05 fev 2026
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Quando indicar o Implante Zigomático?

Raio-x panorâmico de paciente que está com implantes zigomáticos.

A reabilitação de maxilas atróficas sempre representou um desafio importante na implantodontia.

Embora os avanços em regeneração óssea tenham ampliado as possibilidades terapêuticas, ainda existem situações em que o volume ósseo disponível é tão reduzido que inviabiliza o uso de implantes convencionais.

É justamente nesse cenário que o implante zigomático se destaca como uma alternativa eficiente, previsível e amplamente estudada.

Ao longo dos últimos anos, essa abordagem cirúrgica passou por aprimoramentos técnicos e ganhou relevância clínica, principalmente em pacientes com reabsorções avançadas.

Hoje, falar sobre implante zigomático é discutir uma das soluções mais robustas para a reabilitação oral complexa.

Por isso, neste artigo, vamos conversar diretamente com você, profissional da odontologia, sobre indicações, vantagens, limitações, riscos e etapas clínicas desse procedimento.

Siga a leitura e aprofunde seu entendimento sobre quando o protocolo zigomático é a melhor escolha para a reabilitação protética.

Desenho de crânio para mostrar como ficam os implantes zigomáticos encaixados na arcada dentária.
Na implantodontia existem diferentes tipos de implantes, como os convencionais, curtos, inclinados, pterigoideos e os implantes zigomáticos, indicados para casos de grande reabsorção óssea. (Reprodução/IStock)

O que é protocolo zigomático?

O protocolo zigomático é uma abordagem cirúrgica e protética indicada para reabilitar áreas de maxila severamente atróficas por meio da instalação de implantes ancorados no osso zigomático.

O princípio dessa técnica consiste em utilizar a densidade cortical elevada do zigoma como base de fixação para implantes longos, geralmente variando entre 30 mm e 52 mm.

Ao contrário dos implantes convencionais, que dependem da integridade do rebordo alveolar, o protocolo zigomático ultrapassa o seio maxilar e se apoia em uma estrutura óssea mais estável e resistente.

Dessa forma, o tratamento evita enxertos ósseos volumosos e permite a instalação de próteses fixas, frequentemente com possibilidade de carga imediata.

Na prática clínica, o protocolo zigomático pode ser aplicado isoladamente ou associado a implantes convencionais.

Em muitos casos, dois implantes zigomáticos são instalados bilateralmente para compor o suporte anterior e posterior, formando uma base protética estável para reabilitações totais.

O planejamento envolve tomografias computadorizadas, softwares de navegação cirúrgica e avaliação criteriosa da anatomia zigomática.

Esses recursos permitem visualizar trajetórias seguras, evitando estruturas nobres como órbita, fossa infratemporal e tecido retroorbitário.

Desenho dos ossos da face para mostrar como ficam os implantes zigomáticos encaixados na arcada dentária.
O protocolo zigomático é uma técnica reabilitadora que utiliza implantes ancorados no osso zigomático para suporte de próteses fixas em pacientes com maxila severamente atrófica. (Reprodução/FMS)

Para quem é indicado o implante zigomático?

O implante zigomático é indicado principalmente para pacientes com atrofia severa da maxila, quando a altura óssea remanescente é insuficiente para suportar implantes convencionais.

Essa condição, observada nos padrões V e VI da classificação de Cawood e Howell, exige alternativas mais avançadas de ancoragem.

Além disso, o implante zigomático é especialmente útil em:

  • Pacientes que passaram por falhas de enxerto ósseo prévio.
  • Indivíduos com pneumatização acentuada do seio maxilar
  • Pacientes edêntulos há muitos anos, com perda óssea progressiva.
  • Pessoas que não desejam procedimentos extensos de enxertia.
  • Pacientes com limitações sistêmicas que contraindicam grandes cirurgias reconstrutivas.
  • Casos de reabilitação integral da maxila por meio de próteses fixas.
  • Pacientes com reabsorções decorrentes de trauma, infecções ou condições patológicas.

Muitos profissionais também adotam o protocolo zigomático como alternativa à reconstrução óssea autógena em bloco, uma vez que a cirurgia no zigoma oferece resultados previsíveis com menor morbidade.

Desenho de crânio para mostrar como ficam os implantes zigomáticos.
O implante zigomático é indicado para pacientes com perda óssea avançada na maxila que não apresentam volume suficiente para implantes convencionais. (Reprodução/ShutterStock)

Quais as vantagens do implante zigomático?

A utilização do implante zigomático apresenta benefícios expressivos para o paciente e para a equipe odontológica, especialmente em situações em que as técnicas convencionais encontram limitações.

A seguir, detalhamos os principais diferenciais clínicos.

Dispensa enxertos ósseos

Uma das vantagens mais significativas é justamente evitar cirurgias de enxertia óssea, como sinus lift, enxerto em bloco e reconstruções alveolares extensas.

