24 mar 2026
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Diastema: O que é e como corrigir?

Senhora rindo, apresenta diastema

A presença de espaços interdentários, especialmente na região anterior, é uma condição frequente na prática clínica e, ao mesmo tempo, um dos principais motivos de busca por tratamento odontológico com finalidade estética.

O diastema, embora muitas vezes interpretado pelo paciente como um “defeito” a ser corrigido, exige uma análise criteriosa por parte do cirurgião-dentista, uma vez que sua origem pode estar associada a fatores anatômicos, funcionais e até comportamentais.

Nessa vertente, compreender a etiologia, o diagnóstico diferencial e as possibilidades terapêuticas torna-se indispensável para a condução de casos com previsibilidade e estabilidade a longo prazo.

Mulher com diastema nos dentes da frente
É importante que o cirurgião-dentista compreenda as causas e características do diastema, pois esse espaço entre os dentes pode estar relacionado a fatores anatômicos, funcionais ou hábitos orais que influenciam na saúde e estética do paciente. (Reprodução/Freepik)

O que é diastema?

O diastema é caracterizado pela presença de um espaço entre dois ou mais dentes adjacentes, sendo mais comumente observado entre os incisivos centrais superiores.

Do ponto de vista clínico, trata-se de uma discrepância de continuidade no arco dentário, que pode variar em extensão e localização.

Durante a dentição mista, a presença de diastemas pode ser considerada fisiológica, especialmente na fase do chamado “período do patinho feio”, em que há uma reorganização natural dos dentes anteriores.

No entanto, quando esses espaços persistem na dentição permanente, tornam-se indicativos de uma possível alteração estrutural ou funcional que demanda investigação.

Adicionalmente a questão estética, o diastema pode impactar aspectos fonéticos e favorecer o acúmulo de biofilme dental, dependendo da sua dimensão e da anatomia envolvida.

Portanto, sua avaliação deve ir além da aparência, considerando o contexto clínico completo do paciente.

Homem com diastema nos dentes da frente
Diastema é o espaço ou separação entre dois dentes adjacentes, mais comumente observado entre os incisivos centrais superiores, podendo ter origem genética, funcional ou relacionada a alterações no freio labial.(Reprodução/Freepik)

Diastema precisa ser “consertado”?

A necessidade de intervenção em casos de diastema deve ser avaliada individualmente.

Nem todo diastema requer tratamento, especialmente quando não há comprometimento funcional, periodontal ou estético relevante para o paciente.

Entretanto, na prática clínica, a maioria das demandas está relacionada à estética do sorriso, caso seja algo que incomode o paciente.

Nesses casos, o planejamento deve considerar não apenas o fechamento do espaço, mas a harmonia dentofacial, a proporção dos dentes e a oclusão.

Em contrapartida, existem situações em que o tratamento é indicado por razões funcionais, como interferências oclusais, dificuldades na fonação ou predisposição ao acúmulo de placa.

Além disso, quando o diastema está associado a fatores etiológicos ativos, como hábitos deletérios ou alterações do freio labial, a intervenção torna-se necessária para evitar recidivas.

Desta forma, a decisão terapêutica deve ser baseada em critérios clínicos bem definidos, associados às expectativas do paciente e à análise de risco-benefício.

Dentista levanta os lábios do paciente que tem diastema no dente da frente
Nem todo diastema precisa ser corrigido; a necessidade de tratamento depende da avaliação estética, funcional e das causas envolvidas, sendo fundamental a análise clínica individualizada. (Reprodução/Adobe Stock)

Tipos de tratamento para diastema

A escolha do tratamento para diastema depende diretamente da sua etiologia. Dessa forma, o diagnóstico preciso é o ponto de partida para a definição da melhor abordagem terapêutica.

Em muitos casos, a resolução pode envolver uma abordagem multidisciplinar, integrando ortodontia, dentística restauradora, periodontia e, eventualmente, implantodontia.

Resina

O fechamento de diastema com resina composta é uma das abordagens mais utilizadas na prática clínica, especialmente em casos de espaços pequenos a moderados.

