31 dez 2025
EAPGOIAS, Fique Sabendo

Retrognatismo: Como resolver o queixo retraído?

imagem digital mostra boca com retrognatismo

Você já se deparou com um paciente que, mesmo após um tratamento ortodôntico completo, ainda apresentava uma desarmonia facial evidente?

O queixo retraído, ou retrognatismo, é uma condição que vai além da estética: ele reflete desequilíbrios funcionais que comprometem a mastigação, a fala, a respiração e, em muitos casos, a autoestima.

No consultório, compreender as nuances do retrognatismo é fundamental para um diagnóstico preciso e um planejamento terapêutico eficaz.

Mais do que alinhar dentes, o cirurgião-dentista moderno busca harmonizar funções e estruturas, promovendo saúde, equilíbrio e bem-estar facial.

Neste artigo, exploraremos em profundidade o que é o retrognatismo, suas causas, manifestações clínicas e os principais tratamentos disponíveis.

Antes e depois de homem com retrognatismo
O retrognatismo deve ser avaliado pelo ortodontista, com possíveis intervenções conjuntas de um cirurgião bucomaxilofacial para casos esqueléticos mais complexos. (Reprodução/Gabriel Zorron)

 O que é retrognatismo?

O retrognatismo é uma relação anteroposterior desfavorável entre a maxila e a mandíbula, caracterizada pela posição recuada da mandíbula em relação à base do crânio e à maxila.

Essa condição resulta em uma má oclusão de Classe II, segundo a classificação de Angle, e pode variar desde casos leves até discrepâncias severas que exigem intervenção cirúrgica.

Clinicamente, o retrognatismo manifesta-se por um perfil facial convexo, retração do mento (queixo) e projeção labial superior, afetando a estética facial e a harmonia do terço inferior da face.

Além da aparência, a alteração estrutural interfere nas funções mastigatória e respiratória, exigindo uma avaliação detalhada e interdisciplinar.

desenho mostra como é o queixo com retrognatismo
O retrognatismo é uma discrepância esquelética caracterizada pelo posicionamento posterior da mandíbula ou maxila, resultando em queixo retraído e desarmonia facial. (Reprodução/Instituto Maxilofacial)

Quais são os tipos de retrognatismo?

O retrognatismo pode ser classificado conforme a origem da discrepância:

  • Retrognatismo ósseo: resulta de um desenvolvimento insuficiente ou posicionamento posterior da mandíbula em relação à base craniana;
  • Retrognatismo dentoalveolar: ocorre quando os dentes inferiores estão inclinados para lingual, simulando uma posição mandibular recuada;
  • Retrognatismo funcional: provocado por hábitos, posturas ou padrões musculares inadequados que mantém a mandíbula em posição posterior, sem alteração estrutural óssea.

O diagnóstico diferencial é essencial para definir a abordagem terapêutica adequada. A análise cefalométrica, associada ao exame clínico e fotográfico, é a base para identificar o tipo de retrognatismo e planejar o tratamento mais assertivo.

rosto de mulher desenhado de perfil com queixo retraído e do lado um zoom no dente mostrando com fica a mordida com retrognatismo
Os principais tipos de retrognatismo incluem o retrognatismo mandibular, o retrognatismo maxilar e os casos combinados, cada um com implicações funcionais distintas.

Sintomas do retrognatismo

O retrognatismo pode ser silencioso em casos leves, mas frequentemente manifesta-se por sinais clínicos e funcionais que impactam a qualidade de vida do paciente.

Entre os principais sintomas, destacam-se:

  • Dificuldade mastigatória e fadiga muscular;
  • Desarmonia facial e perfil convexo;
  • Mordida profunda ou topo a topo;
  • Dor articular e estalidos na ATM;
  • Roncos, apneia do sono e respiração bucal;
  • Alterações na fala, especialmente na articulação de fonemas labiodentais.

Esses sinais, quando reconhecidos precocemente, permitem ao cirurgião-dentista intervir de forma mais efetiva e menos invasiva.

mulher com dor na atm, para representar tem uma luz vermelha na mandíbula dela
Entre os sintomas do retrognatismo estão dificuldade mastigatória, respiração bucal, dor na ATM, má oclusão e alteração estética do perfil facial.

