A mucosite oral é uma condição frequentemente encontrada na rotina de profissionais da odontologia que atuam com pacientes submetidos a tratamentos oncológicos.
Embora sua incidência seja elevada entre pacientes em quimioterapia ou radioterapia, muitos cirurgiões-dentistas ainda se deparam com dúvidas quanto à conduta ideal frente a esse quadro.
Este artigo foi desenvolvido com o objetivo de esclarecer os aspectos mais relevantes da mucosite oral, abordando seus sintomas, estratégias de prevenção e métodos terapêuticos mais eficazes.
Se você é um profissional da odontologia em busca de atualização científica e deseja oferecer uma assistência cada vez mais humanizada e eficaz, continue a leitura.
As informações a seguir foram cuidadosamente selecionadas para que você amplie seu conhecimento e esteja preparado para intervir de forma segura e assertiva diante dessa afecção tão impactante para a qualidade de vida dos pacientes.

O que é mucosite?
A mucosite oral é uma inflamação aguda da mucosa bucal, geralmente associada a efeitos adversos do tratamento antineoplásico, como a quimioterapia citotóxica e a radioterapia, especialmente quando direcionada à região da cabeça e pescoço.
Trata-se de uma condição dolorosa e debilitante que compromete as funções orais básicas, como mastigação, deglutição e fonação.
A patogênese da mucosite envolve uma cascata de eventos biológicos iniciada pela destruição celular epitelial, seguida por inflamação, ulceração e colonização microbiana secundária.
Além do impacto físico, a mucosite oral compromete a adesão ao tratamento oncológico e pode aumentar significativamente o risco de infecções sistêmicas, especialmente em pacientes imunossuprimidos.
Por isso, seu manejo adequado representa uma importante interface entre a odontologia e a oncologia, demandando atenção especializada por parte do cirurgião-dentista.

Principais sintomas da mucosite
Os sinais clínicos da mucosite oral costumam surgir entre o terceiro e o décimo dia após o início da quimioterapia ou radioterapia.
O quadro evolui em cinco estágios distintos: inicia-se com uma sensação de queimação, seguida por eritema, ulceração, dor intensa e, em alguns casos, formação de pseudomembranas.
Os principais sintomas incluem:
- Dor e ardência na mucosa oral;
- Eritema e edema;
- Úlceras superficiais ou profundas, com ou sem exsudato;
- Sensibilidade aumentada a alimentos e bebidas;
- Dificuldade para mastigar, engolir e falar;
- Sialorreia ou xerostomia;
- Possível sangramento ao toque ou durante a higienização oral.
É fundamental que o cirurgião-dentista identifique precocemente esses sinais, pois o agravamento da mucosite pode levar à suspensão do tratamento oncológico, com impactos diretos no prognóstico do paciente.

Como prevenir a mucosite oral?
A prevenção da mucosite oral deve ser iniciada antes mesmo do início do tratamento oncológico.
Envolve medidas que visam manter a integridade da mucosa oral e controlar a microbiota local.
A atuação preventiva do cirurgião-dentista é estratégica e deve incluir:
- Avaliação odontológica pré-tratamento oncológico;
- Remoção de focos infecciosos e ajustes protéticos;
- Educação do paciente quanto à higiene oral meticulosa;
- Utilização de escovas ultra macias e enxaguantes bucais não alcoólicos;
- Laserterapia de baixa intensidade como recurso preventivo, especialmente eficaz em protocolos de radioterapia;
- Lubrificação contínua da mucosa com saliva artificial ou hidratantes bucais.
A implementação dessas medidas deve ser personalizada, considerando o tipo de tratamento antineoplásico, o estado geral de saúde do paciente e as particularidades anatômicas da cavidade oral.
A laserterapia, por exemplo, tem demonstrado eficácia tanto na prevenção quanto na atenuação dos sintomas, graças à sua ação anti-inflamatória e bioestimuladora.
Já a manutenção da higiene bucal com produtos adequados é essencial para evitar a proliferação de microrganismos patogênicos e minimizar traumas mecânicos à mucosa.
Cabe ressaltar que, conforme as diretrizes do INCA, a adoção precoce de uma abordagem multidisciplinar contribui diretamente para a redução da frequência e da intensidade da mucosite oral, promovendo maior conforto ao paciente e facilitando a continuidade do tratamento oncológico sem interrupções desnecessárias.

