02 jun 2023
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Fonoaudiologia e Odontologia: Qual a relação entre as áreas?

duas crianças na fonoaudiologia

A fonoaudiologia e odontologia são duas áreas da saúde que se relacionam de forma muito próxima. Ambas lidam com as funções orofaciais, como a mastigação, a deglutição, a fala e a respiração.

Muita gente nem imagina que essas duas áreas podem atuar em parceria. No entanto, o tratamento em conjunto traz grandes benefícios para o paciente.

Isso porque ambas atuam na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de diversas alterações que podem afetar essas funções orais.

Neste artigo, pretendemos explicar como a fonoaudiologia e odontologia se complementam. Bem como, quais são os benefícios dessa integração para a saúde e o bem-estar dos pacientes. Continue conosco e boa leitura!

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homem dentista apontando para dente na tela e mostrando para paciente - junção de fonoaudiologia e odontologia
A fonoaudiologia e a odontologia são disciplinas complementares que compartilham uma relação simbiótica. (Reprodução/Logopeda en Barcelona)

A fonoaudiologia é uma ciência que estuda e trata os diferentes aspectos da comunicação humana. Entre eles a voz, a fala, a linguagem, a audição e até mesmo a aprendizagem.

O fonoaudiólogo pode trabalhar em diversas áreas, como hospitais, escolas, clínicas, empresas e teatros. Tratando pessoas de todas as idades que apresentam dificuldades ou distúrbios na comunicação.

Alguns problemas são: gagueira, dislexia, surdez, afasia, disfagia e outros. A fonoaudiologia também pode contribuir para a prevenção desses problemas.

No entanto, a atuação do fonoaudiólogo vai além, cuidando também das dificuldades em relação à escrita, intimamente ligada à fala, à comunicação ou de dificuldades na audição, alimentação e até mesmo aspectos respiratórios.

Isso tudo como tratamento ou aperfeiçoamento, já que quem tem a voz como instrumento de trabalho também pode se beneficiar das contribuições da fonoaudiologia.

fonoaudióloga ensinando criança pronunciar
A atuação conjunta de fonoaudiólogos e dentistas é ajuda no tratamento de distúrbios de fala, linguagem, mastigação e deglutição. (Reprodução/Freepik)

A fonoaudiologia e odontologia podem trabalhar em conjunto?

Em princípio, o fonoaudiólogo atua na mesma área do corpo humano que o cirurgião-dentista. Podemos dizer, além de poderem trabalhar em conjunto, que a fonoaudiologia atua de maneira complementar à odontologia.

Enquanto um trata os aspectos estruturais morfológicos da boca (cirurgião-dentista). O outro aborda aspectos funcionais e contribuindo para que após as correções de forma, as funções sejam restabelecidas.

Um exemplo interessante dessa interação é quando alguém coloca o aparelho ortodôntico. Nesses casos, o sucesso do tratamento pode ser comprometido se as musculaturas da cavidade oral apresentarem alterações.

Então, o fonoaudiólogo atua para que a ação dos músculos não prejudique o tratamento ortodôntico.

fonoaudióloga ajudando criança a pronunciar o alfabeto
A fonoaudiologia desempenha um papel fundamental no diagnóstico e tratamento de disfunções articulatórias, e o dentista pode contribuir para esse processo por meio do alinhamento e posicionamento adequados dos dentes e da mandíbula. (Reprodução/Freepik)

Quais situações a fonoaudiologia e odontologia se relacionam?

Além do exemplo mostrado anteriormente, as duas áreas se relacionam no tratamento de outras questões. Observe a seguir.

Problemas durante o sono

Alguns distúrbios do sono estão relacionados com problemas nos órgãos e estruturas que permitem a mastigação, a deglutição, a fala e a respiração, sistemas que fazem parte da área de atuação tanto da odontologia quanto da fonoaudiologia.

Condições como o bruxismo ou a apneia obstrutiva do sono, são tratadas pela odontologia e têm auxílio da fonoaudiologia também. Porque reabilita as funções orofaciais que estão comprometidas por causa desses problemas.

mulher dormindo e segurando seus óculos de grau
A odontologia também pode colaborar com a fonoaudiologia ao fornecer suporte na adaptação de próteses bucais. (Reprodução/Unsplash)

Disfunções de fala

A troca de consoantes, como o “R” pelo “L” é um exemplo de disfunção de fala. Essa questão é tratada pelo fonoaudiólogo, normalmente encaminhado pelo odontopediatra, assim como o ceceio, que é a interposição lingual durante a pronúncia de certas palavras. Assim, o acompanhamento de ambos é fundamental.

Inclusive, essa dificuldade na fala pode estar associada a alteração da posição dentária ou da língua, por exemplo. Sendo que esse problema pode ser agravado pelo uso de chupeta ou chupar o dedo.

Fonoaudióloga ajudando garotinha com exercícios para fala, ela está segurando um "o".
A atuação conjunta entre fonoaudiologia e odontologia é essencial no manejo de disfunções de fala, garantindo avaliação orofacial completa e abordagens terapêuticas integradas. (Reprodução/Freepik)

Frênulo lingual

O odontopediatra é o responsável pela identificação de possíveis alterações no frênulo lingual, que é uma pequena membrana que conecta a parte inferior da língua ao assoalho da boca.

No entanto, para o tratamento, é importante que a criança seja encaminhada para o fonoaudiólogo, o que fará com que o tratamento seja efetivo.