A ausência desses procedimentos reduz o tempo total de tratamento e diminui complicações pós-operatórias relacionadas ao enxerto, como reabsorção, infecção e falhas de integração.

Além disso, ao eliminar etapas intermediárias, o paciente tem uma experiência mais simples e previsível, característica que favorece a aceitação do tratamento.

Antes e depois de senhor que colocou implantes zigomáticos e em cima está o antes e depois nos raio-x panorâmicos.
Uma das principais vantagens do implante zigomático é que ele dispensa enxertos ósseos extensos, reduzindo tempo de tratamento e número de cirurgias. (Reprodução/LBR Dental & Implant Center)

Rápida recuperação

A recuperação tende a ser mais rápida em comparação com cirurgias de enxerto, pois o acesso cirúrgico concentra-se em regiões com boa vascularização e menor manipulação tecidual.

Embora seja um procedimento avançado, o trauma cirúrgico costuma ser menor do que o observado em enxertos extensos.

Por isso, muitos pacientes retomam suas atividades em prazo curto, desde que observem corretamente as orientações pós-operatórias.

Maior estabilidade

A densidade do osso zigomático proporciona excelente estabilidade primária, um dos pilares para o sucesso de protocolos de carga imediata.

Em pacientes com rebordo alveolar extremamente reduzido, essa característica se torna um diferencial, já que possibilita a instalação de uma prótese provisória fixa com segurança biomecânica.

A estabilidade também contribui para o desempenho a longo prazo, com taxas de sucesso superiores a 95% em estudos clínicos de acompanhamento prolongado.

4 desenhos de crânios para mostrar como ficam os implantes zigomáticos encaixados na arcada dentária, em posições diferentes.
O implante zigomático oferece maior estabilidade primária devido à ancoragem em um osso denso e de alta qualidade, como o zigoma. (Reprodução/IStock)

Menor tempo de tratamento

Ao dispensar enxertos e permitir carga imediata, o tempo total entre cirurgia e reabilitação protética reduz de forma expressiva.

Enquanto protocolos convencionais exigem meses de espera entre enxerto e instalação final da prótese, o protocolo zigomático oferece funcionalidade protética em prazos mais curtos.

Esse fator tem impacto direto na satisfação dos pacientes, que muitas vezes procuram soluções rápidas e previsíveis.

Resultados imediatos

Devido à alta estabilidade do implante zigomático, é possível realizar a instalação da prótese provisória logo após a cirurgia.

Esse resultado imediato devolve ao paciente função mastigatória, estética e conforto, evitando períodos prolongados sem prótese ou com próteses removíveis instáveis.

Esse benefício é particularmente relevante em reabilitações totais, nas quais a transição para uma prótese fixa impacta positivamente a qualidade de vida.

Antes e depois de senhora que colocou implantes zigomáticos, mostrando o rosto dela e de perto só a boca.
Em muitos casos, o protocolo zigomático permite carga imediata, proporcionando resultados funcionais e estéticos em curto prazo. (Reprodução/Mulberry Dental)

Quais as desvantagens dos implantes zigomáticos?

Embora apresente diversas vantagens, o implante zigomático não é isento de limitações.

Por ser uma técnica cirúrgica avançada, exige preparo adequado, ambiente controlado e avaliação minuciosa do paciente.

A seguir, destacamos pontos importantes a serem considerados:

Pode precisar de hospitalização

Dependendo da complexidade anatômica, da condição sistêmica do paciente e do protocolo utilizado, o procedimento pode requerer ambiente hospitalar.

Essa necessidade envolve maior logística, exigências adicionais de biossegurança e suporte anestésico, o que torna o planejamento mais abrangente.

Desenho dos ossos da face para mostrar como ficam os implantes zigomáticos encaixados na arcada dentária.
Dependendo da complexidade do caso, o implante zigomático pode exigir hospitalização e realização do procedimento em ambiente hospitalar.

Necessidade de sedação

A sedação, seja ela consciente ou geral, costuma ser recomendada para assegurar conforto e segurança durante a cirurgia.

Como o acesso envolve regiões profundas e a manipulação do seio maxilar, a sedação auxilia no controle do estresse, reduz movimentos involuntários e facilita o ato cirúrgico.

Contudo, isso implica avaliação médica prévia, equipe habilitada e monitoramento rigoroso.

Complexidade da cirurgia

A técnica demanda precisão, domínio das estruturas anatômicas da face e experiência avançada em implantodontia.

A trajetória do implante deve ser planejada com profundidade, considerando o risco de violação da órbita, fossa temporal e seio maxilar.

Por isso, o tratamento é indicado apenas para profissionais capacitados e que disponham de suporte tecnológico adequado.

Imagem computadorizada de como vai ser o encaixe dos implantes zigomáticos no paciente.
A cirurgia de implante zigomático é considerada de alta complexidade e deve ser realizada por profissionais experientes e devidamente capacitados. (Reprodução/IStock)

Maior custo financeiro

O custo tende a ser mais elevado tanto para o paciente quanto para a clínica, já que envolve implantes longos, instrumentais específicos, exames de alta resolução e, em alguns casos, suporte hospitalar.