Como é o tratamento da mucosite?
O tratamento da mucosite oral é sintomático e deve ser adaptado à gravidade do quadro clínico.
A abordagem terapêutica visa aliviar a dor, promover a cicatrização e prevenir complicações infecciosas.
A seguir, detalhamos os principais recursos terapêuticos disponíveis.
Bochechos
Bochechos terapêuticos desempenham papel fundamental no manejo da mucosite oral.
As formulações mais utilizadas incluem:
- Solução salina ou bicarbonatada: promove limpeza da mucosa e reduz a acidez local;
- Soluções analgésicas: compostas por lidocaína viscosa ou associadas a anti-inflamatórios, oferecem alívio temporário da dor;
- Bochechos antissépticos: como clorexidina 0,12%, com uso criterioso devido à possível irritação;
- Soluções bioadesivas ou com fator de crescimento: promovem regeneração tecidual e maior conforto ao paciente.
A escolha do bochecho deve considerar a fase da mucosite, a tolerância do paciente e as demais terapias em curso.

Medicamentos
O manejo farmacológico da mucosite oral deve ser individualizado e orientado conforme a gravidade do quadro clínico, com foco no alívio da dor, controle de infecções e estímulo à regeneração tecidual.
Analgésicos não opioides, como paracetamol e dipirona, costumam ser prescritos nas fases iniciais.
Em situações de dor intensa, o uso de opioides (como morfina oral em baixas doses) pode ser necessário.
Anti-inflamatórios não esteroidais, embora eficazes, requerem cautela pelo potencial de efeitos adversos sistêmicos em pacientes oncológicos.
Além desses, outras medicações tópicas e sistêmicas frequentemente utilizadas incluem:
- Sucralfato: agente citoprotetor que atua formando uma barreira protetora sobre as lesões ulceradas, promovendo alívio e favorecendo a cicatrização;
- Palifermina: proteína recombinante que estimula a proliferação e diferenciação do epitélio mucoso, indicada especialmente para pacientes submetidos a regimes de alta dose de quimioterapia;
- Lidocaína viscosa ou gel anestésico: indicada para controle sintomático da dor local;
- Nistatina ou miconazol oral: utilizados na profilaxia ou tratamento de candidíase secundária, comum em mucosas fragilizadas;
- Clorexidina a 0,12%: utilizada com moderação, por seu potencial irritativo em mucosas ulceradas;
- Antibióticos tópicos ou sistêmicos: empregados somente em casos de infecção bacteriana comprovada;
- Laserterapia de baixa intensidade (LLLT): embora não seja uma medicação, deve ser citada como recurso terapêutico de primeira linha pela sua eficácia anti-inflamatória, analgésica e cicatrizante.
É fundamental que o cirurgião-dentista esteja familiarizado com essas opções e saiba indicar corretamente a associação entre medicamentos tópicos e sistêmicos, avaliando constantemente a resposta clínica do paciente e a evolução da mucosite.
A prescrição segura depende de uma avaliação criteriosa e da articulação entre a equipe odontológica e a equipe oncológica, garantindo o controle dos sintomas sem comprometer a continuidade do tratamento antineoplásico.
Cuidados caseiros
A orientação ao paciente sobre cuidados domiciliares é parte essencial do plano terapêutico.
Entre as principais recomendações estão:
- Higienização bucal suave, com escova de cerdas ultra macias;
- Uso frequente de enxaguantes indicados pelo cirurgião-dentista;
- Hidratação contínua da mucosa e ingestão adequada de líquidos;
- Evitar alimentos ácidos, picantes ou com temperatura extrema;
- Suspensão temporária de próteses móveis, caso provoquem desconforto ou trauma.
Essas medidas visam preservar a integridade da mucosa e evitar o agravamento do quadro inflamatório.

Alimentação para quem tem mucosite oral
A escolha alimentar é fator determinante na recuperação do paciente com mucosite oral.
Recomenda-se uma dieta pastosa ou líquida, com alimentos ricos em proteínas e calorias, porém de fácil mastigação e deglutição.
Boas opções incluem:
- Purês, sopas e caldos mornos;
- Leite e derivados, desde que bem tolerados;
- Frutas cozidas ou em compota;
- Suplementos nutricionais conforme prescrição.
Evitar alimentos crocantes, cítricos, condimentados ou muito quentes é essencial para minimizar o desconforto.
O acompanhamento de um nutricionista pode ser valioso para garantir o aporte nutricional adequado durante o tratamento.
Conclusão
A mucosite oral é uma condição complexa, que exige do cirurgião-dentista uma abordagem integrada, baseada em evidências científicas e condutas individualizadas.
A atuação preventiva, aliada a um tratamento eficaz e humanizado, representa um diferencial na qualidade de vida dos pacientes oncológicos e na adesão aos protocolos terapêuticos.
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Referências:
https://www.colgate.com.br/oral-health/cancer/mucositis-treatment
https://www.cuf.pt/mais-saude/tratamento-oncologico-prevenir-e-tratar-mucosite-oral
https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/1135
https://clinicacorp.com.br/mucosite-oral-o-que-e
*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.