Desenho mostra como é a anatomia normal da língua e como ela fica se tiver frênulo lingual alterada.
Alterações no frênulo lingual podem comprometer mobilidade da língua e impactar funções como sucção, mastigação e articulação, exigindo avaliação combinada entre dentistas e fonoaudiólogos. (Reprodução/Dra. Ana Koerich)

Respiradores bucais

Nesse caso, a equipe pode incluir também um otorrino, além do fonoaudiólogo. O trabalho dos dois em conjunto com o odontopediatra pode ajudar as pessoas com a respiração bucal.

A grande questão é que a respiração bucal traz o aprofundamento do palato e, consequentemente, o seu estreitamento. Além disso, pode causar alteração do padrão facial, comprometendo musculatura e parte óssea.

Dentista mostrando molde de boca
A intervenção ortodôntica e o acompanhamento fonoaudiológico são fundamentais para a reabilitação funcional. (Reprodução/Unsplash)

Deglutição atípica

Principalmente crianças podem ter alguma dificuldade na hora de engolir alimentos, o que faz com que desenvolvimento das estruturas do crânio-cérvico-mandibular fiquem incorretos, podendo levar a mordida profunda ou apinhamento dentário. 

No caso das crianças e bebês, essa questão interfere na nutrição e na introdução alimentar, quando falamos dos bebês. Por isso é tão importante a identificação e o tratamento precoce e multidisciplinar.

O fonoaudiólogo atua para adequar os movimentos da deglutição.

Boca de paciente que tem deglutição atípica.
Na deglutição atípica, os fonoaudiólogos atuam no reposicionamento funcional da língua, enquanto a odontologia corrige interferências oclusais que perpetuam o padrão inadequado.

Mastigação inadequada

A mastigação inadequada pode afetar toda a dinâmica da boca, e por isso a odontologia e a fonoaudiologia atuam complementarmente no tratamento.

Enquanto o dentista identifica e corrige alterações nos dentes, mordida e estrutura óssea que dificultam mastigar corretamente, o fonoaudiólogo trabalha a reeducação dos músculos orofaciais, aprimorando força, coordenação e padrão mastigatório.

Mulher está em casa comendo com as mãos.
A mastigação inadequada é tratada de forma mais eficaz quando odontologia e fonoaudiologia trabalham juntas, ajustando tanto questões estruturais quanto padrões musculares e funcionais.(Reprodução/Freepik)

Dificuldade na fala após a colocação de aparelho

Como mencionamos aqui, os aparelhos fixos ou móveis corrigem a posição dos dentes a fim de melhorar a estética facial e a qualidade de vida do paciente.

No entanto, ao colocá-los há um período de adaptação que pode ser difícil, com dores, desconforto e dificuldade para se alimentar.

E para resolver essas inconveniências, é possível implementar técnicas fonoaudiológicas.

Dentista checando aparelho ortodôntico da paciente.
A dificuldade na fala após a colocação de aparelho deve ser avaliada pela odontologia ou fonoaudiologia, pois pode envolver adaptação muscular, alterações oclusais ou ajustes necessários no dispositivo ortodôntico. (Reprodução/Getty Images/Keith Brofsky)

Quando a fala compromete o posicionamento dos dentes

A língua, enquanto a pessoa fala, está tocando nos dentes o tempo todo. E se esse processo empurrar a arcada dentária pode prejudicar a posição dos dentes. O que será especialmente prejudicial se a pessoa estiver usando aparelho.

Para preservar o resultado do tratamento, as terapias fonoaudiológicas entram em cena  para corrigir o alinhamento dos dentes.

dentista apontando para raio x na tela pra paciente
A avaliação conjunta de fonoaudiólogos e dentistas é crucial para identificar e tratar problemas relacionados à respiração oral e ao posicionamento inadequado da língua. (Reprodução/Unsplash)

Prevenção dos distúrbios orofaciais

O trabalho do fonoaudiólogo é fundamental para a prevenção dos distúrbios orofaciais. Por meio de orientações, exercícios e terapia que promovem o funcionamento adequado dos músculos e estruturas tanto faciais e orais.

Essas recomendações podem começar com as mães ainda no período gestacional ou pós-parto, o que pode ajudar na forma correta de amamentar e a introdução alimentar.

O fonoaudiólogo também ajuda a minimizar problemas que podem causar o desalinhamento dos dentes.

sala de dentista vazia com cadeira odontológica azul e pintura de árvore na parede
A fonoaudiologia e a odontologia podem colaborar na prevenção de doenças orofaciais. (Reprodução/Unsplash)

A fonoaudiologia e a odontologia são duas áreas complementares, atuam no mesmo sistema que envolve os órgãos e estruturas da boca e da face.

Como mencionamos, a odontologia cuida dos aspectos morfológicos, como dentes, ossos e gengivas, enquanto a fonoaudiologia cuida dos aspectos funcionais, como mastigação, deglutição, respiração e fala.

E a integração entre esses saberes é fundamental para promover a saúde e qualidade de vida dos pacientes, desde a infância até a terceira idade.

Por isso, é importante que os fonoaudiólogos e os dentistas conheçam as atribuições e as limitações de cada um, de forma que possam saber quando encaminhar os casos que necessitam de intervenção conjunta.

Este artigo te ajudou a entender melhor a relação entre essas duas áreas? Compartilhe e veja outros artigos no nosso blog.

*O texto acima foi preparado a partir de muita pesquisa para ajudar nas suas dúvidas. Porém, não foi escrito por um dentista, assim a EAP não se responsabiliza pelas informações, pois não possuem caráter científico.

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