30 abr 2025
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Mucosite Oral: Tratamento e Prevenção

Doutora conversando e mostrando algo num papel para uma paciente com câncer que está com cabeça tampada por um lenço.

A mucosite oral é uma condição frequentemente encontrada na rotina de profissionais da odontologia que atuam com pacientes submetidos a tratamentos oncológicos.

Embora sua incidência seja elevada entre pacientes em quimioterapia ou radioterapia, muitos cirurgiões-dentistas ainda se deparam com dúvidas quanto à conduta ideal frente a esse quadro.

Este artigo foi desenvolvido com o objetivo de esclarecer os aspectos mais relevantes da mucosite oral, abordando seus sintomas, estratégias de prevenção e métodos terapêuticos mais eficazes.

Se você é um profissional da odontologia em busca de atualização científica e deseja oferecer uma assistência cada vez mais humanizada e eficaz, continue a leitura.

As informações a seguir foram cuidadosamente selecionadas para que você amplie seu conhecimento e esteja preparado para intervir de forma segura e assertiva diante dessa afecção tão impactante para a qualidade de vida dos pacientes.

Mulher possui mucosite oral e está mostrando na parte interior dos seu lábios.
A mucosite oral é uma condição que impacta significativamente a qualidade de vida do paciente, exigindo prevenção cuidadosa e tratamento adequado para minimizar o desconforto e evitar complicações.(Reprodução/IStock)

O que é mucosite?

A mucosite oral é uma inflamação aguda da mucosa bucal, geralmente associada a efeitos adversos do tratamento antineoplásico, como a quimioterapia citotóxica e a radioterapia, especialmente quando direcionada à região da cabeça e pescoço.

Trata-se de uma condição dolorosa e debilitante que compromete as funções orais básicas, como mastigação, deglutição e fonação.

A patogênese da mucosite envolve uma cascata de eventos biológicos iniciada pela destruição celular epitelial, seguida por inflamação, ulceração e colonização microbiana secundária.

Além do impacto físico, a mucosite oral compromete a adesão ao tratamento oncológico e pode aumentar significativamente o risco de infecções sistêmicas, especialmente em pacientes imunossuprimidos.

Por isso, seu manejo adequado representa uma importante interface entre a odontologia e a oncologia, demandando atenção especializada por parte do cirurgião-dentista.

Dentista afasta com espelho a bochecha do paciente, mostrando na parede da boca dele um mucosite oral.
A mucosite oral é uma inflamação dolorosa da mucosa da boca, frequentemente associada a tratamentos como quimioterapia e radioterapia. (Reprodução/Research Gate)

Principais sintomas da mucosite

Os sinais clínicos da mucosite oral costumam surgir entre o terceiro e o décimo dia após o início da quimioterapia ou radioterapia.

O quadro evolui em cinco estágios distintos: inicia-se com uma sensação de queimação, seguida por eritema, ulceração, dor intensa e, em alguns casos, formação de pseudomembranas.

Os principais sintomas incluem:

  • Dor e ardência na mucosa oral;
  • Eritema e edema;
  • Úlceras superficiais ou profundas, com ou sem exsudato;
  • Sensibilidade aumentada a alimentos e bebidas;
  • Dificuldade para mastigar, engolir e falar;
  • Sialorreia ou xerostomia;
  • Possível sangramento ao toque ou durante a higienização oral.

É fundamental que o cirurgião-dentista identifique precocemente esses sinais, pois o agravamento da mucosite pode levar à suspensão do tratamento oncológico, com impactos diretos no prognóstico do paciente.

Jovem mulher está com dentes sangrando enquanto escova, ela mostra na escova de dente.
Os sintomas da mucosite incluem vermelhidão, inchaço, dor, ulcerações, dificuldade para se alimentar e sensação de queimação na boca. (Reprodução/IStock)

Como prevenir a mucosite oral?

A prevenção da mucosite oral deve ser iniciada antes mesmo do início do tratamento oncológico.

Envolve medidas que visam manter a integridade da mucosa oral e controlar a microbiota local.

A atuação preventiva do cirurgião-dentista é estratégica e deve incluir:

  • Avaliação odontológica pré-tratamento oncológico;
  • Remoção de focos infecciosos e ajustes protéticos;
  • Educação do paciente quanto à higiene oral meticulosa;
  • Utilização de escovas ultra macias e enxaguantes bucais não alcoólicos;
  • Laserterapia de baixa intensidade como recurso preventivo, especialmente eficaz em protocolos de radioterapia;
  • Lubrificação contínua da mucosa com saliva artificial ou hidratantes bucais.

A implementação dessas medidas deve ser personalizada, considerando o tipo de tratamento antineoplásico, o estado geral de saúde do paciente e as particularidades anatômicas da cavidade oral.

A laserterapia, por exemplo, tem demonstrado eficácia tanto na prevenção quanto na atenuação dos sintomas, graças à sua ação anti-inflamatória e bioestimuladora.

Já a manutenção da higiene bucal com produtos adequados é essencial para evitar a proliferação de microrganismos patogênicos e minimizar traumas mecânicos à mucosa.

Cabe ressaltar que, conforme as diretrizes do INCA, a adoção precoce de uma abordagem multidisciplinar contribui diretamente para a redução da frequência e da intensidade da mucosite oral, promovendo maior conforto ao paciente e facilitando a continuidade do tratamento oncológico sem interrupções desnecessárias.

Homem recebendo laserterapia com luz vermelha para melhorar a mucosite oral.
A prevenção da mucosite oral envolve cuidados rigorosos de higiene bucal, laserterapia e hidratação constante da mucosa. (Reprodução/Research Gate)

Como é o tratamento da mucosite?

