06 abr 2026
EAPGOIAS, Fique Sabendo

Tipos de Oclusão: Diferentes Mordidas e Seus Tratamentos

Mulher com dentes tortos.

A oclusão dentária ocupa um papel central na prática clínica, embora, por vezes, seja abordada de forma fragmentada na rotina do consultório.

Ao avaliar um paciente, o cirurgião-dentista não está diante apenas de dentes posicionados em arcadas, mas de um sistema funcional complexo que envolve musculatura, articulação temporomandibular e padrões neuromusculares.

Nesse contexto, compreender os diferentes tipos de oclusão e suas alterações permite diagnósticos mais precisos, planejamento mais previsível e resultados clínicos mais estáveis.

Ao longo dos anos, a evolução da ortodontia e da reabilitação oral trouxe novas perspectivas sobre a relação entre forma e função.

Assim, discutir as diferentes mordidas e seus tratamentos vai além da classificação tradicional.

Trata-se de integrar conceitos clássicos com uma visão contemporânea, voltada à funcionalidade, estética e saúde do sistema estomatognático.

Este artigo foi desenvolvido justamente com esse propósito: aprofundar o entendimento técnico sobre o tema e oferecer uma abordagem aplicável à prática clínica.

Antes e depois de tratar oclusões nos dentes.
A identificação correta dos padrões de oclusão é essencial para o diagnóstico ortodôntico. (Reprodução/Freepik)

O que é oclusão na odontologia?

A oclusão, em odontologia, refere-se à relação de contato entre os dentes das arcadas superior e inferior, tanto em posição estática quanto durante os movimentos mandibulares.

No entanto, essa definição, embora correta, é limitada quando se considera a complexidade do sistema envolvido.

Do ponto de vista funcional, a oclusão deve ser entendida como a interação entre dentes, músculos mastigatórios, ligamentos periodontais e articulação temporomandibular.

Esse conjunto atua de forma coordenada para garantir eficiência mastigatória, estabilidade articular e conforto muscular.

Além disso, conceitos como relação cêntrica (RC) e máxima intercuspidação habitual (MIH) são fundamentais para a análise clínica.

A discrepância entre essas posições pode indicar desequilíbrios funcionais e orientar intervenções terapêuticas.

Portanto, avaliar a oclusão exige uma abordagem tridimensional e dinâmica, que considere tanto a anatomia quanto a função.

Desenho mostra crânio com dentes com oclusão.
A oclusão refere-se à relação de contato entre os dentes superiores e inferiores. (Reprodução/Quiztur)

Quais são as classes da oclusão dentária?

A classificação das oclusões dentárias baseia-se, tradicionalmente, no sistema proposto por Angle, que utiliza a relação entre os primeiros molares permanentes como referência.

Apesar de sua origem histórica, essa classificação ainda é amplamente utilizada na prática clínica e no ensino odontológico.

Classe I

A Classe I, ou neutroclusão, é considerada a relação oclusal ideal do ponto de vista anteroposterior.

Nessa condição, a cúspide mesiovestibular do primeiro molar superior oclui no sulco mesiovestibular do primeiro molar inferior.

Entretanto, é importante destacar que a presença de uma Classe I não garante uma oclusão perfeita.

Alterações como apinhamento, rotações dentárias e discrepâncias de espaço podem estar presentes, exigindo intervenção ortodôntica mesmo em casos considerados “normais” sob a ótica molar.

Classe II

Na Classe II, observa-se uma relação distal dos dentes inferiores em relação aos superiores.

Essa condição frequentemente está associada a um perfil facial convexo e pode apresentar diferentes manifestações clínicas.

A subdivisão mais conhecida inclui a divisão 1, caracterizada por incisivos superiores vestibularizados e aumento do overjet, e a divisão 2, na qual os incisivos superiores apresentam inclinação palatina.

Cada variação demanda estratégias terapêuticas específicas, especialmente quando há envolvimento esquelético.

Classe III

A Classe III é definida pela posição mesial dos dentes inferiores em relação aos superiores.

