06 jun 2025
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Overjet e Overbite: Diferença das Más Oclusões

Mulher de perfil está sorrindo. Ela tem overjet - dentes muito para frente - e usa aparelho ortodôntico na arcada superior.

Em um cenário clínico cada vez mais voltado à precisão diagnóstica e aos tratamentos individualizados, entender a diferença entre overjet e overbite é fundamental para o cirurgião-dentista que busca oferecer condutas eficazes e cientificamente embasadas.

Este artigo foi cuidadosamente elaborado para conversar diretamente com você, profissional da odontologia, que deseja aprofundar seus conhecimentos sobre essas más oclusões tão comuns e, muitas vezes, negligenciadas em sua complexidade.

Com base em evidências atualizadas e linguagem técnica, vamos explorar não apenas as definições, mas também causas, formas de medição, tratamentos e implicações clínicas do não tratamento.

Desenho mostrando a diferença de overjet e overbite.
Compreender as diferenças entre overjet e overbite é essencial para o diagnóstico preciso das más oclusões e para o planejamento ortodôntico adequado. (Reprodução/Freepik))

Qual a diferença de overjet e overbite?

Embora frequentemente confundidos ou usados de forma intercambiável, overjet e overbite representam dois tipos distintos de relações dentárias anômalas na região anterior.

O que é overjet?

O overjet se refere à projeção horizontal dos incisivos superiores em relação aos incisivos inferiores.

Em condições normais, essa distância gira em torno de 1 a 3 mm.

Quando ultrapassa esse valor, temos um overjet aumentado, característico de classes II de Angle, por exemplo.

Clinicamente, observa-se a impossibilidade de o paciente conseguir encostar os dentes anteriores, mantendo um espaço visível entre eles.

Desenho mostrando dentes mais para frente, isto é, um overjet.
Overjet é a medida horizontal da projeção dos dentes incisivos superiores em relação aos inferiores, valores aumentados indicam protrusão dos dentes superiores. (Reprodução/IStock)

O que é overbite?

Já o overbite é a sobreposição vertical dos incisivos superiores sobre os inferiores.

A sobreposição fisiológica é considerada normal até um terço da coroa dos incisivos inferiores.

Quando essa relação se torna excessiva, caracterizando um deep bite, podem surgir comprometimentos funcionais, como traumas mucosos, perda de guias anteriores e dificuldades mastigatórias.

Desenho mostrando como fica o dente fica num overbite.
Overbite é a sobreposição vertical dos incisivos superiores sobre os inferiores, excessos podem levar a desgastes dentários e disfunções articulares.
(Reprodução/Adobe)

Quais são as causas dessas más oclusões?

A gênese dessas alterações oclusais pode ser multifatorial, envolvendo tanto fatores genéticos quanto ambientais.

Genética

Predisposições hereditárias influenciam diretamente na relação entre maxila e mandíbula.

Um padrão esquelético de classe II, por exemplo, favorece o aumento do overjet.

Famílias com histórico de más oclusões devem ser monitoradas mais de perto desde a infância.

Pessoa com luvas com as mãos em volta de um desenho de DNA. Em volta tem desenhos de corpo humano, batidas de coração.
A predisposição genética é um dos fatores para alterações no posicionamento dos dentes e desenvolvimento de overjet e overbite aumentados. (Reprodução/Freepik)

Desenvolvimento ósseo

Anomalias no crescimento e desenvolvimento dos ossos maxilares podem resultar em discrepâncias verticais ou horizontais.

Fatores hormonais, traumas e desequilíbrios musculares são exemplos de influências significativas.

Perda de dentes

A ausência dentária, especialmente em períodos críticos do desenvolvimento oclusal, pode desencadear movimentos compensatórios.

A perda precoce de dentes decíduos, sem intervenção ortodôntica, está associada a desalinhamentos e sobremordidas.

Pessoa faltando um dente debaixo na boca
A perda precoce de dentes pode provocar movimentações dentárias indesejadas e alterar a oclusão, agravando ou provocando overjet e overbite. (Reprodução/IStock)

Desgaste do esmalte

A abrasão ou erosão do esmalte anterior pode favorecer o aumento da sobreposição vertical, tornando o overbite mais acentuado.

