A saúde das glândulas salivares é frequentemente subestimada até que ocorra algum problema.
Para os profissionais da odontologia, entender o funcionamento dessas glândulas e as condições que podem afetá-las é essencial para oferecer um atendimento de qualidade aos pacientes.
Então, é importante entender o que fazer com as glândulas salivares inflamadas. Afinal, elas são responsáveis pela produção de saliva, essencial para a digestão, higiene oral e proteção dos dentes.
Quando uma dessas glândulas inflama ou incha, pode indicar uma série de condições subjacentes que variam em gravidade e complexidade.

O que são e onde ficam as glândulas salivares?
As glândulas salivares são estruturas exócrinas responsáveis pela produção e liberação de saliva na cavidade oral.
Elas desempenham papéis vitais, incluindo a facilitação da mastigação, digestão e deglutição, além de manter o equilíbrio microbiológico e a saúde bucal.
Glândulas parótidas
As glândulas parótidas são as maiores glândulas salivares e estão localizadas em cada lado do rosto, anterior às orelhas.
Elas são responsáveis por produzir uma porção significativa da saliva rica em amilase, uma enzima que inicia a digestão dos carboidratos.
Devido à sua localização superficial, essas glândulas são mais propensas a traumas e infecções.
Glândulas sublinguais
Localizadas sob a língua, as glândulas sublinguais são as menores entre as principais glândulas salivares.
Elas produzem saliva mucosa que lubrifica a cavidade oral e facilita a fala e a mastigação.
Devido à sua posição e tamanho, as glândulas sublinguais são menos suscetíveis a doenças comparadas às parótidas e submandibulares.
Glândulas submandibulares
Situadas sob a mandíbula, as glândulas submandibulares são responsáveis pela produção de uma mistura de saliva serosa e mucosa.
Elas contribuem significativamente para o fluxo salivar diário e estão frequentemente envolvidas em condições como a sialolitíase devido à composição de sua saliva e ao longo ducto de drenagem.

Qual o motivo da glândula salivar ficar inchada?
O inchaço das glândulas salivares pode ocorrer devido a várias causas, desde obstruções simples até doenças complexas. As causas mais comuns incluem:
- Obstrução ductal por cálculos (sialolitíase): Pequenos cálculos podem bloquear os ductos das glândulas salivares, impedindo o fluxo normal da saliva e causando inchaço.
- Infecções bacterianas ou virais: Infecções como a caxumba podem causar inflamação dolorosa nas glândulas salivares, especialmente nas parótidas.
- Condições autoimunes: Doenças como a síndrome de Sjögren podem causar inflamação crônica e inchaço das glândulas salivares.
- Desidratação: A falta de fluidos pode reduzir a produção de saliva, levando ao inchaço das glândulas.
- Tumores benignos ou malignos: Podem causar aumento do volume das glândulas salivares, frequentemente acompanhados de dor ou desconforto.

Quais são os sintomas de glândulas salivares inflamadas?
Os sintomas das glândulas salivares inflamadas variam dependendo da causa subjacente, mas podem incluir:
- Dor e inchaço na área afetada: Frequentemente associado ao movimento da mandíbula e à ingestão de alimentos.
- Boca seca: Resultante da redução na produção de saliva.
- Dificuldade para engolir ou abrir a boca: Devido ao inchaço das glândulas.
- Presença de pus ou secreção na boca: Sinal de infecção bacteriana.
- Febre: Indicativa de infecção sistêmica ou localizada.

O que fazer em caso de glândula submandibular inchada?
O inchaço da glândula submandibular pode ser uma experiência desconfortável e muitas vezes dolorosa para os pacientes.
Essa condição pode ter várias causas, desde infecções até obstruções por cálculos salivares.
Para lidar com essa situação de maneira eficaz, é essencial seguir um protocolo clínico que assegure um diagnóstico preciso e um tratamento adequado.
Aqui estão os passos recomendados para a avaliação e manejo dessa condição:
Avaliação clínica
A avaliação inicial deve incluir um exame físico detalhado realizado por um profissional de saúde experiente.
Durante esse exame, o médico ou dentista deverá inspecionar a área inchada, avaliar a extensão do inchaço e verificar a presença de dor, sensibilidade ou sinais de infecção.
A coleta de um histórico médico completo, incluindo sintomas atuais e passados, é fundamental para ajudar a identificar a causa subjacente.

Imagens diagnósticas
Em muitos casos, o exame físico precisa ser complementado por imagens diagnósticas para confirmar a presença de anormalidades.
A ultrassonografia é uma ferramenta valiosa que permite visualizar a estrutura da glândula e detectar a presença de cálculos ou outras obstruções.
A tomografia computadorizada (TC) pode ser utilizada para obter uma visão mais detalhada das glândulas e estruturas circundantes, especialmente em casos complexos ou quando há suspeita de tumores.
Hidratação
A hidratação adequada é uma medida simples, mas eficaz, para aumentar o fluxo de saliva e ajudar na remoção de obstruções menores.
Incentivar o paciente a beber bastante água pode promover a produção salivar e aliviar o inchaço.
Além disso, o uso de balas ou gomas sem açúcar pode estimular a secreção de saliva.

