26 abr 2024
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Hemostasia: O que fazer perante uma Hemorragia Dentária?

dentista e assistente fazendo procedimento dentário em paciente

Em nossa prática diária nos deparamos com situações desafiadoras, e uma das mais relevantes é lidar com hemorragias dentárias.

Diante desses cenários, é essencial estarmos preparados para agir com eficácia e segurança, garantindo o bem-estar de nossos pacientes.

Neste artigo, exploraremos em profundidade a hemostasia dentária, desde suas causas até as melhores práticas para seu controle, visando aprimorar nossos conhecimentos e habilidades clínicas.

Pessoa com a aboca aberta mostrando sangramento na gengiva
Hemostasia é o processo de interrupção do sangramento, crucial para controlar hemorragias dentárias e promover a cicatrização adequada. (Reprodução/Absolute Dental)

Qual a diferença de hemóstase e hemorragia?

Antes de adentrarmos nos detalhes da hemostasia dentária, é fundamental compreendermos a diferença entre hemóstase e hemorragia.

Enquanto a hemóstase refere-se ao processo fisiológico pelo qual o organismo controla o sangramento e mantém o equilíbrio da circulação sanguínea, visando restaurar a integridade do vaso sanguíneo e cessar o sangramento.

A hemorragia é caracterizada pela perda excessiva de sangue devido a ruptura vascular e ocorre quando há uma falha nesse sistema de hemóstase.

sequência de desenhos mostrando como parar hemorragia dentária
A compressão firme e contínua é fundamental para promover a hemostasia e interromper o sangramento proveniente de uma extração dentária ou outro procedimento odontológico.

O que causa uma hemorragia dentária?

A hemorragia dentária pode ser desencadeada por uma variedade de fatores, sendo importante compreender as diferentes causas que podem levar a esse quadro clínico.

Vamos explorar algumas das principais razões por trás da hemorragia dentária:

1. Procedimentos odontológicos invasivos

Intervenções como extrações dentárias, cirurgias periodontais, implantes dentários e mesmo procedimentos mais simples, como raspagem de tártaro, podem resultar em hemorragia dentária.

Durante esses procedimentos, os vasos sanguíneos na região bucal podem ser danificados, levando a sangramentos.

Dentista e assistente com seus EPIs realizando cirurgia em paciente.
Hemorragia no dente após procedimentos invasivos como extrações ou cirurgias periodontais exige atenção e controle imediato para evitar complicações. (Reprodução/Shutterstock)

2. Trauma na região bucal

Traumatismos causados por quedas, acidentes ou impactos diretos na boca podem resultar em hemorragia dentária.

A lesão direta nos tecidos moles ou nos dentes pode romper os vasos sanguíneos.

Mulher de cabelo loiro médio e camiseta cinza clara está cobrindo a boca com a palma da mão.
Embora raro, hemorragia no dente pode matar em casos graves de traumas bucais associados a distúrbios sistêmicos de coagulação. (Reprodução/Freepik)

3. Condições sistêmicas

Distúrbios de coagulação sanguínea, como hemofilia, doença de von Willebrand, deficiência de vitamina K e trombocitopenia, podem predispor os pacientes a hemorragias dentárias.

Nessas condições, a capacidade do organismo de formar coágulos sanguíneos é comprometida, aumentando o risco de sangramento prolongado após procedimentos odontológicos ou traumas na região bucal.

Pessoa com mancha roxa na perna devido a doença de von Willebrand
Quando há dente saindo sangue sem causa aparente, é essencial investigar doenças hemorrágicas como a doença de von Willebrand.

4. Uso de medicamentos anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários

Pacientes que fazem uso de medicamentos anticoagulantes, ou antiagregantes plaquetários, como ácido acetilsalicílico (aspirina), estão mais suscetíveis a hemorragias dentárias.

Esses medicamentos interferem na cascata de coagulação sanguínea, aumentando o tempo de sangramento e dificultando a formação de coágulos eficazes.

É fundamental que os profissionais da odontologia estejam cientes dessas diferentes causas de hemorragia dentária e sejam capazes de identificar os fatores de risco em seus pacientes.

Uma abordagem cuidadosa e personalizada é essencial para prevenir e gerenciar eficazmente o sangramento durante e após os procedimentos odontológicos.

imagem focada na boca de pessoa com gaze no dente
Diante de uma hemorragia dentária, é essencial manter a calma e aplicar pressão direta sobre a área afetada com uma gaze esterilizada.

4 etapas da hemostasia

A hemostasia dentária ocorre em diversas etapas, cada uma desempenhando um papel crucial na interrupção do sangramento e na reparação do tecido vascular lesionado.

