profilaxia antibiótica em pacientes de alto risco, para reduzir a incidência dessa condição grave.

Sintomas da endocardite
A endocardite é uma condição séria que pode apresentar uma variedade de sintomas, como:
- Febre:
Uma febre persistente, muitas vezes com picos de temperatura ao longo do dia, é um sintoma comum da endocardite.
- Fadiga:
Sentir-se excessivamente cansado ou sem energia, mesmo após o repouso adequado, pode ser um sintoma da doença.
- Perda de peso não intencional:
Uma perda de peso inexplicada pode ocorrer em pessoas com endocardite.
- Dores articulares e musculares:
Dores nas articulações e músculos podem ocorrer, muitas vezes sendo confundidas com sintomas de gripe.
- Manchas na pele:
Manchas vermelhas ou roxas na pele, conhecidas como petéquias, podem aparecer devido a pequenos sangramentos sob a pele.
- Sintomas neurológicos:
Em casos mais graves, a endocardite pode causar sintomas neurológicos, como confusão, dificuldade de fala ou movimento e até mesmo convulsões.
- Sintomas cardíacos:
Complicações cardíacas, como insuficiência cardíaca, podem ocorrer em casos graves de endocardite.
É importante estar ciente desses sintomas e procurar ajuda médica se você ou alguém que você conhece apresentar sintomas de endocardite. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para o manejo eficaz dessa condição.

Tratamento da endocardite
O tratamento da endocardite bacteriana é complexo e geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar.
O objetivo principal do tratamento é erradicar a infecção bacteriana e prevenir danos permanentes ao coração.
Aqui estão as principais abordagens terapêuticas:
Antibioticoterapia:
O uso de antibióticos é fundamental no tratamento da endocardite bacteriana.
O tipo de antibiótico e a duração do tratamento dependem do tipo de bactéria envolvida e da gravidade da infecção.
Os antibióticos são frequentemente administrados por via intravenosa e o tratamento pode durar várias semanas a meses.
Cirurgia:
Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária para reparar ou substituir válvulas cardíacas danificadas pela infecção.
A cirurgia também pode ser realizada para drenar abscessos ou remover tecido infectado.

Monitoramento:
Durante o tratamento, é essencial monitorar de perto a resposta do paciente aos antibióticos e a evolução da infecção.
Isso pode ser feito por meio de exames laboratoriais, ecocardiogramas e outros exames de imagem.
Prevenção:
Em pacientes com alto risco de endocardite recorrente, como aqueles com válvulas cardíacas artificiais, a profilaxia antibiótica antes de procedimentos odontológicos e médicos invasivos pode ser recomendada para prevenir futuras infecções.
É importante que o tratamento da endocardite seja iniciado o mais rápido possível para reduzir o risco de complicações graves, como insuficiência cardíaca, embolia pulmonar ou acidente vascular cerebral.
O acompanhamento médico regular também é essencial para garantir a eficácia do tratamento e prevenir recorrências da infecção.

Conclusão
Em síntese, a endocardite bacteriana na odontologia representa uma condição grave, porém evitável, especialmente com a adoção da profilaxia antibiótica antes de procedimentos invasivos.
É fundamental que os profissionais da odontologia estejam plenamente conscientes desse risco e tomem medidas proativas para proteger seus pacientes.
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Referências:
https://www.codental.com.br/blog/endocardite-bacteriana-na-odontologia-guia-completo
https://www.ctcor.com.br/blog/endocardite-o-que-e-tipos-causas-sintomas-diagnostico-e-tratamento
https://domoclinica.com.br/endocardite-infecciosa-o-coracao-e-a-boca
https://www.kenhub.com/pt/library/anatomia/camadas-do-coracao
https://ulbra-to.br/morfologia/2011/08/17/Sistema-Circulatorio
https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/endocardite
*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.