Massagem e compressas quentes
A aplicação de compressas mornas na área afetada pode ajudar a reduzir o inchaço e aliviar a dor.
A massagem suave da glândula também pode ser recomendada para promover o fluxo salivar e auxiliar na expulsão de pequenos cálculos.
É importante instruir o paciente sobre a técnica correta de massagem para evitar danos adicionais à glândula.
Antibióticos
Se uma infecção bacteriana for confirmada ou fortemente suspeita, o uso de antibióticos é crucial para tratar a infecção e prevenir complicações.
A escolha do antibiótico deve ser baseada no organismo causador da infecção, que pode ser identificado através de culturas microbiológicas, quando possível.
Além disso, o paciente deve ser monitorado quanto à resposta ao tratamento antibiótico, ajustando o regime terapêutico conforme necessário.

Remoção de cálculos
Quando o inchaço é causado por obstruções ductais devido a cálculos, pode ser necessário realizar um procedimento para removê-los.
Em casos de cálculos pequenos, técnicas minimamente invasivas, como sialoendoscopia, podem ser utilizadas para removê-los sem a necessidade de cirurgia aberta.
Para cálculos maiores ou complicados, a intervenção cirúrgica pode ser necessária.
A decisão sobre o tratamento cirúrgico deve ser tomada com base na avaliação do risco-benefício para o paciente e na consideração de possíveis complicações.
Além destas medidas, é essencial que o paciente receba orientações sobre a prevenção de novos episódios.
Isso pode incluir recomendações sobre mudanças na dieta, a importância da hidratação contínua e o reconhecimento precoce dos sintomas.
Para os profissionais da odontologia, é crucial manter uma comunicação aberta com o paciente, garantindo que ele compreenda o plano de tratamento e a importância do seguimento adequado.
O tratamento eficaz do inchaço da glândula submandibular não só alivia o desconforto imediato do paciente, mas também previne complicações futuras, garantindo a saúde e o funcionamento ideal das glândulas salivares.
O que pode ser se a glândula parótida estiver inflamada?
A inflamação da glândula parótida pode indicar diversas condições, que devem ser consideradas durante o diagnóstico diferencial:
Sialoadenite
A sialoadenite é uma infecção das glândulas salivares, geralmente causada por bactérias como Staphylococcus aureus.
É caracterizada por dor intensa, inchaço e, frequentemente, febre.
O tratamento inclui antibióticos e medidas para aumentar o fluxo de saliva.

Sialolitíase
A presença de cálculos salivares pode bloquear o ducto parotídeo, levando ao inchaço e à dor.
Esses cálculos podem ser removidos cirurgicamente ou expelidos através de massagens e hidratação.
Parotidite epidêmica (caxumba)
A caxumba é uma infecção viral que afeta as glândulas parótidas, causando inchaço característico em ambos os lados do rosto.
Embora rara devido à vacinação, pode ocorrer em indivíduos não vacinados.
O tratamento é sintomático, envolvendo repouso e analgesia.

Tumores
Os tumores nas glândulas salivares podem ser benignos ou malignos.
Os benignos, como o adenoma pleomórfico, são comuns, mas tumores malignos como o carcinoma mucoepidermóide devem ser considerados.
O tratamento geralmente envolve cirurgia e, em alguns casos, radioterapia.
Qual médico cuida da glândula salivar?
O cuidado das glândulas salivares geralmente envolve uma equipe multidisciplinar.
Os principais especialistas incluem:
- Cirurgiões-dentistas: Treinados para diagnosticar e tratar problemas de saúde oral, incluindo condições das glândulas salivares.
- Otorrinolaringologistas: Especialistas em distúrbios da cabeça e pescoço, frequentemente envolvidos no tratamento cirúrgico de doenças das glândulas salivares.
- Patologistas orais: Auxiliam no diagnóstico de condições complexas e na identificação de tumores.

Conclusão
As glândulas salivares desempenham um papel crucial na saúde oral, e a inflamação dessas estruturas pode indicar diversas condições subjacentes.
Para profissionais da odontologia, é essencial compreender essas condições para oferecer diagnósticos precisos e tratamentos eficazes.
Ao manter-se atualizado com as melhores práticas e avanços no campo, você pode melhorar significativamente a qualidade do atendimento prestado aos seus pacientes.
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Referências
https://blog.odontoclinic.com.br/clinica-geral/glandula-salivar-inchada/
https://blog.lojainterdental.com.br/o-que-e-glandula-inflamada-causas-e-tratamentos/
https://accamargo.org.br/sobre-o-cancer/tipos-de-cancer/glandulas-salivares
https://rafaeldecicco.com.br/glandula-parotida-inflamada/
*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.