Principais causas do retrognatismo

A etiologia do retrognatismo é multifatorial e envolve a interação entre fatores genéticos, ambientais e funcionais.

Entender essas origens é essencial para o sucesso terapêutico.

Fatores genéticos

A hereditariedade é um dos principais determinantes. Pacientes com histórico familiar de mandíbula pequena ou retraída apresentam maior predisposição a desenvolver retrognatismo.

Alterações na expressão genética podem comprometer o crescimento mandibular e a relação maxilomandibular.

desenho de criança menina com retrognatismo
Fatores genéticos têm grande influência no retrognatismo, determinando o padrão de crescimento ósseo e a posição das estruturas maxilomandibulares. (Reprodução/DocCheck)

Problemas de desenvolvimento

Distúrbios no crescimento ósseo durante a infância e adolescência podem alterar o equilíbrio facial.

Condições como hipoplasia mandibular ou assimetrias esqueléticas afetam a harmonia entre as bases ósseas, resultando em um perfil retruído.

Problemas respiratórios

A respiração bucal crônica, frequentemente associada a hipertrofia adenoideana ou desvios de septo, influencia diretamente o desenvolvimento facial.

O padrão respiratório inadequado favorece a rotação posterior da mandíbula e o estreitamento do arco maxilar, perpetuando o retrognatismo.

Sesenho de Antes e depois de homem com retrognatismo
Problemas respiratórios crônicos, como obstrução nasal, podem alterar o padrão de crescimento facial e contribuir para o desenvolvimento do retrognatismo. (Reprodução/IStock)

Traumas na mandíbula

Fraturas ou traumas na região condilar durante o crescimento podem comprometer o desenvolvimento mandibular.

Mesmo traumas aparentemente leves, quando não tratados, podem gerar discrepâncias esqueléticas perceptíveis na vida adulta.

Hábitos bucais

Hábitos como sucção digital, interposição lingual e uso prolongado de chupeta interferem na postura mandibular e no equilíbrio muscular orofacial, influenciando a relação entre maxila e mandíbula.

bebê com chupeta segurando ursinho de pelúcia
Hábitos bucais inadequados, como sucção digital, uso prolongado de chupeta ou interposição lingual, podem induzir alterações mandibulares e favorecer o retrognatismo. (Reprodução/Freepik)

Como o retrognatismo afeta a saúde bucal?

Além das implicações estéticas, o retrognatismo está associado a uma série de alterações funcionais e estruturais que comprometem a saúde bucal.

Problemas de mordida e desgaste dos dentes

A discrepância anteroposterior gera má oclusão, frequentemente do tipo Classe II, resultando em sobreposição exagerada dos incisivos superiores sobre os inferiores e interferências oclusais durante a mastigação.

Apneia do sono

O retrognatismo reduz o espaço orofaríngeo, predispondo à síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS).

Pacientes com mandíbula retraída tendem a apresentar roncos, pausas respiratórias e sonolência diurna.

desenho mostra como é uma respiração normal dormindo e como é para quem tem apneia do sono
O retrognatismo aumenta o risco de apneia obstrutiva do sono devido à redução do espaço aéreo superior e ao colapso das vias respiratórias durante o sono. (Reprodução/Gustavo Suassuna)

Dificuldades na fala

A posição mandibular recuada altera a dinâmica da língua e dos lábios, interferindo na pronúncia de sons labiodentais e alveolares.

Em alguns casos, o paciente desenvolve compensações musculares para articular palavras corretamente.

Disfunção Temporomandibular (DTM)

O posicionamento inadequado do côndilo mandibular sobrecarrega a articulação temporomandibular, favorecendo estalos, dor muscular e limitação de abertura bucal. O retrognatismo é, portanto, um fator de risco para DTM

Estética e autoestima

O impacto estético do queixo retraído é significativo. A falta de projeção mandibular altera o contorno facial, o equilíbrio dos terços faciais e o posicionamento labial, comprometendo a autoconfiança e a percepção de beleza facial.