Vamos explorar mais detalhadamente cada uma das etapas da hemostasia dentária:

1- Vasoconstrição reflexa

Na primeira fase da hemostasia, ocorre uma resposta imediata do sistema vascular à lesão.

As células musculares lisas dos vasos sanguíneos contraem-se rapidamente, reduzindo o diâmetro do vaso afetado.

Essa vasoconstrição reflexa é mediada por sinais nervosos e por substâncias vasoconstritoras liberadas pelas células endoteliais, como a endotelina.

O objetivo dessa etapa é reduzir o fluxo sanguíneo para minimizar a perda de sangue.

2- Formação do tampão plaquetário

Após a vasoconstrição inicial, as plaquetas sanguíneas são recrutadas para o local da lesão.

As plaquetas aderem à parede do vaso danificado e entre si, formando um agregado plaquetário ou tampão plaquetário.

Esse tampão temporário ajuda a selar o vaso sanguíneo e a interromper o sangramento imediatamente após a lesão.

Além disso, as plaquetas liberam substâncias vasoativas e fatores de crescimento que promovem a vasoconstrição adicional e estimulam a ativação dos sistemas de coagulação sanguínea.

imagem explicando como funciona a formação do tampão plaquetário
Em situações de hemorragia dentária grave ou prolongada, é fundamental procurar atendimento odontológico de emergência para avaliação e tratamento adequados. (Reprodução/Unidos pela Hemofilia)

3- Ativação dos sistemas de coagulação sanguínea

Em seguida, ocorre a ativação dos sistemas de coagulação sanguínea, envolvendo uma complexa cascata de reações bioquímicas.

A ativação das plaquetas e a exposição do colágeno subendotelial desencadeiam a via extrínseca da coagulação, levando à ativação do fator tecidual e à formação de trombina.

A trombina, por sua vez, converte o fibrinogênio em fibrina, formando uma rede de filamentos que estabiliza o tampão plaquetário e consolida o coágulo sanguíneo.

Esse processo é essencial para garantir a formação de um coágulo estável e duradouro.

4- Formação do coágulo estável e retração do coágulo:

Por fim, o coágulo sanguíneo formado durante a hemostasia sofre uma retração gradual, encolhendo e se contraindo ao longo do tempo.

Esse processo de retração do coágulo é mediado pela contração das células musculares lisas e pela interação entre as fibras de fibrina e as plaquetas.

A retração do coágulo ajuda a reduzir o tamanho da ferida e a promover a cicatrização do tecido vascular lesionado, restaurando assim a integridade do vaso sanguíneo.

Essas etapas da hemostasia dentária são altamente coordenadas e interdependentes, garantindo uma resposta eficaz do organismo à lesão vascular e uma rápida interrupção do sangramento.

Imagem 3d de um coágulo
A prevenção de hemorragias dentárias pode ser alcançada por meio de técnicas cuidadosas de manipulação tecidual durante procedimentos odontológicos e pelo uso de técnicas de hemostasia apropriadas. (Reprodução/Dr. Davi Cazarim)

Sintomas de uma hemorragia no dente

Quando o processo de hemostasia — que é a capacidade natural do corpo de estancar o sangramento — está comprometido, você perceberá os seguintes sintomas:

  • Sangramento intenso e contínuo na gengiva ou no local do dente extraído
  • Gosto metálico de sangue na boca durante o dia
  • Inchaço e vermelhidão na gengiva
  • Sangramento ao mastigar os alimentos
  • Sangue ao cuspir, mesmo após horas do procedimento
Menina assustada com a mão no coração após cuspir sangue em papel.
Sintomas da hemorragia incluem sangramento persistente, dentes doendo e sangrando, gengivas inchadas e presença de coágulos.

O que fazer diante de uma hemostasia?

Diante de uma hemorragia dentária, é imperativo agir rapidamente e de maneira eficaz para controlar o sangramento e proteger a saúde do paciente.

Para isso, dispomos de diversas opções terapêuticas, incluindo o uso de agentes químicos, agentes térmicos e agentes mecânicos.

Agentes químicos

Os agentes químicos, como a epinefrina, o ácido tranexâmico e o sulfato férrico são amplamente utilizados na prática odontológica para promover a hemostasia.

Eles atuam por meio de diferentes mecanismos, como a vasoconstrição, a promoção da agregação plaquetária e a estabilização dos coágulos sanguíneos, proporcionando um controle eficaz do sangramento.

vidro em laboratório com sulfato férrico
A hemorragia dentária pode ser causada por vários fatores, incluindo trauma, cirurgia oral, doenças periodontais avançadas e distúrbios de coagulação sanguínea. (Reprodução/Projesan)

Agentes térmicos

Os agentes térmicos, como o bisturi elétrico e o laser de diodo, são ferramentas valiosas no controle da hemorragia dentária.

