A anatomia dentária é um universo de detalhes que moldam a prática clínica odontológica.
Ao longo da formação e atuação profissional, compreender minuciosamente cada estrutura do dente é essencial para garantir diagnósticos precisos, planos de tratamento eficientes e registros corretos nos prontuários.
Dentre esses detalhes, as faces dos dentes representam um conhecimento basilar, mas muitas vezes subestimado.
Você, profissional da odontologia, certamente já nomeou ou anotou uma cárie na face distal de um molar ou indicou uma restauração na face vestibular de um incisivo.
Mas será que domina todos os conceitos, divisões e nomenclaturas de forma atualizada e integrada com os demais sistemas de registro clínico?
Neste artigo, vamos rever, aprofundar e refletir sobre a importância das faces dentárias na rotina odontológica, com uma abordagem técnica, clara e alinhada às exigências acadêmicas e clínicas da profissão.

O que são as faces dos dentes?
As faces dos dentes são as diferentes superfícies que compõem a estrutura externa dos elementos dentários.
Cada face possui uma localização anatômica específica e uma função determinada no contexto da mastigação, fonética, estética e saúde bucal.
A nomenclatura das faces é padronizada internacionalmente, o que facilita a comunicação entre profissionais, além de ser essencial para a descrição correta de tratamentos, como restaurações, desgastes, lesões cariosas e inserções protéticas.
Essas superfícies são designadas de acordo com sua posição em relação ao arco dentário e à cavidade oral como um todo.

Por que é importante as faces dos dentes no odontograma?
O odontograma é uma representação gráfica que permite o registro detalhado da condição de cada dente na cavidade oral.
Nele, as faces dentárias são identificadas individualmente, o que torna possível registrar alterações clínicas com exatidão.
Ao utilizar corretamente as nomenclaturas das faces no odontograma, o cirurgião-dentista assegura:
- A clareza no prontuário do paciente;
- A precisão na prescrição e execução dos tratamentos;
- A rastreabilidade e confiabilidade nos procedimentos realizados;
- A padronização das informações em auditorias clínicas e relatórios técnicos;
- A comunicação assertiva com laboratórios de prótese e outros especialistas.
Portanto, compreender e aplicar corretamente as divisões das faces dos dentes é uma prática indispensável na rotina clínica e acadêmica.

Quais são as faces dos dentes?
As faces dos dentes podem ser classificadas em diferentes grupos, conforme sua localização e relação com a arcada dentária.
Veja a seguir suas divisões:
Faces Livres
As faces livres são aquelas que não fazem contato direto com dentes adjacentes e estão voltadas para os tecidos moles da cavidade oral.
Face vestibular
A face vestibular é a superfície do dente voltada para a parte externa da boca.
Nos dentes anteriores (incisivos e caninos), ela é também chamada de face labial.
Nos posteriores (pré-molares e molares), é denominada face bucal, pois se posiciona próxima à bochecha.
Essa face é altamente relevante nos tratamentos estéticos e ortodônticos, por estar diretamente visível no sorriso.
Face Lingual/Palatal
A face lingual corresponde à superfície interna dos dentes inferiores, voltada para a língua.
Nos dentes superiores, a nomenclatura mais adequada é face palatina, pois essa área está direcionada ao palato duro.
Ambas exercem papel importante na mastigação e na movimentação da língua durante a fala.

Faces Proximais
As faces proximais são aquelas que estão em contato com os dentes vizinhos na mesma arcada.
São fundamentais para o correto posicionamento dentário e manutenção do ponto de contato interproximal.
Face Mesial
A face mesial é aquela voltada para a linha média da arcada, ou seja, para a frente da boca.
Em outras palavras, é a superfície do dente que se aproxima do centro da arcada dentária.
Face Distal
Já a face distal é a superfície oposta à mesial, ou seja, voltada para trás, afastando-se da linha média.
Compreender a diferença entre mesial e distal é essencial, por exemplo, em preparos cavitários e descrições de lesões cariosas.

