A hipersensibilidade dentinária atrapalha a qualidade de vida dos pacientes. Embora seja comum associá-la a adultos, crianças e adolescentes também podem experimentar essa condição.
Este artigo, busca desvendar os mistérios implícitos à hipersensibilidade dentinária, explicando sobre causas e tratamentos mais comuns e eficazes, mas também trazer um resumo da condição para os profissionais da odontologia. Continue lendo para entender como funciona e como se prevenir da hipersensibilidade nos dentes.

O que é a Hipersensibilidade Dentinária?
A hipersensibilidade dentinária, manifesta-se como uma resposta aguda a estímulos, desencadeando uma dor momentânea que acompanha várias experiências dos pacientes.
Este fenômeno é caracterizado por uma sensação aguda de dor ao ingerir alimentos ou bebidas quentes, frias, doces ou ácidas.
Os sintomas, por vezes considerados discretos, ainda assim podem comprometer a qualidade de vida dos pacientes, influenciando hábitos alimentares e práticas de higiene bucal.
A sensibilidade extrema ao toque, comum na escovação, torna-se uma barreira para a manutenção adequada da saúde oral.
Além disso, a ansiedade relacionada à antecipação da dor pode levar ao esquivamento de certos alimentos, bem como comportamentos que, por sua vez, impactam a saúde bucal em geral.

Quais são as causas da Hipersensibilidade Dentinária?
Diversas causas contribuem para a hipersensibilidade dentinária, dentre elas podemos citar:
Escovação Inadequada
O uso de uma escova de dentes com cerdas duras, ou mesmo com excesso de força no ato da escovação, podem expor a dentina, agravando a sensibilidade.
Quando a dentina fica desprotegida, os túbulos dentinários ficam expostos, permitindo que estímulos externos, como alimentos frios ou quentes, alcancem diretamente os nervos. O ideal é utilizar escovas de cerdas macias e realizar movimentos circulares suaves, sem pressionar demais.
A escovação adequada protege tanto o esmalte quanto a gengiva, prevenindo a sensibilidade.

Retração Gengival
A retração gengival ocorre quando o tecido que reveste a raiz dos dentes se retrai, deixando partes do dente que deveriam estar cobertas totalmente expostas. Essa condição pode ser resultado de escovação traumática, uso inadequado do fio dental, fatores genéticos ou doenças periodontais não tratadas.
Quando a gengiva recua, a raiz do dente – que não possui a proteção do esmalte – fica vulnerável, tornando-se altamente sensível.
A prevenção passa pela adoção de técnicas corretas de higiene bucal e pela realização de consultas odontológicas regulares, que permitem o diagnóstico precoce de problemas gengivais e periodontais.

Consumo de Alimentos e Bebidas Ácidas
O consumo regular de alimentos e bebidas ácidas pode provocar o desgaste do esmalte, contribuindo para o desenvolvimento da hipersensibilidade dentinária.
A erosão ácida, um processo químico que dissolve gradualmente a camada protetora dos dentes, deixa o esmalte enfraquecido e desgastado, a dentina fica mais próxima da superfície, aumentando significativamente a sensibilidade.
Para minimizar esse efeito, recomenda-se evitar o consumo excessivo de ácidos, enxaguar a boca com água após ingeri-los e aguardar pelo menos 30 minutos antes de escovar os dentes, pois o esmalte fica temporariamente fragilizado após o contato com ácidos.

Bruxismo
O bruxismo é um hábito involuntário de ranger ou apertar os dentes, geralmente durante o sono, mas que também pode ocorrer durante o dia. Essa pressão constante e o atrito entre os dentes causam microfraturas e desgaste progressivo do esmalte, deixando a dentina exposta.
Além da sensibilidade, o bruxismo pode provocar dores de cabeça, desconforto na mandíbula e até mesmo fraturas dentárias mais graves.
O tratamento frequentemente envolve o uso de placas de proteção noturnas, técnicas de controle do estresse e, em alguns casos, acompanhamento psicológico para identificar e tratar as causas subjacentes do problema.

Gengivite
A gengivite, que consiste em uma inflamação gengival inicial, está intrinsecamente ligada à hipersensibilidade dentinária. Os sinais incluem gengivas avermelhadas, inchadas e que sangram facilmente durante a escovação.
Quando não tratada adequadamente, a inflamação compromete a aderência da gengiva ao dente, podendo evoluir para retração gengival e exposição da dentina. A inflamação crônica também aumenta a permeabilidade dos tecidos, intensificando a sensibilidade dentinária.
A prevenção e o tratamento envolvem higiene bucal rigorosa, limpezas profissionais periódicas e, quando necessário, tratamento periodontal específico.

Dente Fraturado
Fraturas dentárias, sejam visíveis ou microscópicas, criam caminhos diretos para que estímulos externos atinjam a dentina e a polpa do dente. Essas fraturas podem resultar de traumas, quedas, mordidas em objetos duros ou como consequência do bruxismo.
Dependendo da profundidade e localização da fratura, a sensibilidade pode variar de leve a intensa. O tratamento vai desde restaurações simples em resina até procedimentos mais complexos, como tratamento de canal, coroas ou até extração em casos extremos.
A avaliação odontológica é fundamental para determinar a melhor abordagem, restaurando não apenas a estrutura do dente, mas também proporcionando alívio da sensibilidade e proteção contra complicações futuras.

