03 set 2025
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Como é o Tratamento Odontológico em Pacientes com Leucemia?

Dentista mostrando resultado de raio-x panorâmico para paciente que está sentada em sua frente no consultório.

Ao longo da rotina clínica, é comum que o cirurgião-dentista se depare com casos que demandam uma abordagem integrada e altamente especializada.

Entre esses casos, os pacientes com leucemia exigem atenção redobrada, planejamento criterioso e conhecimento profundo sobre os impactos sistêmicos da doença e seu tratamento.

Compreender as particularidades desse atendimento não é apenas um diferencial: é um imperativo ético e científico.

Este artigo foi elaborado justamente para dialogar com você, profissional da odontologia, que busca se atualizar continuamente e oferecer um atendimento seguro, eficaz e humanizado.

Dentista mostrando resultado de panorâmica para paciente idosa em seu consultório.
É fundamental que dentistas revisem protocolos e orientações sobre tratamento odontológico em pacientes com leucemia para garantir segurança e eficácia clínica. (Reprodução/Getty Images/Westend61)

O que é leucemia?

A leucemia é uma doença hematológica de origem neoplásica que afeta primariamente as células-tronco da medula óssea responsáveis pela hematopoese, interferindo na produção normal de células sanguíneas.

Caracteriza-se por uma proliferação clonal anormal de leucócitos imaturos, que se acumulam tanto na medula quanto no sangue periférico, inibindo a produção das demais linhagens celulares, como hemácias e plaquetas.

Esse processo resulta em uma série de alterações sistêmicas, incluindo imunossupressão, distúrbios de coagulação e anemia.

A presença de leucócitos malignos em grande quantidade leva à disfunção progressiva da medula óssea, provocando uma falência hematopoética que impacta diretamente na capacidade de resposta inflamatória e reparadora do organismo.

No contexto odontológico, essas alterações tornam o paciente onco-hematológico especialmente suscetível a infecções orais, sangramentos espontâneos e complicações pós-operatórias, exigindo uma abordagem clínica cautelosa, criteriosa e multidisciplinar.

Dessa forma, o entendimento da fisiopatologia da leucemia é essencial para que o cirurgião-dentista possa planejar intervenções seguras e eficazes, respeitando as particularidades de cada fase da doença e o estado clínico do paciente.

Comparação em desenho de células normais do sangue e de como ficam as células com leucemia. - Imagem para entender melhor os pacientes com leucemia.
A leucemia é um câncer hematológico caracterizado pela proliferação anormal de células brancas imaturas na medula óssea.(Reprodução/SanarMed)

Classificação da leucemia

A leucemia pode ser classificada com base em dois critérios principais: velocidade de progressão e tipo celular afetado.

Quanto à progressão, ela pode ser aguda (evolui rapidamente, exigindo intervenção imediata) ou crônica (desenvolvimento lento e insidioso).

Já quanto ao tipo celular, divide-se em mieloide ou linfoide. Dessa forma, as quatro principais categorias são:

  • Leucemia Linfoide Aguda (LLA)
  • Leucemia Mieloide Aguda (LMA)
  • Leucemia Linfoide Crônica (LLC)
  • Leucemia Mieloide Crônica (LMC)

Cada tipo possui particularidades quanto ao tratamento, prognóstico e complicações bucais associadas.

Paciente com leucemia está usando lenço na cabeça e está rindo com a médica, que segura caneta e prancheta.
A leucemia pode ser classificada em aguda ou crônica, sendo subdividida em mieloide ou linfoide, dependendo da célula de origem. (Reprodução/Freepik)

Manifestações orais da leucemia

As manifestações orais podem ser categorizadas em primárias, secundárias e terciárias, refletindo diferentes mecanismos fisiopatológicos da doença.

Primárias

Relacionam-se à infiltração direta de células leucêmicas nos tecidos bucais.

Clinicamente, o dentista pode observar:

  • Hipertrofia gengival;
  • Mobilidade dentária sem causa aparente;
  • Ulcerações orais persistentes;
  • Dor espontânea sem relação com cárie ou trauma.
Jovem mulher está com dor de dente, ela aperta a bochecha.
As manifestações orais da leucemia primária incluem gengivite, aumento de volume gengival, sangramentos e dor persistente. (Reprodução/Freepik)

Secundárias

Decorrem das alterações hematológicas como trombocitopenia e neutropenia.

Entre as manifestações mais recorrentes estão:

  • Sangramento gengival espontâneo;
  • Petéquias e equimoses;
  • Infecções recorrentes, como candidíase e gengivite necrosante.

Terciárias

São manifestações resultantes de efeitos colaterais dos tratamentos antineoplásicos, como quimioterapia e radioterapia. Essas complicações são comuns e exigem condutas odontológicas preventivas e terapêuticas bem definidas.

São “associadas a sangramento mais grave, maior suscetibilidade a infecções, ulcerações, inflamação das membranas mucosas, osteorradionecrose, xerostomia, alterações do paladar, trismo, lesões de cárie e anormalidades dentárias” (Soares et al, 2023).

Panorâmica mostra osteorradionecrose, de modo que paciente só tem metade da quantidade de dentes.
Pacientes com leucemia submetidos à radioterapia apresentam risco aumentado de osteorradionecrose, exigindo planejamento odontológico preventivo. (Reprodução/Clínica São Lourenço)

Qual a importância do tratamento odontológico em pacientes com leucemia?

O tratamento odontológico em pacientes com leucemia representa um componente essencial da abordagem multidisciplinar, contribuindo significativamente para a estabilidade clínica e a redução de riscos sistêmicos.