Face Oclusal/Incisal
Esta face é a responsável pela função mastigatória dos dentes.
Em dentes posteriores (pré-molares e molares), ela recebe o nome de face oclusal, sendo a superfície que entra em contato com o antagonista durante a oclusão.
Nos dentes anteriores (incisivos e caninos), essa região é chamada de face incisal, representando a borda cortante do dente.
A análise dessa face é crucial na avaliação de desgastes, fraturas, guias anteriores e procedimentos restauradores.

Face Cervical
A face cervical não é, tecnicamente, uma face tradicional como as demais, mas refere-se à região do dente mais próxima à junção com a gengiva, na área do colo do dente.
Essa região tem grande importância clínica, pois é frequentemente acometida por lesões cervicais não cariosas, retrações gengivais e hipersensibilidade.

Quais são os terços dos dentes?
Cada face do dente pode ser dividida em três partes iguais, denominadas terços.
Essa divisão é utilizada para localizar com maior precisão alterações, intervenções clínicas ou características anatômicas.
Os terços são:
- Terço cervical: mais próximo à gengiva;
- Terço médio: região intermediária;
- Terço incisal/oclusal: mais próximo à borda cortante ou à superfície de mastigação.
A divisão em terços também pode ser aplicada nos sentidos vertical e horizontal, dependendo da face avaliada.
Por exemplo, na face vestibular de um incisivo, o terço incisal representa a área mais estética, sendo determinante para o planejamento de laminados cerâmicos.

O que é a linha média?
A linha média é um conceito anatômico e clínico essencial, que corresponde a uma linha imaginária traçada verticalmente entre os incisivos centrais superiores e inferiores.
Serve como ponto de referência em procedimentos estéticos, ortodônticos e reabilitadores.
Desvios na linha média podem indicar desequilíbrios oclusais, assimetrias faciais ou má oclusões, sendo importantes no diagnóstico e no planejamento interdisciplinar.
A correta identificação da linha média contribui para o alinhamento harmonioso das estruturas dentárias e faciais.

Como ter uma observação eficiente?
A observação eficiente das faces dentárias envolve um conjunto de habilidades clínicas, domínio da anatomia dental e uso adequado de instrumentos e recursos tecnológicos.
Algumas estratégias recomendadas incluem:
- Utilizar iluminação adequada e lupas de aumento;
- Explorar diferentes ângulos com espelhos bucais;
- Registrar informações detalhadas no odontograma com nomenclatura padronizada;
- Integrar as imagens clínicas (fotografias e radiografias) ao diagnóstico;
- Manter a atualização constante em anatomia dental e morfologia.
Além disso, a prática contínua e a troca de experiências com colegas e professores contribuem para aprimorar a acurácia na identificação e descrição das faces dentárias.

Conclusão
O conhecimento detalhado sobre as faces dos dentes não é apenas um aspecto teórico da anatomia dental, mas uma ferramenta essencial para a prática clínica segura, eficiente e baseada em evidências.
Saber nomear, localizar e compreender cada superfície dentária reflete diretamente na qualidade dos registros, diagnósticos e intervenções.
Na EAP Goiás, o ensino odontológico é levado a sério, com foco no desenvolvimento técnico e humano do profissional.
Se você deseja se aprofundar ainda mais na anatomia, morfologia e clínica odontológica, conheça os cursos de especialização oferecidos pela instituição.
Com mais de quatro décadas de história e compromisso com a excelência, a EAP Goiás é referência em ensino de alto padrão.
Referências:
https://blog.capim.com.br/artigo/faces-dos-dentes
https://www.konsigapay.com.br/blog/odontologia/entenda-a-analise-das-faces-dos-dentes-no-odontograma
https://simpatio.com.br/faces-dente
https://www.unifeso.edu.br/editora/pdf/6eaa583adb45d2cab2c885b199be499c.pdf
https://ianarapinho.odo.br/anatomia-da-boca
*O texto acima foi preparado a partir de muita pesquisa para ajudar nas suas dúvidas. Porém, não foi escrito por um profissional de odontologia. A EAP não se responsabiliza pelas informações, pois não possuem caráter científico.