23 abr 2025
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Tratamento Odontológico em Pacientes HIV Positivo

Dentista usando camisa, gravata e jaleco. No jaleco tem um laço vermelho, que representa a luta global contra o HIV e a AIDS.

O avanço da medicina e da odontologia tem permitido que pacientes com HIV levem vidas cada vez mais longas, produtivas e saudáveis.

No entanto, ainda é comum que surjam dúvidas e inseguranças no momento do atendimento odontológico desses indivíduos.

Seja por desinformação ou estigmas persistentes, muitos profissionais deixam de oferecer um atendimento completo, seguro e empático, comprometendo não apenas a saúde bucal, mas a confiança do paciente no sistema de saúde.

Por isso, compreender as particularidades do tratamento odontológico em pacientes HIV positivo é essencial para garantir um cuidado humanizado, baseado em evidências e alinhado às boas práticas clínicas.

Este artigo tem como objetivo esclarecer questões importantes sobre o HIV na odontologia, abordando manifestações bucais, protocolos de atendimento, condutas éticas e medidas de biossegurança. Um tema que, além de atual, merece ser amplamente discutido entre os profissionais da área.

Desenho de Dente sorrindo junto com um laço vermelho representando a luta pelo HIV. A imagem representa pacientes HIV positivo.
É essencial que estudantes de odontologia e dentistas respeitem pacientes HIV positivo. (Reprodução/Adobe)

Sumário

Como funciona o HIV?

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) atua diretamente sobre o sistema imunológico, mais especificamente sobre os linfócitos T CD4+, que desempenham papel central na resposta imunológica.

Com a progressão da infecção, ocorre uma queda significativa desses linfócitos, o que compromete a capacidade do organismo de combater infecções e doenças oportunistas. Quando esse comprometimento é severo, caracteriza-se a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).

Com a introdução da terapia antirretroviral (TARV), muitos pacientes conseguem manter a carga viral indetectável e preservar os níveis de CD4+, tornando a infecção crônica controlada.

Isso permite uma vida praticamente normal, inclusive em relação ao tratamento odontológico.

Importante lembrar que nem todo mundo que é HIV+, tem AIDS. Pois, HIV é o vírus que causa a AIDS, resultante da queda da imunidade e surgimento de infecções oportunistas.

Desenho mostra como funciona o ciclo da AIDS.
O HIV é um retrovírus que ataca o sistema imunológico, comprometendo a defesa do organismo contra infecções. (Reprodução/Med Simples)

Manifestações bucais em pacientes HIV+

As manifestações bucais estão entre os primeiros sinais clínicos do HIV.

O cirurgião-dentista, por estar em contato direto com a cavidade oral, é frequentemente um dos primeiros profissionais a detectar essas alterações.

Infecções Fúngicas 

A candidíase oral é a infecção fúngica mais comum em pacientes HIV positivo.

Ela pode se apresentar nas formas pseudomembranosa, eritematosa, hiperplásica ou angular.

Seu aparecimento pode indicar queda na imunidade e necessidade de avaliação clínica e laboratorial do paciente.

Homem com língua pra fora possui candidíase oral.
Candidíase pseudomembranosa é a infecção fúngica oral mais comum em pessoas vivendo com HIV.
(Reprodução/Shutterstock)

Infecções Virais 

Lesões provocadas por herpes simples, citomegalovírus, vírus Epstein-Barr (leucoplasia pilosa oral) e papilomavírus humano são relativamente frequentes.

O surgimento de lesões extensas ou recorrentes pode estar associado a uma imunossupressão significativa.

Infecções Bacterianas  

Doenças periodontais necrosantes, como gengivite ulcerativa necrosante (GUN) e periodontite ulcerativa necrosante (PUN), são comuns em estágios mais avançados da infecção pelo HIV.