Trata-se de uma técnica conservadora, que preserva a estrutura dental e permite resultados estéticos satisfatórios quando bem executada.

A reanatomização dos dentes deve respeitar princípios de proporção áurea, contorno e textura superficial, garantindo naturalidade ao resultado final.

O controle de cor e translucidez, se faz determinante para a mimetização com os dentes adjacentes.

No entanto, é importante considerar que a longevidade da resina depende de fatores como higiene oral, hábitos do paciente e técnica operatória.

Antes paciente com diastema, depois fechado com resina composta.
O fechamento de diastema pode ser realizado com resina composta, técnica restauradora conservadora que permite melhorar a estética dental de forma rápida e minimamente invasiva. (Reprodução/Clínica Oral Premium)

Cirurgia oral

A intervenção cirúrgica é indicada principalmente nos casos em que o diastema está associado a alterações do freio labial superior.

A frenectomia, quando bem indicada, pode contribuir para a estabilidade do fechamento do espaço.

Todavia, a cirurgia isoladamente não resolve o diastema, sendo frequentemente associada ao tratamento ortodôntico ou restaurador.

Aparelho ortodôntico

O tratamento ortodôntico é indicado principalmente quando o diastema está relacionado a problemas de alinhamento, discrepâncias ósseas ou má oclusão.

Por meio da movimentação dentária controlada, é possível fechar espaços e restabelecer a harmonia do arco dentário.

Atualmente, o uso de alinhadores estéticos tem ampliado as opções terapêuticas, oferecendo maior conforto e estética ao paciente adulto.

Ainda assim, é fundamental considerar a necessidade de contenção após o tratamento, uma vez que diastemas apresentam tendência à recidiva.

Garota adolescente usa aparelho ortodôntico, e tem diastema.
O aparelho ortodôntico é uma das principais opções para correção de diastema, pois promove a movimentação controlada dos dentes, restabelecendo o alinhamento e a harmonia da arcada. (Reprodução/IStock)

Implantes ou pontes

Em situações de perda dentária, o diastema pode ser consequência da ausência de elementos no arco.

Nesses casos, a reabilitação com implantes dentários ou próteses fixas é indicada para restabelecer a função e a estética.

O planejamento deve considerar fatores como volume ósseo, posição tridimensional do implante e integração com os dentes remanescentes.

A abordagem interdisciplinar é essencial para o sucesso do tratamento.

Lentes de contato dental, facetas e restaurações adesivas

As restaurações indiretas, como lentes de contato dental e facetas cerâmicas, representam uma alternativa para casos em que há necessidade de maior controle estético e durabilidade.

Essas técnicas permitem corrigir não apenas o diastema, mas também alterações de forma, cor e proporção dental.

O planejamento digital do sorriso tem sido amplamente utilizado nesses casos, possibilitando uma visualização prévia do resultado e maior previsibilidade clínica.

Apesar das vantagens, trata-se de uma abordagem mais invasiva em comparação à resina direta, especialmente quando há necessidade de desgaste dental.

O aparelho ortodôntico é uma das principais opções para correção de diastema, pois promove a movimentação controlada dos dentes, restabelecendo o alinhamento e a harmonia da arcada. (Reprodução/ImplantArt)

O tratamento é permanente?

A estabilidade do tratamento do diastema depende de diversos fatores. Quando a causa não é eliminada, há maior probabilidade de recidiva.

Por exemplo, diastemas associados a hábitos como interposição lingual tendem a reabrir se o hábito não for corrigido. Da mesma forma, alterações do freio labial não tratadas podem comprometer o resultado obtido.

Nesse sentido, o uso de contenções ortodônticas, o acompanhamento periódico e a orientação do paciente são fundamentais para a manutenção dos resultados.

Aliás, é importante alinhar expectativas com o paciente, esclarecendo que a longevidade do tratamento está diretamente relacionada à adesão às recomendações clínicas.