Tratamentos Dentários
Certos procedimentos dentários podem desencadear hipersensibilidade. Analisaremos como os profissionais podem gerenciar essa sensibilidade durante e após tratamentos.
A hipersensibilidade dentinária, muitas vezes ocasionada por procedimentos odontológicos, exige uma análise cuidadosa para sua gestão eficaz.
Como procedimentos restauradores, com preparos extensos, que podem expor a dentina. Nesses casos, cabem estratégias preventivas, como o uso de agentes dessensibilizantes, que auxiliam na redução da sensibilidade dentinária.
Após o tratamento, a comunicação transparente com o paciente, juntamente com recomendações de produtos especializados para a sensibilidade e acompanhamento regular, completam uma abordagem abrangente e segura, que visa não somente a eficácia do procedimento, mas também o bem-estar pós-tratamento do paciente.

A gravidez pode causar sensibilidade nos dentes?
Sim, a gravidez pode causar sensibilidade nos dentes, e isso é mais comum do que muitas pessoas imaginam. O aumento dos níveis de progesterona e estrogênio durante a gestação altera a resposta do organismo às bactérias presentes na boca. Esses hormônios aumentam o fluxo sanguíneo para as gengivas, tornando-as mais sensíveis, inchadas e propensas a sangramentos. Essa condição, conhecida como gengivite gravídica, pode levar à retração gengival e exposição da dentina, causando sensibilidade nos dentes.
Outro ponto é que náuseas e vômitos são sintomas comuns na gravidez, especialmente no primeiro trimestre. O ácido gástrico presente no vômito é extremamente corrosivo e pode erodir o esmalte dentário com o tempo. Essa erosão deixa a dentina exposta, aumentando significativamente a sensibilidade dental. É importante enxaguar a boca com água ou uma solução de bicarbonato de sódio após vomitar, e aguardar cerca de 30 minutos antes de escovar os dentes.
Além disso, durante a gravidez, é comum o aumento no consumo de alimentos açucarados ou ácidos devido aos desejos característicos desse período. O consumo frequente de doces, frutas cítricas e sucos pode acelerar o desgaste do esmalte e favorecer o desenvolvimento de cáries, contribuindo para a sensibilidade dentária.

Como é feito o diagnóstico da hipersensibilidade?
O diagnóstico preciso da hipersensibilidade dentinária é uma metodologia que possibilita proporcionar cuidados personalizados.
Inicialmente, a anamnese minuciosa é fundamental, investigando detalhes sobre histórico odontológico, características de padrões de dor e hábitos alimentares.
Em seguida, o exame clínico, onde se avalia a presença de fatores desencadeantes, como retração gengival, cáries ou fraturas.
Se necessário, este é o momento de solicitar exames radiológicos e testes específicos, como a aplicação de ar comprimido, para identificar áreas de sensibilidade, amplificando a precisão diagnóstica.

Como tratar sensibilidade nos dentes?
O tratamento da hipersensibilidade dentinária requer uma abordagem holística, considerando múltiplos aspectos que juntos vão proporcionar alívio efetivo.
Nesse sentido, o uso de medicações e agentes dessensibilizantes, como géis/cremes dentais com nitrato de potássio ou fluoreto de sódio, é comum para reduzir o desconforto causado pela hipersensibilidade.
Além disso, promover a educação do paciente sobre técnicas de escovação suave e a implementação de estratégias de prevenção, como o uso de escovas de cerdas macias e evitar alimentos ácidos, são primordiais.
Bem como, orientações precisas sobre a escolha de dentifrícios específicos, ricos em flúor e evitando produtos dentais abrasivos.
Dentre a lista de abordagens práticas inclui-se a aplicação tópica de flúor, que surge como uma vertente eficaz no tratamento da sensibilidade dentária, sendo aplicada diretamente na região exposta, formando cristais protetores.
Esse método, acessível e eficiente, fortalece a camada interna dentinária, resguardando-a contra agentes externos.
Outras opções incluem o tratamento com restaurações quando necessário, em que resinas são implantadas nas cavidades afetadas, especialmente em casos de atrito dental.
Do mesmo modo, o uso de laser cirúrgico, para selar cavidades dentinárias expostas ou de baixa intensidade para efeitos analgésicos, é uma alternativa avançada.
E por fim, surpreendentemente, surgem os adesivos, embora incomuns, atuam como uma alternativa não endodôntica, vedando túbulos dentinários expostos e minimizando a sensibilidade nos dentes, proporcionando uma abordagem menos invasiva e eficaz.

Prevenção para Hipersensibilidade Dentinária
Iniciar a prevenção da hipersensibilidade dentinária, com recomendações precisas é fundamental, como:
1. Escovação Adequada:
- Escolher de escovas com cerdas macias;
- Adotar movimentos suaves para evitar pressão excessiva;
- Orientar sobre técnicas de escovação eficazes.

2. Uso de Produtos Específicos:
- Recomendar cremes dentais formulados para sensibilidade;
- Incorporar o uso de enxaguantes bucais remineralizantes, ou seja, com flúor.

3. Estilo de Vida Consciente:
- Moderar no consumo de alimentos e bebidas ácidas;
- Utilizar canudos para minimizar o contato das bebidas direto com os dentes;
- Controlar o bruxismo com dispositivos protetores noturnos.
Essas medidas preventivas, quando integradas, formam uma abordagem ampla para amenizar a hipersensibilidade dentinária, promovendo uma saúde bucal duradoura.

Em síntese, a compreensão das particularidades da hipersensibilidade dentinária é essencial para que os profissionais da odontologia, possam assim lidar com as causas e aplicar abordagens específicas de tratamento, é possível melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
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Referências
https://www.dviradiologia.com.br/2022/05/27/hipersensibilidade-dentinaria/
https://www.elmex.com.br/articles/hipersensibilidade-dentinaria
https://blog.dentalspeed.com/hipersensibilidade-dentinaria-diagnostico-e-tratamentos/
https://beegreen.eco.br/canudo-de-inox-para-saude-bucal/
*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.