Essas condições exigem intervenção imediata e acompanhamento rigoroso.

imagem de boca de paciente com periodontite ulcerativa necrosante.
As infecções bacterianas mais frequentes são gengivite, periodontite necrosante e úlceras crônicas. (Reprodução/UNESP)

Lesões neoplásicas

O sarcoma de Kaposi é uma neoplasia vascular com aparência violácea que pode acometer a mucosa oral, especialmente o palato.

Sua presença costuma indicar estágio avançado da AIDS.

Lesões ulcerativas

As úlceras recorrentes, muitas vezes dolorosas, são comuns e podem ter etiologias variadas, desde aftas simples até lesões por infecções oportunistas.

O tratamento deve considerar a causa subjacente e o estado imunológico do paciente.

dentista usando luva puxa o lábio inferior do paciente conferindo afta.
As aftas são comuns em pacientes com HIV. (Reprodução/IStock)

 Como é o atendimento odontológico em pacientes HIV+?

Com o uso da TARV e acompanhamento médico regular, o paciente HIV positivo pode receber todos os tipos de tratamento odontológico, desde que respeitadas as condições clínicas individuais.

Antes de qualquer procedimento, é essencial obter histórico médico detalhado, incluindo níveis de CD4+, carga viral e uso de medicamentos.

Não há restrições generalizadas para procedimentos invasivos.

Em casos de imunossupressão severa, pode haver necessidade de antibioticoprofilaxia ou adaptação do plano de tratamento.

três dentistas estão paramentados com EPIS e conferindo resultados na tela do computador que também está coberto com plástico.
O atendimento odontológico em pacientes HIV positivo deve ser individualizado, com foco na prevenção, controle da dor e tratamento de infecções oportunistas. (Reprodução/Penn Dental Medicine)

Ética no atendimento odontológico

A confidencialidade e o respeito à dignidade do paciente devem guiar toda a conduta do profissional.

Negar atendimento com base no status sorológico é considerada conduta discriminatória e antiética.

O Código de Ética Odontológica prevê sanções para esse tipo de comportamento.

Cabe ao cirurgião-dentista criar um ambiente de segurança, acolhimento e sigilo, onde o paciente se sinta confortável para relatar sua condição e necessidades.

Dentista está sozinho em seu consultório mexendo em tablet.
A ética profissional exige sigilo, respeito e não discriminação ao tratar pacientes soropositivos. (Reprodução/Freepik)

Principais CIDs para o HIV/AIDS na Odontologia

Os Códigos Internacionais de Doenças (CID) comumente utilizados em prontuários e documentações são:

  • B20 a B24: infecções por HIV com manifestações clínicas específicas;
  • Z21: estado de infecção assintomática pelo HIV;
  • R75: resultado positivo inconclusivo para HIV.

O uso correto desses códigos é fundamental para a segurança legal e para registros epidemiológicos.

Dentista está com prancheta e papel para preencher, sentado ao lado do paciente.
Confira a lista dos CIDs feita pelo SUS. (Reprodução/Koziebrocki Law)

Quais os cuidados de proteção para o dentista?

Os cuidados de biossegurança no atendimento odontológico a pacientes HIV positivo seguem as precauções padrão, que devem ser aplicadas a todos os pacientes, independentemente do status sorológico.

Esses cuidados incluem:

  • Uso adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs):
     Luvas, máscaras cirúrgicas, óculos de proteção e aventais impermeáveis são indispensáveis para criar barreiras físicas que evitam o contato com fluidos corporais potencialmente contaminados.
  • Esterilização criteriosa dos instrumentais:
     Todos os instrumentos reutilizáveis devem ser esterilizados em autoclaves com monitoramento físico, químico e biológico, garantindo a eliminação total de agentes infecciosos.
  • Desinfecção rigorosa das superfícies clínicas:
     Bancadas, cadeiras e equipamentos devem ser desinfectados entre os atendimentos com produtos com ação comprovada contra microrganismos, prevenindo a contaminação cruzada.
  • Descarte correto de materiais perfurocortantes:
     Agulhas, lâminas e objetos cortantes devem ser descartados imediatamente após o uso em coletores rígidos, resistentes à perfuração e devidamente sinalizados.
  • Higienização frequente e correta das mãos:
     A lavagem e a antissepsia das mãos devem ser realizadas antes e após cada atendimento, mesmo quando houver uso de luvas, conforme preconizado pelas boas práticas de biossegurança.