Pessoa com diastema
O tratamento do diastema pode ser duradouro, porém a estabilidade depende do controle da causa do espaço e, em alguns casos, do uso de contenções ortodônticas para evitar recidivas. (Reprodução/IStock)

Principais causas do diastema

A compreensão das causas do diastema é essencial para o planejamento terapêutico adequado.

Trata-se de uma condição multifatorial, que pode envolver aspectos genéticos, anatômicos e comportamentais.

Formação Dentária

Alterações na formação dentária, como discrepância entre o tamanho dos dentes e o arco alveolar, podem resultar em espaços interdentários. Dentes conóides ou microdontia também estão frequentemente associados ao diastema.

Hábitos na Infância

Hábitos como sucção digital, uso prolongado de chupeta e interposição lingual podem interferir no posicionamento dos dentes, favorecendo o surgimento de diastemas.

Quando persistem após a infância, esses hábitos aumentam o risco de alterações permanentes.

Garotinho usando chupeta azul.
O tratamento do diastema pode ser duradouro, porém a estabilidade depende do controle da causa do espaço e, em alguns casos, do uso de contenções ortodônticas para evitar recidivas. (Reprodução/Freepik)

Problemas de Alinhamento e Mordida

Maloclusões e desalinhamentos dentários são causas comuns de diastema.

Nesses casos, o espaço é consequência de uma distribuição inadequada dos dentes no arco.

Respiração Oral

A respiração oral pode influenciar o desenvolvimento craniofacial, alterando o posicionamento dos dentes e contribuindo para o surgimento de espaços interdentários.

Garoto tem respiração bucal, isto é, respira pela boca.
A respiração oral pode influenciar alterações no desenvolvimento craniofacial e no posicionamento dos dentes, sendo um fator que pode favorecer o surgimento de diastema. (Reprodução/Freepik)

Perda Dentária

A ausência de dentes pode levar à migração dos elementos adjacentes, resultando na formação de diastemas.

Esse cenário é comum em pacientes adultos que não realizaram reabilitação após extrações.

Anormalidades do Freio Labial

A inserção baixa ou hipertrofiada do freio labial superior pode impedir o fechamento natural do espaço entre os incisivos centrais, sendo uma das causas clássicas de diastema persistente.

antes e depois da cirurgia de frenectomia que conserta também o diastema.
Anormalidades do freio labial, como inserção baixa ou espessamento do freio superior, podem impedir o fechamento natural do espaço entre os incisivos, favorecendo a formação de diastema.

É possível evitar que o diastema se forme?

A prevenção do diastema está diretamente relacionada ao acompanhamento odontológico desde a infância.

A identificação precoce de hábitos deletérios e alterações no desenvolvimento dentário permite intervenções mais simples e eficazes.

Outrossim, a educação em saúde bucal, aliada a consultas regulares, contribui para a detecção de fatores de risco e para a manutenção da integridade do arco dentário.

Em pacientes adultos, a prevenção está associada à reabilitação adequada de perdas dentárias e ao controle de condições periodontais, evitando a migração dos dentes.

Mulher está rindo, e mostra seu diastema no dente da frente
Em alguns casos, é possível prevenir o diastema com diagnóstico precoce, controle de hábitos deletérios e acompanhamento odontológico durante o desenvolvimento da dentição. (Reprodução/Shuttetstock)

Conclusão

O diastema é uma condição clínica que vai além da estética, exigindo uma abordagem diagnóstica detalhada e um planejamento individualizado para garantir resultados previsíveis e estáveis.

Ao compreender suas causas e indicações terapêuticas, o cirurgião-dentista amplia sua capacidade de oferecer tratamentos mais seguros e alinhados às necessidades do paciente.

Para o profissional que busca aprofundar seus conhecimentos e se destacar na prática clínica, investir em atualização contínua é um diferencial competitivo.

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Referências:

https://www.clinicastudiouno.com.br/2020/07/13/diastema-como-tratar-o-espaco-entre-os-dentes/

https://www.guilhermerothier.com.br/blog/fechamento-diastema/

https://www.sousmile.com/casos-trataveis/diastema

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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