10 nov 2025
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Síndrome do Respirador Bucal: Como é tratado na odontologia? 

Mulher de perfil possui algumas deformidades faciais devido a síndrome do respirador bucal.

Você já se deparou, no consultório, com aquele paciente, geralmente uma criança, que mantém os lábios constantemente entreabertos, apresenta olheiras persistentes e uma face mais alongada?

Esses sinais, aparentemente sutis, podem indicar uma condição que vai muito além de um simples hábito: a Síndrome do Respirador Bucal (SRB).

Na odontologia, compreender essa síndrome é fundamental, pois o padrão respiratório inadequado não afeta somente a estética facial, mas compromete o desenvolvimento craniofacial, altera funções orofaciais e pode gerar repercussões sistêmicas.

Ignorar esses sinais pode atrasar diagnósticos importantes, perpetuar maloclusões e comprometer a qualidade de vida do paciente.

Neste artigo, vamos aprofundar o tema sob uma perspectiva técnica e clínica, explorando causas, sintomas, manifestações bucais e a atuação odontológica no diagnóstico e tratamento.

Menina dormindo de boca aberta
O tratamento da Síndrome do Respirador Bucal envolve uma equipe multiprofissional composta por dentistas, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. (Reprodução/DepositPhotos)

O que é a síndrome do respirador oral?

A Síndrome do Respirador Bucal é caracterizada pela predominância da respiração pela boca, em vez do padrão fisiológico nasal.

Trata-se de um distúrbio funcional que pode ser total ou parcial: no primeiro, a respiração é exclusivamente oral; no segundo, há alternância entre respiração oral e nasal.

Essa condição pode surgir por fatores obstrutivos, funcionais ou musculares, resultando em desequilíbrio no desenvolvimento das estruturas faciais e orais.

Do ponto de vista odontológico, a SRB deve ser considerada um fator etiológico importante para maloclusões, deglutição atípica, alterações fonéticas e comprometimento periodontal.

Desenho com setas apontando principais sintomas/consequências da síndrome do respirador bucal.
Condição caracterizada pelo predomínio da respiração pela boca, total ou parcialmente, em detrimento da respiração nasal. (Reprodução/Desenho da MouthShield/Escrita da EAP Goiás)

Quais as causas da síndrome do respirador bucal?

As causas da SRB são multifatoriais e podem estar associadas as alterações anatômicas, funcionais ou sistêmicas.

O correto diagnóstico depende de uma avaliação interdisciplinar.

Causas relacionadas a obstrução das passagens de ar

Estas condições a seguir reduzem a permeabilidade nasal, forçando a respiração oral como mecanismo compensatório:

  • Hipertrofia de amígdalas e adenoides;
  • Desvio de septo nasal;
  • Rinites alérgicas ou crônicas;
  • Polipose nasal;
  • Infecções respiratórias recorrentes.
Mulher com rinite espirra em lenço. Em seu rosto tem desenho de como fica o nariz por dentro.
Entre as causas obstrutivas mais comuns estão hipertrofia de adenóides e amígdalas, desvio de septo nasal, rinite alérgica e pólipos nasais, que dificultam a passagem do ar pelas vias respiratórias superiores. (Reprodução/Adobe)

Causas funcionais

Esses hábitos abaixo interferem na tonicidade muscular orofacial e perpetuam o padrão respiratório oral:

  • Uso prolongado de chupeta
  • Sucção digital
  • Padrão de deglutição atípica
  • Alterações posturais (como cabeça projetada para frente)

Síndromes craniofaciais

Pacientes com síndromes como Síndrome de Down, Síndrome de Apert e Síndrome de Crouzon apresentam predisposição à respiração oral devido às alterações anatômicas craniofaciais.

Rapaz com síndrome de down está de fones de ouvido e com os braços para cima feliz.
Síndromes craniofaciais, como a Síndrome de Down e a Síndrome de Apert, podem predispor à respiração oral devido a alterações anatômicas nas estruturas faciais e nas vias aéreas superiores. (Reprodução/Freepik)

Doenças neurológicas

Alterações neurológicas que comprometem a coordenação motora e o tônus da musculatura orofacial também favorecem a respiração oral, muitas vezes associada à hipotonia lingual.

Relacionadas a tônus muscular anormal

A hipotonia dos músculos faciais e da língua, comum em alguns pacientes pediátricos, leva a uma postura inadequada da língua, impossibilitando o correto vedamento labial e favorecendo a respiração bucal.

Mulher se olhando em dois pedaços de espelho quebrado.
Ao comprometer o selamento labial adequado, favorece a respiração oral mesmo na ausência de obstruções nasais (Reprodução/Freepik)

Quais os sintomas da síndrome?

O respirador bucal apresenta sinais clínicos característicos que devem ser cuidadosamente observados durante a anamnese e exame físico:

  • Lábios constantemente entreabertos;
  • Face alongada (face adenoideana);
  • Olheiras persistentes;
  • Palato ogival;
  • Postura inadequada da língua;
  • Roncos noturnos e sono agitado;
  • Alterações de fala (ceceio, troca de fonemas);
  • Respiração ruidosa;
  • Presença de mordida aberta anterior ou má oclusão transversal;

A identificação precoce desses sinais permite ao cirurgião-dentista atuar preventivamente, evitando agravamentos.

