A moldagem com alginato faz parte da rotina clínica de praticamente todos os cirurgiões-dentistas.
Está presente no planejamento ortodôntico, na confecção de próteses provisórias, na documentação clínica e na produção de dispositivos intraorais.
Ainda assim, apesar de sua ampla utilização, muitos profissionais executam o procedimento de forma automática, sem explorar todo o potencial técnico que o material oferece.
Você já refletiu sobre o impacto que uma manipulação inadequada pode gerar no resultado final do modelo? Ou sobre como pequenas variações na proporção água/pó influenciam diretamente a estabilidade dimensional?
Em um cenário cada vez mais tecnológico, com scanners intraorais e fluxos digitais, compreender profundamente a moldagem com alginato continua sendo relevante, inclusive para decidir quando utilizá-la e quando optar por alternativas.
Neste artigo, vamos aprofundar os aspectos científicos, clínicos e operacionais da moldagem com alginato na odontologia, explorando composição, indicações, técnica correta, limitações e erros frequentes.
O objetivo é oferecer uma visão técnica e atualizada para profissionais que desejam elevar o padrão de seus resultados clínicos.

Do que é feito o alginato?
O alginato odontológico é classificado como um hidrocolóide irreversível.
Sua principal matéria-prima deriva de algas marinhas pardas, ricas em ácido algínico.
No contexto odontológico, utiliza-se o sal de alginato (geralmente alginato de sódio ou potássio), que reage quimicamente formando um gel elástico após a mistura com água.
Sua composição inclui:
- Alginato de sódio ou potássio – responsável pela formação do gel.
- Sulfato de cálcio di-hidratado – agente reativo que promove a gelificação.
- Fosfato trissódico – atua como retardador da reação.
- Carga inorgânica (terra diatomácea) – confere consistência e resistência.
- Fluoretos – melhoram a superfície do modelo de gesso.
- Pigmentos e aromatizantes.
A reação química ocorre em duas etapas principais: Primeiro, o fosfato trissódico reage com o sulfato de cálcio, retardando o início da presa. Em seguida, o sulfato de cálcio residual reage com o alginato de sódio, formando alginato de cálcio insolúvel, o gel definitivo.
Do ponto de vista físico-químico, o alginato apresenta comportamento elástico satisfatório, embora com menor estabilidade dimensional quando comparado aos elastômeros (silicones de adição, silicones de condensação e poliéteres).
Essa característica está relacionada aos fenômenos de sinérese (perda de água) e imbibição (absorção de água), que influenciam diretamente o tempo ideal para vazamento do modelo.

(Reprodução/Freepik)
Usos da moldagem com alginato na odontologia
A moldagem com alginato é indicada principalmente para procedimentos que não exigem altíssima precisão marginal.
Entre suas aplicações mais comuns estão:
- Modelos de estudo e diagnóstico;
- Planejamento ortodôntico;
- Confecção de placas oclusais e dispositivos interoclusais;
- Moldagens preliminares em prótese total e parcial removível;
- Moldeiras individuais;
- Documentação clínica e acadêmica.
Na ortodontia, por exemplo, o alginato ainda é amplamente utilizado para obtenção de modelos iniciais, mesmo diante da crescente adoção do escaneamento digital.
Já em prótese, funciona adequadamente como etapa preliminar antes da moldagem funcional.
Portanto, embora o fluxo digital esteja em expansão, o alginato mantém espaço consolidado na prática clínica, principalmente por seu custo-benefício e facilidade de manipulação.

Tipos de alginato odontológico
Os alginatos odontológicos são classificados conforme o tempo de presa.
Alginato Tipo I – Presa Rápida
O Tipo I apresenta tempo de trabalho reduzido, geralmente entre 1 e 2 minutos, com presa final em aproximadamente 2 minutos.
Indicações principais:
- Pacientes com reflexo nauseoso exacerbado;
- Moldagens em crianças;
- Procedimentos que exigem agilidade clínica;
- Ambientes com temperatura ambiente elevada.
Entretanto, exige maior domínio técnico, pois o tempo de manipulação é curto. Qualquer atraso pode comprometer a adaptação do material à arcada.

(Reprodução/Dentsply)
Alginato Tipo II – Presa Regular
O Tipo II possui tempo de trabalho mais prolongado, variando entre 2 e 4 minutos.
É indicado para:
- Casos que exigem maior tempo de inserção;
- Procedimentos realizados por alunos ou profissionais em treinamento;
- Moldagens mais extensas ou com maior complexidade anatômica.
A escolha entre Tipo I e Tipo II deve considerar perfil do paciente, ambiente clínico e experiência do operador.