Apesar disso, o investimento se justifica quando comparado ao conjunto de benefícios e à previsibilidade do resultado.

Pode causar infecções

Assim como qualquer cirurgia invasiva, existe risco de infecção pós-operatória, especialmente envolvendo o seio maxilar.

Uma adequada antibioticoterapia, higiene rigorosa e acompanhamento periódico são medidas essenciais para minimizar essas complicações.

Desenho de crânio para mostrar como fica o implante zigomático encaixado, visto bem de perto.
A cirurgia de implante zigomático é considerada de alta complexidade e deve ser realizada por profissionais experientes e devidamente capacitados. (Reprodução/Nobel Biocare)

Quais os riscos do implante zigomático?

Os principais riscos envolvem:

  • Perfuração orbitária;
  • Sinusite crônica;
  • Comunicação bucosinusal;
  • Dor neuropática;
  • Parestesia;
  • Inflamação persistente;
  • Falha de osseointegração;
  • Complicações protéticas decorrentes de angulação desfavorável.

A tomografia computadorizada, o planejamento guiado e a execução por profissionais experientes são estratégias fundamentais para reduzir esses riscos de maneira significativa.

imagem em preto e branco de mulher apertando a bochecha com dor, representado pela cor vermelha
Assim como qualquer procedimento cirúrgico, o implante zigomático pode apresentar risco de infecções quando não são seguidos protocolos rígidos de assepsia e acompanhamento. (Reprodução/Dreamstime)

Como é realizado o implante zigomático?

A técnica inclui uma sequência estruturada:

  1. Planejamento digital: avaliação tomográfica tridimensional do zigoma, seio maxilar, espessura cortical e trajetórias seguras.
  2. Anestesia e sedação: realizada conforme protocolo individual do paciente.
  3. Acesso cirúrgico: incisão em crista alveolar e descolamento do retalho para exposição do rebordo e região lateral do seio.
  4. Perfuração: inicia-se na maxila atrófica, atravessa o seio maxilar e alcança o corpo do zigoma. A perfuração deve seguir a angulação planejada.
  5. Instalação do implante longo: fixação com torque elevado devido à densidade do zigoma.
  6. Avaliação de estabilidade e instalação de componentes protéticos: preparação para carga imediata quando possível.
  7. Sutura e controle pós-operatório: orientações detalhadas para higiene, dieta e medicação.

A cirurgia pode ser realizada guiada ou livre, dependendo da experiência do profissional e do acesso a tecnologias de navegação.

Desenho de crânio para mostrar como ficam os implantes zigomáticos encaixados na arcada dentária.
O implante zigomático é realizado por meio de acesso cirúrgico à maxila, com posicionamento do implante atravessando o seio maxilar até o osso zigomático, guiado por exames de imagem.

Como é o pós-operatório desse implante?

O pós-operatório do implante zigomático exige atenção especial.

O paciente pode apresentar edema, desconforto facial, sangramento leve e sensação de pressão no seio maxilar.

Analgésicos e anti-inflamatórios são prescritos conforme necessidade.

É importante orientar:

  • Higiene bucal cuidadosa;
  • Alimentação pastosa nos primeiros dias;
  • Evitar assoar o nariz;
  • Repouso relativo;
  • Retorno periódico para avaliação clínica.

A adesão às recomendações reduz complicações e favorece uma recuperação tranquila.

Mulher está deitada de repouso com bolsa de gelo no rosto.
O implante zigomático é realizado por meio de acesso cirúrgico à maxila, com posicionamento do implante atravessando o seio maxilar até o osso zigomático, guiado por exames de imagem. (Reprodução/Midwest Oral Surgery)

Conclusão

O implante zigomático representa uma solução moderna e eficiente para reabilitar maxilas severamente atróficas.

Graças à alta estabilidade e à possibilidade de carga imediata, esse protocolo amplia as opções terapêuticas e oferece resultados previsíveis.

Para o cirurgião-dentista, dominar esse conhecimento é uma forma de aprimorar sua prática clínica e expandir sua atuação em reabilitações avançadas.

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Referências:

https://humanizaodontologia.com.br/implantes-zigomaticos-o-que-sao-e-quando-sao-indicados/

https://www.oralsin.com.br/implante-zigomatico-saiba-o-que-e-e-como-e-feito

https://clinicaodontologicasante.com.br/riscos-do-implante-zigomatico/

https://benessereodonto.com.br/odontologia-estetica/implante-dentario/implante-zigomatico-pode-mudar-a-sua-vida

https://ianarapinho.odo.br/implante-zigomatico/

*O texto acima foi preparado a partir de muita pesquisa para ajudar nas suas dúvidas. Porém, não foi escrito por um dentista, assim a EAP não se responsabiliza pelas informações, pois não possuem caráter científico.

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