Desenho de garoto com síndrome do respirador bucal.
Os sintomas incluem boca entreaberta, lábios ressecados, olheiras, ronco, sono agitado, alterações posturais, dificuldades de mastigação e fala, além de comprometimento da estética facial. (Reprodução/Mewing App)

Repercussões sistêmicas da respiração oral

A SRB não se limita às alterações orofaciais. O padrão respiratório inadequado gera importantes repercussões sistêmicas, como:

  • Distúrbios do sono e apneia obstrutiva;
  • Redução da oxigenação sanguínea, resultando em cansaço e déficit de atenção;
  • Alterações posturais, devido ao reposicionamento compensatório da cabeça;
  • Maior predisposição a infecções respiratórias, como sinusites e otites;
  • Impacto no desenvolvimento cognitivo e desempenho escolar em crianças.

Esses fatores reforçam a necessidade de abordagem multiprofissional.

Garotinho com síndrome do respirador bucal está de boca aberta mesmo parado.
A respiração bucal pode causar distúrbios do sono, fadiga diurna, alterações de crescimento facial, problemas de oxigenação, comprometimento da aprendizagem e prejuízos ao desenvolvimento infantil.

Quais as manifestações bucais e como dentista auxilia?

No âmbito odontológico, as manifestações bucais são diversas e frequentemente associadas a maloclusões e distúrbios periodontais:

  • Maloclusões dentárias: mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior e apinhamento dentário;
  • Palato ogival: decorrente da posição inadequada da língua;
  • Alterações de deglutição: deglutição atípica com interposição lingual;
  • Problemas periodontais: inflamação gengival frequente, devido à boca seca;
  • Halitose: associada à diminuição da salivação e aumento da colonização bacteriana.

O dentista tem papel fundamental no diagnóstico, na correção das alterações dentárias por meio de aparelhos ortodônticos ou ortopédicos funcionais, e no encaminhamento para especialidades correlatas, como otorrinolaringologia e fonoaudiologia.

Mulher com expressão de nojo ao checar o próprio hálito.
As manifestações bucais incluem má oclusão, palato ogival, mordida aberta anterior e gengivite. (Reprodução/Freepik)

Como é realizado o tratamento para síndrome do respirador bucal?

O tratamento da SRB é multidisciplinar e deve considerar a causa primária da respiração oral. Na odontologia, a atuação se dá em diferentes frentes:

  • Diagnóstico precoce: identificação dos sinais clínicos durante consultas de rotina.
  • Terapia ortodôntica e ortopédica funcional: uso de expansores palatinos e aparelhos ortopédicos para corrigir maloclusões e favorecer a respiração nasal.
  • Reeducação funcional: em parceria com fonoaudiólogos, visando correção da postura lingual e do padrão respiratório.
  • Higiene oral rigorosa: prevenção de cáries e gengivite, frequentes em pacientes com boca seca.
  • Encaminhamento médico: para otorrinolaringologista, quando há hipertrofia de adenoides, amígdalas ou alterações nasais que exigem intervenção cirúrgica.

A integração entre profissionais é a chave para o sucesso terapêutico.

Adolescente usando aparelho ortodôntico.
O tratamento combina controle das causas obstrutivas, terapia fonoaudiológica para reeducação da respiração nasal, ortodontia corretiva e, quando necessário, intervenções cirúrgicas otorrinolaringológicas. (Reprodução/Freepik)

Como saber se a criança tem síndrome do respirador bucal?

A identificação da SRB em crianças requer atenção cuidadosa a diferentes aspectos clínicos.

Durante a avaliação, o profissional deve observar sinais faciais e posturais característicos, além de investigar queixas relacionadas ao sono, como agitação noturna, roncos e respiração ruidosa.

A presença de palato estreito, associada a más oclusões, costuma ser um indicativo importante, assim como a boca constantemente entreaberta e os lábios ressecados.

Outro elemento clínico recorrente são as olheiras persistentes, frequentemente relatadas pelos responsáveis, além de um histórico de infecções respiratórias de repetição.

Diante desses achados, cabe ao dentista realizar uma anamnese detalhada e, quando necessário, solicitar exames complementares ou encaminhar a criança para outros especialistas, garantindo assim uma abordagem completa e eficaz.

Garoto dormindo roncando de boca aberta.
O diagnóstico é clínico e envolve avaliação conjunta entre dentista, fonoaudiólogo e otorrinolaringologista, observando hábitos respiratórios, postura orofacial e possíveis alterações anatômicas. (Reprodução/Adobe Stock)

Conclusão

A Síndrome do Respirador Bucal representa um desafio clínico de grande relevância para a odontologia moderna.

Reconhecer precocemente seus sinais, compreender suas repercussões e atuar de forma interdisciplinar são passos essenciais para restabelecer a função respiratória e prevenir complicações orofaciais e sistêmicas.

Na prática, o cirurgião-dentista tem papel estratégico: além de diagnosticar alterações bucais, participa ativamente do processo terapêutico, contribuindo para a qualidade de vida e o desenvolvimento saudável do paciente.

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Referências:

https://blog.suryadental.com.br/sindrome-do-respirador-oral

https://sanarmed.com/sindrome-do-respirador-bucal-na-infancia-colunistas

https://uniodontoprudente.com.br/como-saber-se-meu-filho-e-respirador-bucal-10-sinais-e-sintomas-do-respirador-bucal/

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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