18 jul 2025
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Como entender exames laboratoriais na odontologia?

Profissional de laboratório está pegando um frasco de exame de sangue e anotando em papel na prancheta.

Na rotina clínica do cirurgião-dentista, lidar com pacientes que apresentam condições sistêmicas complexas tornou-se cada vez mais frequente.

Diante disso, entender e interpretar exames laboratoriais deixou de ser uma prática exclusiva da medicina e passou a ser uma ferramenta fundamental na odontologia moderna.

Este conhecimento permite uma abordagem segura, preventiva e personalizada, especialmente em procedimentos invasivos, pacientes com comorbidades ou em uso contínuo de medicamentos.

Se você, profissional da odontologia, deseja aprimorar sua atuação clínica e se destacar pelo cuidado integral ao paciente, este artigo é para você.

Vamos abordar, com profundidade, quais exames laboratoriais na odontologia podem ser solicitados, como interpretá-los corretamente e, mais importante, como aplicar esse conhecimento na tomada de decisões clínicas.

Profissional da saúde em laboratório segurando frasco de plástico com sangue de exame.
O dentista pode solicitar exames laboratoriais complementares que auxiliem no diagnóstico e planejamento do tratamento odontológico. (Reprodução/Unsplash)

Sumário

Quais exames o dentista pode pedir?

O cirurgião-dentista, dentro de suas competências legais e técnicas, pode solicitar exames laboratoriais sempre que forem necessários para complementar o diagnóstico, avaliar o estado geral do paciente ou planejar procedimentos odontológicos.

Entre os exames mais comuns na prática odontológica estão:

  • Hemograma completo;
  • Coagulograma (incluindo TP, TTPa e INR);
  • Glicemia de jejum e hemoglobina glicada;
  • Sorologias (HIV, hepatite B e C);
  • Ureia e creatinina (função renal);
  • Enzimas hepáticas (TGO, TGP);
  • Proteína C reativa (PCR);
  • Eletroforese de proteínas, em casos específicos.

Esses exames são fundamentais para garantir a segurança do paciente durante procedimentos cirúrgicos, para o correto uso de anestésicos e antibióticos, e ainda para detectar alterações sistêmicas que podem se manifestar na cavidade oral.

Após tirar o sangue, o enfermeiro coloca algodão no local da agulha e pressiona com o paciente.
Entre os exames mais solicitados estão o hemograma completo, coagulograma, glicemia e exames sorológicos. (Reprodução/Unsplash)

Qual a importância dos exames laboratoriais na odontologia?

A odontologia atual demanda uma atuação clínica que vá além da cavidade bucal.

O conhecimento dos exames laboratoriais oferece ao dentista a possibilidade de:

  • Identificar riscos sistêmicos antes de intervenções invasivas;
  • Monitorar condições clínicas que interferem na saúde bucal (como diabetes, anemias, doenças hepáticas);
  • Avaliar o uso de medicamentos anticoagulantes e ajustar o plano de tratamento;
  • Detectar sinais de imunossupressão ou infecções sistêmicas;
  • Promover o cuidado humanizado e seguro, respeitando os limites de cada paciente.

Essa abordagem torna-se essencial em um cenário clínico cada vez mais voltado à biossegurança e à integração com outras áreas da saúde.

A capacidade de compreender parâmetros laboratoriais permite ao dentista antever possíveis complicações, identificar alterações subclínicas e adotar condutas preventivas com base em evidências.

O entendimento desses exames também possibilita maior assertividade na prescrição medicamentosa e na indicação de procedimentos invasivos, principalmente em pacientes idosos, imunocomprometidos ou com histórico de doenças crônicas.

Portanto, a interpretação correta dos exames laboratoriais é uma competência técnica que amplia o olhar clínico do dentista e fortalece sua atuação interdisciplinar.

Desenho de composição do sangue
Esses exames ajudam a identificar condições sistêmicas que impactam diretamente a saúde bucal e a segurança dos procedimentos clínicos e cirúrgicos. (Reprodução/Toda Matéria)

1ª Parte do Hemograma: Análise do Eritrograma

O eritrograma investiga os componentes relacionados aos glóbulos vermelhos (hemácias) e fornece indícios sobre anemias, hipoxias, doenças hematológicas e estados inflamatórios crônicos.

Os principais parâmetros são:

Contagem de eritrócitos (E)

Indica a quantidade de hemácias por milímetro cúbico de sangue.

Valores reduzidos sugerem anemia, enquanto valores elevados podem estar relacionados a desidratação ou hipóxia.

Dosagem de hemoglobina (Hgb)

Reflete a capacidade de transporte de oxigênio do sangue.

Níveis baixos apontam para anemia, sendo fundamental sua avaliação antes de cirurgias.

Valor do hematócrito (Hct)

Percentual de glóbulos vermelhos em relação ao volume total de sangue.

Acompanhado das demais variáveis, ajuda a classificar o tipo de anemia.

Volume corpuscular médio (VCM)

O volume corpuscular médio (VCM) ou volume globular médio (VGM) informa o tamanho médio das hemácias.

Auxilia na diferenciação entre anemias microcíticas, normocíticas e macrocíticas.

Nível e concentração de hemoglobina corpuscular média (HCM)

Avalia a quantidade absoluta e relativa de hemoglobina em cada hemácia.

Importante para identificar anemias hipocrômicas.

Red Cell Distribution Width (RDW)

Indica a variação do tamanho das hemácias.