Clinicamente, pode estar associada a um perfil côncavo e, em muitos casos, a discrepâncias esqueléticas significativas, como prognatismo mandibular.

Essa condição apresenta maior complexidade terapêutica, principalmente em pacientes adultos, nos quais o crescimento já está finalizado.

Nesses casos, o tratamento pode envolver abordagens combinadas entre ortodontia e cirurgia ortognática.

Desenho com os 3 tipos de oclusão
As classes de oclusão são classificadas em Classe I, Classe II e Classe III, segundo Angle. (Reprodução/IStock/OralDents)

Quais os tipos de má oclusão?

A má oclusão engloba diversas alterações que podem ocorrer nos planos sagital, vertical e transversal.

Essas condições afetam diretamente a função mastigatória, a estética e, em alguns casos, a saúde periodontal e articular.

Entre as principais manifestações clínicas, destacam-se: mordida aberta, caracterizada pela ausência de contato entre dentes anteriores ou posteriores; mordida cruzada, que envolve uma relação invertida entre as arcadas; sobremordida profunda, com recobrimento excessivo dos incisivos inferiores; e apinhamento dentário, resultante da falta de espaço na arcada.

Mordida aberta

A mordida aberta ocorre quando há ausência de contato oclusal em determinada região, geralmente anterior.

Essa condição pode estar relacionada a hábitos parafuncionais, como sucção digital, ou a alterações esqueléticas.

Do ponto de vista funcional, compromete a incisão dos alimentos e pode interferir na fonação.

O tratamento depende da etiologia e pode envolver desde intervenções interceptativas até abordagens ortodôntico-cirúrgicas.

Mordida cruzada

A mordida cruzada caracteriza-se pela relação anormal entre as arcadas no sentido transversal.

Pode ser anterior ou posterior, unilateral ou bilateral, e frequentemente está associada a discrepâncias esqueléticas ou funcionais.

A correção precoce é recomendada, especialmente em pacientes em crescimento, a fim de evitar assimetrias faciais e adaptações musculares inadequadas.

pessoa com Mordida cruzada
A mordida cruzada ocorre quando dentes superiores ocluem por dentro dos inferiores. (Reprodução/Freepik)

Sobremordida profunda

A sobremordida profunda envolve um recobrimento excessivo dos incisivos inferiores pelos superiores.

Em casos mais severos, pode haver contato com tecidos moles, resultando em trauma gengival.

Essa condição pode levar ao desgaste dentário e a alterações funcionais, sendo indicada a intervenção ortodôntica para restabelecer a dimensão vertical adequada.

Apinhamento

O apinhamento dentário é uma das alterações mais frequentes na prática clínica.

Resulta da discrepância entre o tamanho dos dentes e o espaço disponível na arcada.

Além do comprometimento estético, dificulta a higienização, aumentando o risco de cárie e doença periodontal.

O tratamento pode envolver alinhamento ortodôntico, expansão de arcada ou extrações, dependendo do caso.

Dentes apinhados
O apinhamento dentário resulta da discrepância entre espaço ósseo e volume dentário. (Reprodução/WikiData)

Quais as principais causas da maloclusão?

A etiologia da má oclusão é multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais.

Componentes hereditários influenciam o padrão de crescimento craniofacial, enquanto fatores externos podem modificar o desenvolvimento das arcadas.

Entre as principais causas, destacam-se hábitos orais deletérios, como sucção digital e uso prolongado de chupeta, respiração bucal, perdas dentárias precoces e discrepâncias de crescimento entre maxila e mandíbula.

Além disso, alterações funcionais, como desequilíbrios musculares, podem contribuir para o desenvolvimento ou agravamento das más oclusões.

A compreensão dessas causas é essencial para o planejamento terapêutico, pois permite intervenções mais direcionadas e preventivas.

Bebê deitado com chupeta azul.
As maloclusões podem ter origem genética, esquelética ou funcional. (Reprodução/Pexels)

Sintomas da má oclusão dentária

Os sinais e sintomas da má oclusão podem variar conforme a gravidade e o tipo de alteração.

Em muitos casos, o paciente busca atendimento por questões estéticas, mas há manifestações funcionais que merecem atenção.