O tratamento da mucosite oral é sintomático e deve ser adaptado à gravidade do quadro clínico.

A abordagem terapêutica visa aliviar a dor, promover a cicatrização e prevenir complicações infecciosas.

A seguir, detalhamos os principais recursos terapêuticos disponíveis.

Bochechos

Bochechos terapêuticos desempenham papel fundamental no manejo da mucosite oral.

As formulações mais utilizadas incluem:

  • Solução salina ou bicarbonatada: promove limpeza da mucosa e reduz a acidez local;
  • Soluções analgésicas: compostas por lidocaína viscosa ou associadas a anti-inflamatórios, oferecem alívio temporário da dor;
  • Bochechos antissépticos: como clorexidina 0,12%, com uso criterioso devido à possível irritação;
  • Soluções bioadesivas ou com fator de crescimento: promovem regeneração tecidual e maior conforto ao paciente.

A escolha do bochecho deve considerar a fase da mucosite, a tolerância do paciente e as demais terapias em curso.

Mulher asiática fazendo colocando liquido na boca com copo para fazer bochecho, ela está no banheiro.
O tratamento da mucosite oral pode incluir bochechos com soluções antissépticas, analgésicas ou medicamentosas para controlar a dor e reduzir a inflamação. (Reprodução/IStock)

Medicamentos

O manejo farmacológico da mucosite oral deve ser individualizado e orientado conforme a gravidade do quadro clínico, com foco no alívio da dor, controle de infecções e estímulo à regeneração tecidual.

Analgésicos não opioides, como paracetamol e dipirona, costumam ser prescritos nas fases iniciais.

Em situações de dor intensa, o uso de opioides (como morfina oral em baixas doses) pode ser necessário.

Anti-inflamatórios não esteroidais, embora eficazes, requerem cautela pelo potencial de efeitos adversos sistêmicos em pacientes oncológicos.

Além desses, outras medicações tópicas e sistêmicas frequentemente utilizadas incluem:

  • Sucralfato: agente citoprotetor que atua formando uma barreira protetora sobre as lesões ulceradas, promovendo alívio e favorecendo a cicatrização;
  • Palifermina: proteína recombinante que estimula a proliferação e diferenciação do epitélio mucoso, indicada especialmente para pacientes submetidos a regimes de alta dose de quimioterapia;
  • Lidocaína viscosa ou gel anestésico: indicada para controle sintomático da dor local;
  • Nistatina ou miconazol oral: utilizados na profilaxia ou tratamento de candidíase secundária, comum em mucosas fragilizadas;
  • Clorexidina a 0,12%: utilizada com moderação, por seu potencial irritativo em mucosas ulceradas;
  • Antibióticos tópicos ou sistêmicos: empregados somente em casos de infecção bacteriana comprovada;
  • Laserterapia de baixa intensidade (LLLT): embora não seja uma medicação, deve ser citada como recurso terapêutico de primeira linha pela sua eficácia anti-inflamatória, analgésica e cicatrizante.

É fundamental que o cirurgião-dentista esteja familiarizado com essas opções e saiba indicar corretamente a associação entre medicamentos tópicos e sistêmicos, avaliando constantemente a resposta clínica do paciente e a evolução da mucosite.

A prescrição segura depende de uma avaliação criteriosa e da articulação entre a equipe odontológica e a equipe oncológica, garantindo o controle dos sintomas sem comprometer a continuidade do tratamento antineoplásico.

Cuidados caseiros

A orientação ao paciente sobre cuidados domiciliares é parte essencial do plano terapêutico.

Entre as principais recomendações estão:

  • Higienização bucal suave, com escova de cerdas ultra macias;
  • Uso frequente de enxaguantes indicados pelo cirurgião-dentista;
  • Hidratação contínua da mucosa e ingestão adequada de líquidos;
  • Evitar alimentos ácidos, picantes ou com temperatura extrema;
  • Suspensão temporária de próteses móveis, caso provoquem desconforto ou trauma.

Essas medidas visam preservar a integridade da mucosa e evitar o agravamento do quadro inflamatório.

Homem bebendo copo de água.
Entre os cuidados caseiros para mucosite estão evitar alimentos ácidos, manter a boca hidratada d utilizar escovas de cerdas ultramacias.

Alimentação para quem tem mucosite oral

A escolha alimentar é fator determinante na recuperação do paciente com mucosite oral.

Recomenda-se uma dieta pastosa ou líquida, com alimentos ricos em proteínas e calorias, porém de fácil mastigação e deglutição.

Boas opções incluem:

  • Purês, sopas e caldos mornos;
  • Leite e derivados, desde que bem tolerados;
  • Frutas cozidas ou em compota;
  • Suplementos nutricionais conforme prescrição.

Evitar alimentos crocantes, cítricos, condimentados ou muito quentes é essencial para minimizar o desconforto.

O acompanhamento de um nutricionista pode ser valioso para garantir o aporte nutricional adequado durante o tratamento.

Conclusão

A mucosite oral é uma condição complexa, que exige do cirurgião-dentista uma abordagem integrada, baseada em evidências científicas e condutas individualizadas.

A atuação preventiva, aliada a um tratamento eficaz e humanizado, representa um diferencial na qualidade de vida dos pacientes oncológicos e na adesão aos protocolos terapêuticos.

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Referências:

https://ninho.inca.gov.br/

https://www.colgate.com.br/oral-health/cancer/mucositis-treatment

https://www.ufrgs.br/

https://www.cuf.pt/mais-saude/tratamento-oncologico-prevenir-e-tratar-mucosite-oral

https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/1135

https://clinicacorp.com.br/mucosite-oral-o-que-e

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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