Quando esses protocolos são rigorosamente aplicados, o risco de transmissão do HIV no ambiente odontológico é considerado extremamente baixo, assegurando a proteção tanto do cirurgião-dentista quanto da equipe auxiliar e dos demais pacientes.

Dentista está colocando sua luva descartável.
Utilizar EPIs, barreiras de proteção e seguir rigorosamente os protocolos de biossegurança é essencial. (Reprodução/ARES_SOARES)

É possível contrair HIV no consultório odontológico?

A transmissão do HIV no ambiente odontológico é considerada extremamente rara.

Para que ocorra, seria necessário contato direto com sangue contaminado e em quantidade significativa, através de mucosas ou soluções de continuidade na pele.

Com o uso correto dos EPIs e boas práticas de biossegurança, esse risco é virtualmente eliminado.

Dentista sentado em frente a pia está lavando as mãos e antebraço.
O risco de transmissão ocupacional é extremamente baixo se os protocolos forem corretamente aplicados. (Reprodução/Istock)

O que fazer quando exposto ao vírus?

Embora raro, em caso de exposição ocupacional, algumas condutas devem ser seguidas imediatamente.

Cuidados locais

  • Lavar a região exposta com água e sabão.
  • Em caso de contato com mucosas, usar solução salina ou água corrente.
  • Não utilizar produtos irritantes.

Avaliação do risco de contágio

Considera-se:

  • Tipo de exposição (percutânea, mucosa, pele não intacta);
  • Quantidade de sangue envolvida;
  • Status sorológico da fonte (paciente);
  • Imunidade do profissional.
Dentista e assistente fazendo cirurgia bucal em paciente, e colocando gazes pois está sangrando.
Em casos de exposição ao HIV, o profissional deve realizar a profilaxia pós-exposição (PEP) imediatamente e procurar atendimento médico. (Reprodução/Shutterstock)

Uso de anti-retrovirais

A profilaxia pós-exposição (PEP) deve ser iniciada idealmente em até 2 horas e no máximo até 72 horas após a exposição.

O tratamento dura 28 dias e deve ser acompanhado por infectologista.

Exames

Testes séricos devem ser realizados imediatamente após a exposição (teste basal), e repetidos em 30, 90 e 180 dias para monitorar possível soroconversão.

Em hospital, coleta de sangue no exame.
Exames laboratoriais como hemograma, carga viral e contagem de linfócitos T CD4+ orientam a conduta clínica e a gravidade da imunossupressão. (Reprodução/Freepik)

Conclusão

Promover um atendimento odontológico humanizado, técnico e ético para pacientes HIV positivo é responsabilidade de todo profissional da odontologia.

A compreensão adequada sobre manifestações bucais, precauções padrão e condutas frente a exposições acidentais permite um cuidado seguro e embasado cientificamente.

A EAP-Goiás, com quatro décadas de história e dedicação ao ensino odontológico de excelência, forma profissionais prontos para atuar com responsabilidade e conhecimento.

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Me conte nos comentários o que achou do conteúdo sobre tratamento odontológico para pacientes HIV positivo!

Referências:

https://revistaseletronicas.pucrs.br/

https://blog.dentalspeed.com/hiv-e-odontologia

https://aps-repo.bvs.br/

https://blog.suryadental.com.br/o-hiv-e-odontologia/

https://bjihs.emnuvens.com.br/

https://multivix.edu.br/wp-content/uploads/

https://www.idealodonto.com.br/blog/guia-completo-atendimento-odontologico-pacientes-hiv/

*O texto acima não foi escrito por cirurgião dentista, portanto a EAP não se responsabiliza pelas informações, uma vez que não possuem caráter científico.

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