Entre os sintomas mais comuns, observam-se dificuldade mastigatória, dor muscular, estalos na articulação temporomandibular, desgaste dentário anormal e sensibilidade.

Em situações mais complexas, pode haver associação com disfunções temporomandibulares, impactando a qualidade de vida do paciente.

A avaliação clínica detalhada, aliada a exames complementares, é fundamental para identificar essas alterações e estabelecer um diagnóstico preciso.

Jovem mastigando sanduíche.
Podem incluir desgaste dentário, dor muscular, dificuldade mastigatória e estalos na ATM. (Reprodução/Pexels)

Tratamentos para melhorar a oclusão

O tratamento das alterações oclusais deve ser individualizado, considerando fatores como idade do paciente, etiologia da má oclusão e grau de comprometimento funcional e estético.

A abordagem interdisciplinar, muitas vezes, é necessária para alcançar resultados satisfatórios.

Ortodontia

A ortodontia é a principal modalidade terapêutica para correção das más oclusões.

Por meio de aparelhos fixos ou alinhadores, é possível promover movimentações dentárias controladas e restabelecer o alinhamento e a relação oclusal.

Em pacientes em crescimento, a ortodontia pode ser associada à ortopedia funcional, potencializando os resultados por meio da modulação do desenvolvimento ósseo.

Dentista ajustando aparelho da paciente.
O tratamento busca restabelecer função, estética e estabilidade oclusal. (Reprodução/Pexels)

Prótese dentária

A prótese dentária desempenha um papel importante na reabilitação oclusal, especialmente em casos de perdas dentárias.

A reposição dos elementos ausentes contribui para a estabilidade oclusal e para a distribuição adequada das forças mastigatórias.

Além disso, próteses bem planejadas auxiliam na prevenção de migrações dentárias e colapsos oclusais.

Recontorno dos dentes

O recontorno dentário, ou desgaste seletivo, é indicado em situações específicas para ajuste oclusal fino.

Essa técnica permite melhorar contatos prematuros e interferências, favorecendo a harmonia funcional.

Deve ser realizada com critério, baseada em análise detalhada, a fim de evitar danos estruturais aos dentes.

Imagem mostra um homem sorrindo. Então pelo computador foi feito traços para planejar a simetria do sorriso e realizar um recontorno dos dentes.
O recontorno estético ou odontoplastia pode ser indicado em pequenas discrepâncias oclusais. (Reprodução/Rowan Vilar)

Facetas dentárias

As facetas dentárias podem ser utilizadas como recurso complementar em casos que envolvem alterações de forma, tamanho ou posicionamento dentário leve.

Embora tenham indicação predominantemente estética, podem contribuir para ajustes oclusais quando bem planejadas.

A integração entre estética e função é essencial para o sucesso desse tipo de intervenção.

Conclusão

A compreensão dos tipos de oclusão e das diferentes formas de má oclusão é indispensável para a prática clínica contemporânea.

Mais do que classificar, o cirurgião-dentista deve ser capaz de correlacionar diagnóstico, função e planejamento terapêutico, garantindo resultados previsíveis e duradouros.

Nesse cenário, a atualização constante se torna um diferencial competitivo.

A EAP-Goiás se destaca como uma instituição comprometida com a formação e o aperfeiçoamento profissional, oferecendo cursos que integram conhecimento científico, prática clínica e inovação.

Se você busca aprofundar seus conhecimentos em oclusão, ortodontia e reabilitação oral, vale a pena conhecer os cursos de especialização oferecidos pela instituição e investir na sua evolução profissional.

Referências:

https://aditek.com.br/blog/tipos-de-oclusao/

https://mint.pt/blog/oclusao-dentaria

https://cro-odontologia.com.br/oclusao-dentaria/

http://radiosuldigital.com.br/tipos-de-oclusao-dentaria-e-tratamentos/

https://www.moroortodontia.com.br/ortodontia/Classifoclus.pdf

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

Receba novidades
por e-mail

Solicite contato

Deixe seu nome e telefone no formulário abaixo, em breve receberá uma ligação de nossa equipe.