23 jan 2026
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Gengivite Necrosante: Causas e Tratamentos

Dentista passando fio dental em dente de paciente adolescente, enquanto ela olha pelo espelho.

Entre os desafios que o cirurgião-dentista enfrenta na rotina clínica, algumas condições periodontais se destacam pela gravidade e pelo impacto imediato na qualidade de vida do paciente.

A gengivite necrosante, apesar de menos frequente nos dias atuais, continua sendo uma dessas situações que exigem diagnóstico rápido, manejo adequado e atenção às possíveis repercussões sistêmicas.

Essa condição, caracterizada por dor intensa, necrose das papilas interdentais e sangramento gengival, não apenas compromete a saúde bucal, mas também pode sinalizar fragilidade imunológica ou presença de fatores predisponentes relevantes.

Ao compreender melhor suas causas, manifestações clínicas e protocolos de tratamento, o profissional da odontologia se prepara para oferecer uma conduta eficaz, reduzindo riscos de progressão para formas mais graves, como a periodontite necrosante e a estomatite necrosante.

Neste artigo, vamos explorar de forma técnica e aprofundada a gengivite necrosante, abordando desde suas diferenças em relação a outras doenças periodontais até os protocolos terapêuticos mais adequados, sempre com foco no aprimoramento do conhecimento clínico do cirurgião-dentista.

Dentista está puxando o lábio do paciente  para mostrar sua gengivite necrosante.
A gengivite pode evoluir para gengivite necrosante quando há acúmulo intenso de biofilme associado à imunossupressão, estresse, má higiene bucal, tabagismo e condições sistêmicas debilitantes. (Reprodução/Vinicius Faria Silva/FOUFU)

O que é a gengivite necrosante?

A gengivite necrosante, também chamada de gengivite ulcerativa necrosante (GUN), é uma doença periodontal aguda caracterizada por um processo inflamatório destrutivo que acomete principalmente as papilas interdentais.

Seu quadro clínico é marcado pela presença de necrose tecidual, halitose fétida, dor aguda e sangramento espontâneo.

Do ponto de vista microbiológico, há predominância de bactérias anaeróbias, especialmente fusoespiroquetas, que proliferam em um ambiente bucal comprometido pela má higiene oral, acúmulo de biofilme e condições sistêmicas desfavoráveis.

A rápida evolução e o alto nível de desconforto tornam a gengivite necrosante uma emergência periodontal, demandando atenção imediata do profissional.

Boca de paciente com gengivite necrosante.
A gengivite necrosante é uma doença periodontal aguda caracterizada por necrose das papilas interdentais, dor intensa, sangramento espontâneo e presença de pseudomembranas. (Reprodução/SemanticScholar)

Quais as diferenças entre Gengivite, Periodontite e Estomatite Necrosante?

É fundamental que o cirurgião-dentista saiba diferenciar a gengivite necrosante de outras doenças periodontais e estomatológicas:

  • Gengivite comum: trata-se de um processo inflamatório restrito ao tecido gengival, geralmente reversível com a remoção da placa bacteriana e controle de fatores locais. Não apresenta necrose tecidual.
  • Periodontite: envolve destruição do aparato de suporte dental (ligamento periodontal e osso alveolar), levando à perda de inserção clínica e risco de mobilidade dentária.
  • Gengivite ulcerativa necrosante (GUN): apresenta necrose das papilas interdentais, pseudomembranas acinzentadas e dor intensa. É considerada a forma inicial das doenças periodontais necrosantes.
  • Periodontite necrosante: evolução da GUN, com destruição profunda dos tecidos periodontais de suporte.
  • Estomatite necrosante: estágio mais avançado, no qual a necrose se estende para mucosa oral adjacente e pode comprometer regiões faciais extensas.

Esse espectro de gravidade reforça a importância do diagnóstico precoce da GUN, evitando evolução para condições mais devastadoras.

Quais as causas da Gengivite Ulcerativa Necrosante?

A gengivite necrosante é uma doença multifatorial, resulta da interação complexa entre microbiota patogênica, resposta imune do hospedeiro e fatores predisponentes locais e sistêmicos.

A microbiota envolvida apresenta predominância de microrganismos anaeróbios, como Fusobacterium nucleatum, Prevotella intermedia e espiroquetas do gênero Treponema, cuja virulência está diretamente associada à capacidade de invasão tecidual e destruição das células epiteliais.

Esse ambiente se torna particularmente favorável quando a imunidade do paciente encontra-se comprometida, como em portadores de HIV, pacientes submetidos a regimes quimioterápicos ou em uso crônico de corticosteroides, nos quais a defesa celular é reduzida e a resposta inflamatória torna-se insuficiente para conter a agressão bacteriana.

O estresse físico e emocional também exerce papel importante, pois está relacionado ao aumento da liberação de cortisol e catecolaminas, que impactam negativamente a resposta imunológica, favorecendo o crescimento bacteriano e a instalação da doença.

O tabagismo, por sua vez, atua como fator agravante por reduzir a vascularização gengival, comprometer a função dos neutrófilos e facilitar a adesão de microrganismos periodontopatogênicos.

Em paralelo, a desnutrição, especialmente a deficiência de vitamina C e vitaminas do complexo B, prejudica os mecanismos de reparo tecidual e aumenta a suscetibilidade à inflamação e necrose.

No aspecto local, a má higiene oral e o consequente acúmulo de biofilme dental e cálculo criam um microambiente anaeróbio que potencializa a proliferação de microrganismos agressivos.