Por meio da aplicação de calor controlado, esses dispositivos promovem a coagulação dos vasos sanguíneos e a cicatrização do tecido lesionado, garantindo uma hemostasia rápida e eficaz.

laser de diodo
Um dente furado sangrando pode se beneficiar de tecnologias modernas, como o tratamento com laser de diodo, que auxilia na cauterização e controle do sangramento. (Reprodução/Dentsply Sirona)

Agentes mecânicos

Os agentes mecânicos, como compressas de gaze e suturas, desempenham um papel fundamental no controle do sangramento em casos de hemorragia dentária severa.

Eles atuam diretamente na compressão dos vasos sanguíneos e na estabilização dos coágulos sanguíneos, proporcionando um ambiente propício para a cicatrização.

dentista colocando gaze em dente de cliente
A utilização de gelo ou compressas frias pode ser eficaz para reduzir o fluxo sanguíneo e promover a hemostasia em casos de hemorragia dentária leve. (Reprodução/RobertoDavid)

Como prevenir a hemostasia na odontologia?

Para prevenir a hemorragia dentária durante procedimentos odontológicos, é necessário adotar uma abordagem proativa e cuidadosa.

Aqui estão algumas medidas preventivas importantes a serem consideradas:

Avaliação pré-operatória do paciente:

Antes de realizar qualquer procedimento odontológico, é essencial realizar uma avaliação completa do paciente.

Isso inclui revisar sua história médica e medicamentosa para identificar quaisquer condições sistêmicas que possam afetar a coagulação sanguínea, bem como o uso de medicamentos anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários.

Essas informações ajudarão a planejar o procedimento de forma adequada e a minimizar o risco de hemorragia.

dentista conversando com paciente sentada na cadeira odontológica
Em pacientes com histórico de hemorragias dentárias recorrentes, é importante realizar uma avaliação clínica detalhada para identificar e tratar possíveis causas subjacentes. (Reprodução/Absolute Dental)

Uso de técnicas cirúrgicas adequadas:

Durante procedimentos invasivos, como extrações dentárias ou cirurgias periodontais, é importante utilizar técnicas cirúrgicas adequadas para minimizar o trauma nos tecidos moles e nos vasos sanguíneos.

Isso inclui técnicas delicadas de manipulação tecidual, preservação do osso alveolar sempre que possível e cuidado ao realizar incisões e suturas.

Dentista e assistente durante cirurgia bucal em paciente
O coágulo de sangue no dente extraído é fundamental para o processo de cicatrização; sua perda pode levar à condição conhecida como alveolite seca.

Administração de hemostáticos tópicos:

Em casos de sangramento prolongado ou para prevenir o sangramento durante procedimentos cirúrgicos, podem ser utilizados hemostáticos tópicos.

Esses agentes ajudam a promover a coagulação sanguínea e a controlar o sangramento localmente.

Exemplos comuns de hemostáticos tópicos incluem géis de ácido tranexâmico, esponjas de colágeno e soluções de epinefrina.

diferentes tipos de hemostáticos tópicos
Em casos de hemorragia dentária persistente, é recomendável fazer uso de agentes hemostáticos tópicos para auxiliar na coagulação. (Reprodução/CardioSurgery Post)

Monitoramento pós-operatório:

Após a realização de procedimentos odontológicos, é importante monitorar de perto o paciente durante o período pós-operatório para detectar qualquer sinal de sangramento excessivo ou complicações relacionadas à hemorragia.

Instruções claras devem ser fornecidas ao paciente sobre cuidados pós-operatórios, incluindo a aplicação de compressas de gelo, restrições dietéticas e atividades físicas, e a importância de relatar qualquer problema imediatamente ao cirurgião-dentista responsável pelo procedimento.

Paciente sentado em cadeira odontológica sorrindo.
O que é hemostasia? É o mecanismo para interromper o sangramento após a ruptura de vasos sanguíneos. (Reprodução/IStock)

Comunicação interprofissional:

Em casos de pacientes que fazem uso de medicamentos anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários, é fundamental uma comunicação eficaz entre o cirurgião-dentista e o médico.

Isso permite uma avaliação abrangente do risco de sangramento e a implementação de estratégias de manejo apropriadas, como a suspensão temporária da medicação, se necessário.