Valores aumentados estão associados a anemias carenciais e doenças crônicas.

Tabela com valores de referência do eritograma, parte dos exames laboratoriais na odontologia.
O eritrograma avalia parâmetros como hemoglobina, hematócrito e hemácias, fundamentais para detectar anemias que podem comprometer a cicatrização. (Reprodução/MD Saúde)

2ª Parte do Hemograma: Série plaquetária

A avaliação das plaquetas é essencial para determinar o risco de sangramentos.

A contagem plaquetária deve estar entre 150.000 a 400.000/µL.

Valores abaixo de 100.000/µL podem comprometer a hemostasia, exigindo cuidados extras em cirurgias.

Já valores acima do normal indicam riscos trombóticos, especialmente em pacientes sistêmicos.

Valores de referência da série plaquetária.
A série plaquetária indica a quantidade e funcionalidade das plaquetas, sendo essencial para avaliar o risco de sangramentos em procedimentos invasivos. (Reprodução/Descomplica)

3ª Parte do Hemograma: Leucograma

O leucograma revela o comportamento das células de defesa.

Alterações leucocitárias podem indicar infecções, inflamações ou distúrbios hematológicos.

  • Leucocitose: comum em infecções bacterianas agudas e estados inflamatórios;
  • Leucopenia: pode indicar imunossupressão ou uso de medicamentos como quimioterápicos;
  • Desvios à esquerda: surgimento de formas jovens de neutrófilos (bastões), comum em infecções agudas;
  • Eosinofilia: vista em processos alérgicos ou parasitários.
Valores de referência do leucograma.
O leucograma analisa os glóbulos brancos, ajudando a detectar infecções ou distúrbios imunológicos que podem interferir no tratamento odontológico. (Reprodução/Prof. Paulo Roberto de Melo Reis)

Quais alterações no hemograma o dentista precisa se preocupar?

Para a prática odontológica segura, as seguintes alterações merecem atenção:

  • Anemias graves: podem aumentar o risco de hipóxia durante procedimentos;
  • Plaquetopenia significativa (< 100.000/µL): eleva risco de hemorragias;
  • Leucocitose com desvio: sugere infecção ativa e contraindica procedimentos eletivos;
  • Leucopenia intensa: indica imunossupressão, exigindo precauções no atendimento.
Profissional de laboratório está pegando um dos frascos de sangue.
Anemias, leucocitoses, leucopenias e trombocitopenias são achados importantes que podem contraindicar ou demandar ajustes nos procedimentos. (Reprodução/Freepik)

Como analisar o coagulograma?

O coagulograma é o conjunto de exames que avaliam o sistema de coagulação do paciente.

É essencial em pacientes com uso de anticoagulantes, histórico de sangramentos ou doenças hepáticas.

Tempo de sangramento (TS)

Avalia a hemostasia primária.

Embora pouco solicitado hoje, pode ser indicado em suspeitas de plaquetopatias.

Tempo de coagulação (TC)

Mede o tempo para formação de coágulo.

Valores alterados sugerem distúrbios na cascata da coagulação.

Tempo de protrombina (TP)

Analisa a via extrínseca da coagulação. Importante em pacientes que fazem uso de varfarina.

Tempo de protrombina parcial ativada (TTPa)

Avalia a via intrínseca da coagulação.

Alterado em deficiências de fatores ou em uso de heparina.

Índice de normalização internacional (INR)

Padroniza o TP. Em odontologia, valores acima de 3,0 representam risco aumentado de sangramento e exigem avaliação médica antes de cirurgias.

Desenho mostrando coagulação no sangue.
O coagulograma avalia o tempo de sangramento e coagulação (TP, TTPa, INR), sendo indispensável antes de cirurgias e extrações dentárias. (Reprodução/Shutterstock)

Quais alterações no coagulograma apresentam risco na odontologia?

  • INR > 3,0: contraindica procedimentos invasivos sem controle médico;
  • TP ou TTPa muito elevados: apontam para coagulopatias graves;
  • TS prolongado: indica disfunção plaquetária;
  • Plaquetopenia associada a alterações de TP/TTPa: exige intervenção conjunta com hematologista.

A interpretação precisa desses parâmetros é essencial para evitar complicações hemorrágicas e garantir a segurança do paciente.

Após etiquetar, colocando frasco de sangue com os outros.
Alterações como tempo de protrombina aumentado, INR elevado ou distúrbios na agregação plaquetária indicam maior risco de sangramentos e exigem cuidados específicos. (Reprodução/Freepik)

Conclusão

Compreender os exames laboratoriais não é um luxo, é uma necessidade para o cirurgião-dentista contemporâneo.

Ao integrar os dados laboratoriais à anamnese e ao exame clínico, o profissional eleva o nível da sua prática, atua com mais segurança e reforça a confiança do paciente.

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Referências:

https://journalhealthscience.pgsscogna.com.br/JHealthSci/article/view/459/430

https://blog.suryadental.com.br/analise-de-exames-laboratoriais

https://www.idealodonto.com.br/blog/5-passos-fazer-analise-exames-laboratoriais-odontologia/

https://blog.dentalspeed.com/como-entender-exames-de-sangue-na-odontologia

*O texto acima foi preparado a partir de muita pesquisa para ajudar nas suas dúvidas. Porém, não foi escrito por um profissional de odontologia. A EAP não se responsabiliza pelas informações, pois não possuem caráter científico.

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