Esse desgaste pode ser de origem mecânica (bruxismo) ou química (refluxo gastroesofágico).

Hábitos orais

Hábitos como sucção digital, interposição lingual e uso prolongado de chupetas estão entre os principais fatores adquiridos para o desenvolvimento dessas alterações.

Quanto mais precoce a intervenção, maiores as chances de reversão espontânea.

Mãe segurando bebê que está com chupeta.
Hábitos como sucção digital, uso prolongado de chupeta ou respiração bucal influenciam no crescimento facial e contribuem para alterações de overjet e overbite. (Reprodução/Freepik)

Como medir a distância do overjet e do overbite?

A mensuração precisa do overjet e do overbite é essencial para o planejamento ortodôntico.

Para o overjet, utiliza-se uma sonda milimetrada ou compasso para registrar a distância horizontal entre a borda incisal do incisivo superior mais protruído e a face vestibular do incisivo inferior correspondente.

Já o overbite é aferido observando a sobreposição vertical dos incisivos superiores sobre os inferiores, com medição da parte visível da coroa dos inferiores durante o fechamento habitual da boca.

Ambos os dados devem ser registrados em prontuário e considerados junto com fotografias, modelos digitais e exames por imagem.

Medindo overjet.
A medição do overjet e do overbite é realizada com uma sonda milimetrada, com o paciente em oclusão habitual, avaliando as projeções horizontal e vertical dos incisivos centrais. (Reprodução/Клуб стоматологов)

Quais são os tratamentos?

O tratamento dependerá da etiologia da má oclusão, da idade cronológica e maturidade esquelética do paciente, da presença de alterações funcionais associadas, como disfunção temporomandibular (DTM), e dos objetivos clínicos a serem alcançados, tanto do ponto de vista funcional quanto estético.

A escolha terapêutica deve ser individualizada, embasada em diagnóstico clínico e cefalométrico preciso, com atenção à relação entre a base óssea e as estruturas dentárias.

Aparelhos Ortodônticos Fixos

A ortodontia com braquetes metálicos ou estéticos permanece como uma das abordagens mais consolidadas no controle tridimensional das unidades dentárias.

Em casos de overjet aumentado, a mecânica de retração dos incisivos superiores é frequentemente conduzida por meio de arcos retangulares com dobras de intrusão e elásticos de Classe II, promovendo movimentações eficientes e biomecanicamente seguras.

Já nos casos de overbite acentuado, pode-se utilizar a técnica de intrusão anterior com alças pré-ativadas (utility arch) ou segmentos intrusivos, visando a correção da sobremordida sem comprometer a altura do terço inferior da face.

O controle ancoragem, seja com mini-implantes ou ancoragem em bloco, é um recurso fundamental para garantir previsibilidade dos resultados.

Dentista arrumando aparelho ortodôntico de paciente.
O tratamento ortodôntico com aparelhos fixos ou alinhadores é indicado para corrigir overjet e overbite. (Reprodução/Anatoliy_gleb/Shutterstock)

Alinhadores Transparentes

Os alinhadores removíveis termoformados, como os sistemas Invisalign®, ClearCorrect® e similares, oferecem uma alternativa eficaz e estética, especialmente para adultos jovens e pacientes com boa adesão ao tratamento.

Esses dispositivos permitem a execução de movimentações planejadas digitalmente, como a retração dos incisivos superiores para controle do overjet e a intrusão para correção do overbite.

A utilização de attachments estrategicamente posicionados potencializa o torque e a precisão dos movimentos.

No entanto, seu sucesso está intimamente ligado ao uso contínuo, sendo imprescindível a colaboração do paciente, bem como o monitoramento clínico rigoroso por parte do ortodontista.

Desgaste Seletivo

O desgaste seletivo ou ajuste oclusal é uma técnica conservadora indicada em situações nas quais o aumento do overbite ocorre por interferências oclusais de origem dentária, sem comprometimento esquelético.

O objetivo é reestabelecer o guia anterior funcional e promover uma distribuição mais equilibrada das forças durante os movimentos excursivos.