Como é feita a moldagem com alginato?
A execução correta da técnica influencia diretamente a qualidade do modelo obtido.
A seguir, detalhamos cada etapa.
Seleção da moldeira
A escolha da moldeira é determinante para o sucesso da moldagem com alginato.
O profissional deve selecionar um modelo compatível com o tamanho e a anatomia da arcada do paciente, assegurando espaço uniforme para acomodação adequada do material.
Moldeiras perfuradas ou com retenções mecânicas são preferíveis, pois aumentam a estabilidade do alginato durante a remoção.
Além disso, é recomendável realizar a prova clínica da moldeira antes da manipulação do material, verificando extensão posterior, adaptação às regiões vestibulares e conforto do paciente.
Quando essa etapa é negligenciada, podem ocorrer compressões indesejadas, falhas periféricas e distorções que comprometem a fidelidade do modelo.
Manipulação do alginato
A manipulação correta do alginato começa com o rigor na proporção água/pó, conforme especificado pelo fabricante.
Qualquer alteração nessa relação interfere diretamente na viscosidade da mistura, no tempo de presa e na resistência final do gel formado.
O procedimento técnico consiste em medir adequadamente o pó, adicionar a quantidade exata de água previamente mensurada e realizar espatulação vigorosa, geralmente entre 45 e 60 segundos, até obtenção de massa homogênea, lisa e isenta de grumos ou bolhas.
A temperatura da água exerce influência direta sobre a cinética da reação química.
Água fria prolonga o tempo de trabalho, enquanto água morna acelera a presa.
Essa variável pode ser utilizada de maneira estratégica para ajustar o tempo clínico às necessidades do procedimento e ao perfil do paciente.

Arrumar a moldeira
Após a manipulação, o alginato deve ser inserido na moldeira de forma uniforme, evitando aprisionamento de ar.
A superfície pode ser alisada com espátula levemente umedecida para melhorar a adaptação.
A inserção na cavidade oral deve ocorrer preferencialmente iniciando pela região posterior, reduzindo desconforto e minimizando o reflexo nauseoso.
Em seguida, a moldeira deve ser centralizada e estabilizada com pressão controlada, sem movimentos excessivos.
Durante o tempo de presa, é indispensável manter o conjunto imóvel, pois deslocamentos podem provocar distorções elásticas e falhas na reprodução de detalhes anatômicos.
Remoção da moldeira
A remoção deve ser realizada com movimento firme e rápido, rompendo o selamento periférico de maneira controlada.
Movimentos lentos tendem a gerar deformações elásticas permanentes, prejudicando a precisão do molde.
Após a retirada, o molde deve ser lavado em água corrente para remoção de resíduos salivares e, na sequência, submetido à desinfecção conforme o protocolo de biossegurança adotado pela clínica.
Caso o vazamento não seja imediato, recomenda-se armazenamento por curto período em ambiente úmido controlado, evitando tanto desidratação quanto absorção excessiva de água.

Vazamento do gesso
O vazamento do modelo deve ocorrer preferencialmente em até 15 minutos após a moldagem, reduzindo o risco de alterações dimensionais decorrentes da sinérese.
Durante essa etapa, o uso do vibrador de gesso é indicado para melhorar o escoamento do material e diminuir a formação de bolhas.
O gesso deve ser introduzido gradualmente, em pequenas porções, permitindo que flua progressivamente sobre os detalhes anatômicos.
O controle técnico dessa fase influencia diretamente a fidelidade morfológica e a qualidade superficial do modelo final.
Quais são as vantagens do alginato odontológico?
Entre os principais benefícios, destacam-se:
- Baixo custo;
- Fácil manipulação;
- Tempo clínico reduzido;
- Conforto ao paciente;
- Hidrofilia natural;
- Boa elasticidade para remoção.
O material apresenta ainda, curva de aprendizado acessível, o que favorece sua utilização em ambientes acadêmicos.

Quais as desvantagens do alginato odontológico?
Apesar das vantagens, o alginato apresenta limitações importantes:
- Estabilidade dimensional limitada;
- Menor reprodução de detalhes finos;
- Sensibilidade à técnica;
- Necessidade de vazamento rápido;
- Resistência mecânica inferior aos elastômeros.
Em casos que exigem alta precisão marginal, materiais como silicones de adição demonstram desempenho superior.

Erros comuns na manipulação do alginato na odontologia
Na prática clínica, alguns equívocos são recorrentes e comprometem a qualidade da moldagem.
Entre eles, destacam-se a proporção incorreta de água e pó, que altera viscosidade e resistência; a espatulação insuficiente, que gera grumos e incorporação de ar; e o uso de água em temperatura inadequada, modificando o tempo de presa.
Movimentações da moldeira durante a gelificação também provocam distorções, assim como o atraso no vazamento do gesso.
Ademais, o armazenamento inadequado do molde favorece alterações dimensionais indesejadas.
A padronização rigorosa do protocolo clínico, associada ao treinamento da equipe, reduz significativamente a ocorrência dessas falhas e eleva a previsibilidade dos resultados.

Conclusão
A moldagem com alginato permanece como um recurso técnico relevante na odontologia contemporânea.
Embora o avanço do fluxo digital seja evidente, o domínio da técnica convencional continua sendo parte integrante da formação e da prática clínica qualificada.
Compreender sua composição, suas indicações e suas limitações permite decisões clínicas mais seguras e resultados mais previsíveis.
Pequenos ajustes na manipulação podem impactar significativamente a qualidade do modelo obtido.
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Investir em capacitação é uma decisão estratégica para elevar o padrão da sua atuação profissional.
Referências:
https://blog.dentalhenryschein.com.br/alginato-em-moldagens-odontologicas
https://www.colgate.com.br/oral-health/dental-visits/what-is-an-alginate-impression
https://blog.dentalspeed.com/alginato-na-odontologia
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33523088
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20142882
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30597945
*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.