A presença de focos infecciosos na cavidade bucal, como lesões cariosas profundas, periodontites ou dentes com necrose pulpar, pode representar uma porta de entrada para microrganismos oportunistas, favorecendo quadros de bacteremia e sepse, especialmente durante os períodos de neutropenia induzida pelo tratamento quimioterápico.

Da mesma forma, o comprometimento da hemostasia decorrente da trombocitopenia agrava o risco de hemorragias espontâneas ou induzidas por procedimentos odontológicos invasivos.

Diante desse cenário, o cirurgião-dentista assume papel preventivo e terapêutico, sendo responsável por estabelecer um plano de cuidados individualizado, que contemple a remoção de focos infecciosos, orientações rigorosas de higiene oral e estratégias de manejo da mucosa durante a quimioterapia.

O ideal é que essa atuação se inicie na fase pré-tratamento oncológico, com a realização de exames clínicos e radiográficos completos, permitindo identificar condições que possam comprometer o tratamento médico ou gerar agravos locais.

A continuidade do acompanhamento odontológico ao longo das fases de remissão e manutenção também é indispensável para garantir a saúde bucal, minimizar intercorrências e preservar a qualidade de vida do paciente durante todo o curso da doença.

Dentista e assistente fazendo tratamento dentário em paciente mulher.
O tratamento odontológico em pacientes com leucemia é essencial para prevenir infecções orais que podem comprometer ainda mais a imunidade. (Reprodução/Ronald Flores Photography)

Manifestações bucais decorrentes do tratamento da leucemia

Mucosite Oral

Uma das complicações mais frequentes e dolorosas da quimioterapia. Caracteriza-se por inflamação intensa e ulceração da mucosa oral, comprometendo a alimentação, a fala e a higiene bucal.

O uso de laserterapia e enxágues com solução de bicarbonato são alternativas eficazes.

Pessoa com língua para fora, tem mucosite.
A mucosite oral é uma complicação frequente em pacientes com leucemia submetidos à quimioterapia, causando dor e dificuldade de alimentação. (Reprodução/Adobe Stock)

Xerostomia e Hipossalivação

A redução no fluxo salivar pode resultar em dificuldade de deglutição, alteração do paladar e maior suscetibilidade a infecções fúngicas e cáries rampantes. Nesses casos, tratamento com saliva artificial ou o uso de medicamentos, como pilocarpina, podem ser indicados.

Disgeusia

É um distúrbio que provoca alterações no paladar, afetando significativamente a qualidade de vida do paciente. Podem ocorrer devido ao uso de medicamentos ou danos às papilas gustativas.

Enfermeiro ajustando medicamento de paciente com leucemia.
A disgeusia, alteração do paladar, é um efeito colateral comum durante o tratamento da leucemia e pode impactar a qualidade de vida dos pacientes com leucemia. (Reprodução/Freepik)

Disfagia

Pode estar relacionada a mucosite intensa, xerostomia ou infecções fúngicas, dificultando a alimentação e exigindo condutas paliativas para alívio dos sintomas.

Ulceração oral

Frequentes em pacientes imunossuprimidos. Podem ser multifatoriais e requerem diagnóstico diferencial com neoplasias, infecções virais e lesões traumáticas.

Médico falando com criança com leucemia que está recebendo soro no hospital.
Ulcerações orais em pacientes com leucemia podem indicar tanto efeitos da quimioterapia quanto manifestações diretas da doença. (Reprodução/IStock)

Categorias de risco para realizar procedimentos odontológicos

A classificação do risco ajuda a determinar a viabilidade e a segurança dos procedimentos odontológicos em diferentes fases da leucemia.

Alto risco

Pacientes com contagem de leucócitos < 2.000/mm³ e plaquetas < 50.000/mm³, em fase ativa da doença ou no pico de mielossupressão.

Procedimentos restritos às emergências e, preferencialmente, realizados em ambiente hospitalar.

Médico encosta em ombro de paciente com leucemia que está recebendo medicamentos na veia.
Procedimentos odontológicos são considerados de alto risco quando o paciente com leucemia apresenta plaquetopenia acentuada ou neutropenia grave. (Reprodução/Freepik)

Risco moderado

Pacientes com contagem de leucócitos < 2.000/mm³ e plaquetas < 50.000/mm³, em fase ativa da doença ou no pico de mielossupressão.

Também são procedimentos restritos às emergências e, de preferência, realizados em ambiente hospitalar.

Baixo risco

Contagens hematológicas dentro da normalidade, sem sinais de doença ativa. Permitida a realização de procedimentos odontológicos convencionais, sempre com aval do oncologista.

Mulher com leucemia está recebendo tratamento na veia, enquanto lê livro.
O risco é classificado como baixo quando os exames hematológicos do paciente demonstram níveis adequados de plaquetas e leucócitos para suportar o procedimento. (Reprodução/Freepik)

Conclusão

O atendimento odontológico de pacientes com leucemia exige mais do que conhecimento técnico: requer sensibilidade clínica, integração multiprofissional e atualização constante.

Profissionais capacitados têm papel essencial na prevenção de complicações sistêmicas e na promoção da saúde oral durante e após o tratamento oncológico.

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Referências:

https://blog.suryadental.com.br/tratamento-odontologico-de-pacientes-com-leucemia

https://drsergiocaetano.com.br/leucemia-na-odontologia

file:///C:/Users/User/Downloads/1Manifesta%C3%A7%C3%B5es+Bucais+em+Pacientes+com+Leucemia.pdf

https://revistaimplantnews.com.br/cuidados-no-atendimento-odontologico-de-pacientes-com-leucemia/

file:///C:/Users/User/Downloads/392+BJHR.pdf

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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