A execução do procedimento requer mapeamento prévio dos contatos prematuros e planejamento minucioso, sendo indicado o uso de papel carbono, articuladores semiajustáveis e, em casos específicos, sistemas de escaneamento digital para controle do ajuste.

Vale ressaltar que o desgaste excessivo ou desnecessário pode comprometer a estrutura dentária e desencadear hipersensibilidade.

Dentista realizando tratamento em paciente. Ele está sorrindo e usa óculos de proteção e touca azul. A paciente está de costas para a câmera, então não é possível ver seu rosto.
O desgaste seletivo pode ser utilizado como coadjuvante no tratamento, ajustando as guias oclusais e promovendo melhor engrenagem entre os arcos dentários. (Reprodução/Freepik)

Dispositivos Funcionais

Os aparelhos ortopédicos funcionais têm papel essencial na interceptação precoce de más oclusões esqueléticas, principalmente durante a fase de crescimento ativo.

Em pacientes com overjet aumentado decorrente de retrognatismo mandibular, aparelhos como Bionator, Twin Block e Frankel tipo II estimulam o avanço mandibular por meio da indução neuromuscular e remodelação óssea.

A eficácia do tratamento está associada à cronologia óssea do paciente, sendo mais efetivo quando aplicado durante o pico do surto puberal de crescimento.

Já em casos de overbite com padrão dolicofacial, dispositivos que promovem controle vertical posterior, como planos de mordida e pistas de Planas, podem ser indicados para conter a rotação mandibular no sentido horário.

Cirurgia Ortognática

Quando a discrepância entre as bases ósseas é severa e o paciente já atingiu a maturidade esquelética, a cirurgia ortognática se apresenta como uma solução definitiva.

A combinação com a ortodontia pré e pós-operatória permite alinhar os arcos dentários, corrigir o posicionamento das bases ósseas e harmonizar a estética facial.

Nos casos de overjet extremo associado à classe II esquelética, o avanço mandibular com ou sem recuo maxilar pode ser realizado.

Para sobremordidas profundas de origem esquelética, a impacção maxilar anterior associada à rotação anti-horária da mandíbula é uma estratégia frequente.

A avaliação interdisciplinar com cirurgião bucomaxilofacial, ortodontista e, quando necessário, fonoaudiólogo, é indispensável para o êxito terapêutico e estabilidade a longo prazo.

Nos casos severos ou esqueléticos, a cirurgia ortognática é indicada para reposicionar os ossos maxilares e corrigir de forma definitiva o overjet e overbite. (Reprodução/Facyes)

Quais as consequências se não tratar?

A negligência no tratamento dessas más oclusões pode levar a uma série de prejuízos funcionais e psicossociais.

Entre os principais estão:

  • Risco aumentado de trauma dentário anterior;
  • Disfunção temporomandibular;
  • Dores orofaciais crônicas;
  • Dificuldades mastigatórias e fonação alterada;
  • Desgaste precoce dos dentes anteriores;
  • Comprometimento estético que pode afetar a autoestima do paciente.
A falta de tratamento pode levar a desgastes dentários, retrações gengivais, problemas na articulação temporomandibular (ATM), dificuldades na mastigação e impactos na estética facial. (Reprodução/Freepik)

Conclusão

Overjet e overbite vão além de simples alterações dentárias: tratam-se de condições que impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes e demandam um olhar atento e embasado do profissional da odontologia.

A compreensão aprofundada dessas diferenças permite um diagnóstico mais preciso e um planejamento terapêutico personalizado, valorizando o cuidado integral.

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Referências:

https://blog.dentalspeed.com/overjet-e-overbite/#section_2

https://blog.suryadental.com.br/overjet-e-overbite

https://www.codental.com.br/blog/overjet-e-overbite-na-odontologia-descubra-tudo-sobre

https://blog.dentalspeed.com/overjet-e-overbite

https://www.dviradiologia.com.br/2025/04/10/overjet-e-overbite/

*O texto acima foi preparado a partir de muita pesquisa para ajudar nas suas dúvidas. Porém, não foi escrito por um profissional de odontologia. A EAP não se responsabiliza pelas informações, pois não possuem caráter científico.

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