Antes e depois de mulher com retrognatismo
A retração mandibular prejudica a estética facial e pode impactar negativamente a autoestima e a autopercepção do paciente. (Reprodução/IStock)

Quais os tratamentos para o retrognatismo?

O tratamento do retrognatismo depende da idade do paciente, do grau de discrepância esquelética e do tipo de retrognatismo identificado.

A abordagem pode variar entre terapias ortopédicas, ortodônticas e cirúrgicas.

Aparelho Propulsor de Mandíbula (APM)

Em pacientes jovens, o aparelho propulsor de mandíbula (APM) é uma das ferramentas mais eficazes da ortopedia funcional dos maxilares.

Ele estimula o crescimento mandibular e a remodelação articular, promovendo uma relação maxilomandibular mais equilibrada.

Modelos como Herbst, Twin Block e Bionator são amplamente utilizados e oferecem excelentes resultados quando aplicados durante o surto de crescimento puberal.

O acompanhamento criterioso e o controle da adaptação muscular são fundamentais para o sucesso do tratamento.

Pessoa usando Aparelho Propulsor de Mandíbula (APM).
O Aparelho Propulsor de Mandíbula (APM) é utilizado em pacientes em crescimento para estimular o avanço mandibular e corrigir retrognatismos leves a moderados. (Reprodução/Mordidacruzada)

Cirurgia ortognática

Nos pacientes adultos, em que o crescimento ósseo já se estabilizou, o tratamento ortopédico isolado não é mais efetivo.

Nesses casos, a cirurgia ortognática de avanço mandibular é a opção definitiva para corrigir o retrognatismo.

O procedimento reposiciona a mandíbula anteriormente, restabelecendo o equilíbrio facial e funcional.

Normalmente, é precedido e seguido por tratamento ortodôntico, garantindo o alinhamento oclusal e a estabilidade pós-operatória.

A cirurgia ortognática, além de corrigir a estética facial, melhora a função mastigatória, a respiração e a qualidade de vida dos pacientes, representando um dos avanços mais significativos da odontologia moderna.

Antes e depois de mulher com retrognatismo
A cirurgia ortognática é indicada para casos avançados de retrognatismo, reposicionando os ossos faciais para restabelecer harmonia estética, funcionalidade oclusal e conforto respiratório. (Reprodução/Mohaved OMS)

Conclusão

O retrognatismo vai muito além do aspecto estético do queixo retraído.

Ele representa um desafio clínico que exige conhecimento anatômico, diagnóstico preciso e integração entre diferentes especialidades odontológicas.

Com o avanço das técnicas ortodônticas, ortopédicas e cirúrgicas, é possível restabelecer não somente a harmonia facial, mas também a função mastigatória e respiratória, pilares essenciais da saúde orofacial.

Após a graduação, aprofundar-se em temas como este é o que diferencia o profissional atualizado do profissional comum. Investir em especializações é o caminho natural para quem deseja excelência técnica e reconhecimento no mercado odontológico.

A EAP-Goiás oferece programas de especialização voltados à prática clínica moderna, aliando ciência, tecnologia e humanização.

Há mais de 40 anos, a instituição forma profissionais capacitados, com ênfase na atualização científica contínua e no desenvolvimento pessoal.

Conheça o curso de Especialização em Dentística da EAP-Goiás e descubra como aprimorar sua carreira com quem é referência em ensino odontológico.

Acesse o site e confira também as demais especializações disponíveis.

O próximo passo da sua evolução profissional começa aqui!

Referências:

https://aditek.com.br/blog/retrognatismo/

https://www.codental.com.br/blog/retrognatismo-diagnostico-tratamentos-e-muito-mais/

https://humanizaodontologia.com.br/existe-tratamento-para-queixo-retraido-descubra-aqui/

https://blog.neoface.com.br/retrognatismo-mandibular-entenda-o-que-e-e-quais-as-possiveis-causas/

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

Receba novidades
por e-mail

Solicite contato

Deixe seu nome e telefone no formulário abaixo, em breve receberá uma ligação de nossa equipe.