Ao adotar essas medidas preventivas, os profissionais podem reduzir significativamente o risco de hemorragia dentária durante procedimentos odontológicos, garantindo assim a segurança e o bem-estar de seus pacientes

médica com estetoscópio e dentista com jaleco virados costa a costa e sorrindo
É fundamental que os profissionais de saúde bucal estejam preparados para lidar com emergências odontológicas, incluindo situações de hemorragia dentária, por meio de treinamento e equipamento adequado.
(Reprodução/The Workmams)

Anormalidades na Hemostasia

No contexto da odontologia, é crucial estar ciente de algumas doenças e condições hereditárias que podem interferir no processo de hemostasia.

Alguns exemplos são:

Trombocitopenia:

A trombocitopenia é uma condição caracterizada pela redução do número de plaquetas no sangue, o que pode resultar em sangramento mucocutâneo envolvendo pequenos vasos superficiais e manifestando-se como petéquias na pele ou nas mucosas.

Essa condição pode ocorrer devido a um aumento na destruição das plaquetas, uma diminuição na produção dessas células pelo organismo ou um aumento na sequestração esplênica das plaquetas.

Pessoa com manchas pequenas no braço devido a Trombocitopenia.
Hemostasia significado: é o conjunto de processos fisiológicos que controlam a perda de sangue, sendo essencial em procedimentos odontológicos invasivos. (Reprodução/IStock)

Trombocitopatia:

A trombocitopatia é outra condição que pode afetar a hemostasia, resultando em um tempo de sangramento prolongado.

Essa condição pode ser causada pelo uso de certos medicamentos, como a aspirina, por insuficiência renal ou pode ser de origem congênita.

mulher tomando comprimido
A trombocitopatia refere-se a distúrbios plaquetários que podem resultar em dificuldade na formação de coágulos sanguíneos, aumentando o risco de hemorragias prolongadas após procedimentos odontológicos.

Deficiência de vitamina K:

A deficiência de vitamina K é conhecida por causar deficiência nos fatores de coagulação do sangue, uma vez que os fatores II (protrombina), VII, IX e X são produzidos no fígado e sua síntese ativa requer a presença dessa vitamina.

Portanto, a falta de vitamina K pode comprometer o processo de coagulação sanguínea, aumentando o risco de sangramento.

glóbulos vermelhos
A deficiência de vitamina K pode comprometer o processo de coagulação, dificultando a hemostasia e aumentando o risco de sangramentos dentários. (Reprodução/Freepik)

Hemofilia A:

A hemofilia A é uma doença hereditária ligada ao cromossomo X e é mais comumente diagnosticada em homens.

Nessa condição, há uma deficiência ou ausência do fator de coagulação VIII, o que aumenta significativamente o risco de sangramento excessivo ou hemorragia após procedimentos cirúrgicos.

Os pacientes com hemofilia A precisam de cuidados especiais durante procedimentos odontológicos para evitar complicações relacionadas ao sangramento.

Portanto, é fundamental que os profissionais da odontologia estejam cientes dessas anormalidades na hemostasia e possam identificar os pacientes em risco, garantindo assim uma abordagem adequada e segura durante os procedimentos odontológicos.

imagem mostrando diferença na coagulação normal e na coagulação de alguém com hemofilia
A hemofilia A é um distúrbio hereditário caracterizado pela deficiência do fator VIII de coagulação, tornando os pacientes mais suscetíveis a hemorragias graves e prolongadas, exigindo cuidados especiais durante procedimentos dentários. (Reprodução/Brasil Escola)

Conclusão

Diante da importância da hemostasia na prática odontológica, é fundamental estarmos atualizados sobre as melhores práticas para o controle do sangramento e a promoção da cicatrização tecidual.

Neste contexto, a utilização de agentes químicos, agentes térmicos e agentes mecânicos desempenha um papel fundamental, proporcionando um ambiente propício para o sucesso dos procedimentos odontológicos.

Na EAP Goiás, reconhecemos a importância da atualização constante e do aprimoramento profissional, oferecendo cursos de especialização e atualização em diversas áreas da odontologia.

Junte-se a nós e faça parte de uma comunidade comprometida com a excelência e a qualidade na odontologia.

Referências:

https://simpatio.com.br/hemostasia

https://www.codental.com.br/blog/hemorragia-no-dente-tudo-que-voce-precisa-saber

https://www.dentaltix.com/pt/blog/hemostasia-em-odontologia-solucoes-mais-eficientes-na-clinica-dentaria

https://www.dentaleader.com/dentablog/hemostasia-o-que-fazer-perante-uma-hemorragia-dentaria

https://www.dentaloralline.com.br/udb/viscostat/seringa-individual#:~:text=Controla%20a%20hemorragia%20e%20o,fluido%20sulcular%20durante%20procedimentos%20adesivos.

https://smtpgw.pucminas.br/index.php/Arquivobrasileirodontologia/article/view/21404

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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