Essa combinação de fatores locais e sistêmicos reforça a necessidade de que o diagnóstico e o plano terapêutico não se limitem à abordagem clínica imediata, mas incluam uma investigação criteriosa das condições gerais de saúde do paciente, permitindo uma conduta verdadeiramente abrangente e resolutiva.

As principais causas da gengivite ulcerativa necrosante incluem infecção por bactérias anaeróbias, imunidade comprometida, desnutrição, estresse psicológico e higiene oral deficiente. (Reprodução/DepositPhotos)

Quais são os sintomas da gengivite necrosante?

A gengivite necrosante apresenta um conjunto de manifestações clínicas bastante característico, o que permite ao cirurgião-dentista realizar um diagnóstico diferencial relativamente rápido quando comparada a outras condições inflamatórias da cavidade oral.

O sinal mais marcante é a necrose das papilas interdentais, frequentemente descrita como uma aparência em “cratera”, resultado da destruição tecidual localizada. Sobre essas áreas necrosadas, observa-se a formação de pseudomembranas acinzentadas ou esbranquiçadas, que recobrem as lesões e podem ser facilmente removidas, revelando um tecido subjacente intensamente dolorido e sangrante.

A dor é outro sintoma predominante, de caráter agudo e muitas vezes desproporcional ao estímulo, tornando atividades rotineiras, como a mastigação ou até mesmo a higienização oral, extremamente desconfortáveis.

O sangramento gengival ocorre de forma espontânea ou ao mínimo contato, refletindo o grau de inflamação e fragilidade vascular local.

Associado a isso, a presença de halitose fétida é quase constante, consequência da necrose tecidual e da atividade metabólica de microrganismos anaeróbios, sendo um sinal de alerta perceptível tanto ao paciente quanto ao profissional.

Nos casos mais avançados, os sintomas extrapolam a cavidade oral.

Pode ocorrer linfadenopatia dolorosa em região submandibular e cervical, acompanhada de febre, mal-estar geral e aumento de sialorreia, indicando comprometimento sistêmico.

Em situações de maior gravidade, a disfagia e o desconforto para deglutir podem ser relatados, reforçando a urgência de uma abordagem terapêutica imediata.

A identificação precoce desses sinais clínicos é determinante, pois o atraso no diagnóstico pode favorecer a progressão da doença para periodontite necrosante ou até estomatite necrosante, condições que representam risco significativo de destruição tecidual extensa e maior morbidade.

Boca de paciente com gengivite necrosante.
Os sintomas incluem dor aguda, halitose intensa, sangramento gengival, ulceração, necrose das papilas e desconforto ao mastigar. (Reprodução/Revista Eletrônica Acervo Saúde)

Qual o tratamento para gengivite necrosante?

O tratamento deve ser estruturado em etapas, respeitando a fase aguda, a manutenção e o suporte a longo prazo.

Tratamento da fase aguda

Na fase inicial, o objetivo é controlar a dor, remover agentes infecciosos e reduzir a inflamação.

As medidas incluem:

  • Remoção mecânica suave da placa e cálculo supragengival, evitando traumatizar os tecidos.
  • Irrigação local com solução salina morna, peróxido de hidrogênio diluído ou clorexidina 0,12%.
  • Prescrição de analgésicos e anti-inflamatórios para controle da dor.
  • Uso de antibióticos em casos com febre, linfadenopatia ou imunossupressão, sendo o metronidazol o mais indicado.

Tratamento de manutenção

Após estabilização do quadro agudo, o foco deve ser a eliminação de fatores locais predisponentes:

  • Raspagem e alisamento radicular.
  • Instrução de higiene oral rigorosa, com escovação adequada e uso de fio dental.
  • Uso de enxaguatórios com clorexidina em períodos controlados.
Dentista realizando profilaxia em paciente. Imagem ampla mostrando o consultório odontológico.
O tratamento de manutenção da gengivite necrosante envolve controle rigoroso do biofilme, acompanhamento periódico, reforço das orientações de higiene bucal e eliminação dos fatores predisponentes. (Reprodução/Pexels)

Visitas subsequentes

O acompanhamento periódico é indispensável para avaliar a cicatrização dos tecidos e prevenir recidivas.

Nessas consultas, devem ser reavaliados os fatores sistêmicos, hábitos de vida e a resposta do paciente ao tratamento periodontal.

Tratamento de suporte

A fase de suporte tem como objetivo a prevenção da recorrência:

  • Manutenção de consultas periódicas de profilaxia.
  • Orientação nutricional, visando corrigir deficiências alimentares.
  • Incentivo à cessação do tabagismo.
  • Monitoramento do estado sistêmico, especialmente em pacientes imunocomprometidos.

O sucesso terapêutico depende não apenas da intervenção clínica, mas também do engajamento do paciente na modificação de hábitos e adesão ao acompanhamento.

Dentista e auxiliar realizando profilaxia em paciente. Imagem de perto.
O tratamento de suporte inclui analgesia, terapia antimicrobiana quando indicada, controle sistêmico do paciente e suporte nutricional para favorecer a cicatrização.

Conclusão

A gengivite necrosante é uma condição que exige atenção imediata do cirurgião-dentista, tanto pelo impacto na saúde bucal quanto pelo potencial de evolução para formas mais graves.

Compreender suas causas, reconhecer os sintomas precocemente e aplicar protocolos terapêuticos adequados são passos fundamentais para um manejo eficaz e seguro.

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Referências:

https://blog.dentalspeed.com/gengivite-necrosante

https://www.dviradiologia.com.br/2022/09/27/gengivite-necrosante/

https://www.rededorsaoluiz.com.br/doencas/gengivite-ulcerativa-necrosante

https://www.colgate.com.br/oral-health/gum-disease/what-is-trench-mouth

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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